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Questão de Português — Morfologia - Verbos — INSTITUTO AOCP 2025

PortuguêsMorfologia - Verbos
Código
qg544032
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
MPE-RS
Ano
2025
Nível
Superior
Leia o texto a seguir para responder à questão.


DeepSeek, OpenAI, Microsoft, Alibaba, a água, a Amazônia e a COP30


'Busca profunda' que devemos almejar é ampliar a consciência hídrica dos povos; avanço da inteligência artificial depende de recurso escasso

Adriano Stringhini
Professor da Fundação Dom Cabral, é membro do Imagine Brasil, do Centro de Estudos de Infraestrutura e Soluções Ambientais da FGV e do “Todos pela COP30”; ex-diretor da Sabesp


        Muito se tem falado sobre inteligência artificial após as versões 4.0 de DeepSeek e Alibaba surgirem. A ministra da Ciência e Tecnologia, Luciana Santos, diz que “iremos beber da fonte”. É nesse contexto que ouso emitir parcas reflexões sobre o impacto ambiental do avanço da IA no consumo de água e energia.


        Horas na Netflix, redes sociais, e-mails, transacionar criptomoedas. Tudo isso pede uma colossal infraestrutura global, “cidades data centers” e cabos que dariam mais de 80 voltas na Terra. Alimentar as plataformas online exige mais potência das máquinas, o que implica maior consumo de água e energia.


        A Agência Internacional de Energia (AIE) estimou que, em 2022, os data centers consumiram 460 terawatt-hora (TWh) de energia no planeta. Com o crescimento da IA, esse consumo aumentará para 1.050 TWh até 2026. O valor é o dobro do consumo anual de energia elétrica no Brasil, de aproximadamente 500 TWh. [...]


        Esses sistemas, a pleno vapor, precisam de ventilação para evitar o superaquecimento. Esse resfriamento, para ser eficiente (leia-se menor custo), utiliza muita água, um recurso escasso. Além disso, sabemos que os chips usados no treinamento de IA consomem muito mais água do que os de servidores comuns (acelerado pelo forte investimento em IA generativa em 2022). [...]


        Diante desse cenário, é preciso “beber da fonte”, mas devemos lembrar que nós somos a fonte. Brasil e a Amazônia são a fonte principal de água do mundo, que, ao final, é essencial para sistemas de IA. Água é energia — e, como bem lembrou o filme Matrix (1999), não há inteligência artificial sem energia.


        A Amazônia é um oceano subterrâneo, com volume total de 162 mil quilômetros cúbicos, o que é chamado pelos cientistas de Sistema Aquífero Grande Amazônia (Saga). Essa água nutre toda a vida da Amazônia, do planeta. O Saga seria capaz de abastecer o planeta inteiro durante 250 anos. São mais de 150 quatrilhões de litros de água doce, o nosso verdadeiro petróleo. 


        Frise-se: não estou sugerindo que se use água da Amazônia para resfriar data centers. O que proponho aqui é que a sociedade gaste tempo no Google pesquisando mais sobre como economizar água e levar saneamento para todos em vez de gastá-la pesquisando no Google, ChatGPT e DeepSeek qual dos três é melhor ou pior, ou mais ou menos seguro. Afinal, sem água no mundo, nenhum dos três irá funcionar.


        Na COP30, que ocorrerá em Belém, em novembro, teremos a oportunidade de falar sobre a importância de ampliar o reúso da água para a refrigeração dos data centers, mas, principalmente, alertar o mundo sobre a necessidade de preservar a “Amazônia hídrica”, os rios voadores e os rios/oceanos subterrâneos. [...]


        Sem verde não há água; sem água não há verde; sem verde e sem água não há vida — nem natural nem artificial. Essa é a verdadeira “busca profunda” (“deep seek”) que devemos almejar: ampliar a resiliência e a consciência hídrica dos povos.


Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2025/02/deepseekopenai-microsoft-alibaba-a-agua-a-amazonia-e-a-cop30.shtml. Acesso em: 26 mar. 2025. 
Em relação ao emprego dos verbos em destaque nos seguintes excertos, assinale a alternativa correta.
  1. AEm “‘Busca profunda’ que devemos almejar é ampliar a consciência hídrica dos povos [...]”, o verbo em destaque integra uma locução verbal com a função de imprimir à ação de “almejar” um sentido de futuridade.
  2. BEm “A ministra da Ciência e Tecnologia, Luciana Santos, diz que ‘iremos beber da fonte’.”, a opção pelo emprego do verbo “iremos” ao invés de “vamos” reforça a informalidade da fala da ministra.
  3. CEm “Diante desse cenário, é preciso ‘beber da fonte’ [...]”, o verbo destacado integra uma locução verbal, a qual modaliza o discurso atribuindo a ele um sentido de obrigação.
  4. DEm “[...] não estou sugerindo que se use água da Amazônia para resfriar data centers.”, a locução verbal pode ser substituída por “sugiro” sem que isso gere prejuízo sintático ao excerto.
  5. EEm “[...] mas devemos lembrar que nós somos a fonte.”, a substituição do verbo em destaque por “temos que” eliminaria do excerto a ideia de obrigação.
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GabaritoD — Em “[...] não estou sugerindo que se use água da Amazônia para resfriar data centers.”, a locução verbal pode ser substituída por “sugiro” sem que isso gere prejuízo sintático ao excerto.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Locução verbal e substituição de formas verbais: a questão da AOCP

Gabarito: letra D. A alternativa correta é a que afirma que a locução verbal "estou sugerindo" pode ser substituída por "sugiro" sem prejuízo sintático. Isso porque "estou sugerindo" é uma locução verbal formada pelo auxiliar "estar" (no presente do indicativo) + gerúndio "sugerindo", e a forma simples "sugiro" (presente do indicativo) mantém o mesmo valor de ação em curso e a mesma estrutura oracional. As demais alternativas ou confundem o conceito de locução verbal, ou atribuem valores semânticos incorretos aos verbos destacados.

O comando da questão

O enunciado pede que você analise o emprego dos verbos em destaque em cada excerto e assinale a alternativa correta. Isso significa que você deve avaliar, para cada trecho, se a afirmação sobre o verbo (se é locução verbal, se tem valor de futuridade, se pode ser substituído etc.) está de acordo com a gramática normativa e com o sentido do texto. Não se trata de interpretação de texto, mas de análise morfossintática — você precisa conhecer o conceito de locução verbal, os valores dos tempos verbais e as possibilidades de substituição.

O que é locução verbal?

Locução verbal é a combinação de dois ou mais verbos que funcionam como uma unidade: um verbo auxiliar (que traz as flexões de pessoa, número, tempo e modo) e uma forma nominal (infinitivo, gerúndio ou particípio), que carrega o sentido principal. Exemplos:

  • "vou falar" (auxiliar ir + infinitivo) — futuro

  • "estou estudando" (auxiliar estar + gerúndio) — ação em curso

  • "tinha chegado" (auxiliar ter + particípio) — pretérito perfeito composto

A substituição de uma locução por uma forma verbal simples é possível quando o sentido é equivalente. Por exemplo, "estou estudando" pode ser substituído por "estudo" (presente do indicativo) em muitos contextos, mantendo a ideia de ação habitual ou em curso. No caso da alternativa D, "estou sugerindo" → "sugiro" é perfeitamente válido, pois ambos expressam uma ação no presente, com valor de atualidade.

Análise das alternativas

Locução verbal
  • 1Estrutura
    • Verbo auxiliar (flexão)
    • Forma nominal (sentido)
      • Infinitivo
      • Gerúndio
      • Particípio
  • 2Substituição por forma simples
    • Mantém sentido e sintaxe
    • Ex.: "estou sugerindo" → "sugiro"
  • 3Valores semânticos
    • Dever + infinitivo → obrigação
    • Ir + infinitivo → futuridade
    • Estar + gerúndio → ação em curso
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"'Busca profunda' que devemos almejar é ampliar a consciência hídrica dos povos [...]"

A afirmação diz que o verbo "devemos" integra uma locução verbal com sentido de futuridade. Isso está errado. "Devemos" é o verbo dever conjugado no presente do indicativo, e ele funciona como verbo auxiliar de uma locução verbal com o infinitivo "almejar" (devemos almejar). No entanto, o valor semântico dessa locução é de obrigação, necessidade, e não de futuridade. O verbo "dever" é um verbo modal que expressa obrigação ou probabilidade, nunca futuridade. A futuridade seria expressa por "iremos almejar" ou "vamos almejar". Portanto, a alternativa troca o valor semântico do verbo: atribui futuridade a um verbo que expressa obrigação.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"A ministra da Ciência e Tecnologia, Luciana Santos, diz que 'iremos beber da fonte'."

A afirmação diz que o emprego de "iremos" em vez de "vamos" reforça a informalidade da fala. Isso é falso. Tanto "iremos" quanto "vamos" são formas do verbo ir no futuro do presente, mas "iremos" é a forma mais formal e "vamos" é a forma mais coloquial (usada também como presente com valor de futuro). Na verdade, a escolha por "iremos" confere um tom mais formal ao discurso, não informal. A alternativa inverte a relação entre as formas: atribui informalidade a uma forma que é mais formal.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Diante desse cenário, é preciso 'beber da fonte' [...]"

A afirmação diz que o verbo "beber" integra uma locução verbal que modaliza o discurso com sentido de obrigação. Isso está errado. No trecho, "beber" é um infinitivo que funciona como objeto direto da expressão "é preciso" (que é uma oração sem sujeito, com verbo "ser" + adjetivo "preciso"). Não há locução verbal: "é preciso" é uma estrutura impessoal, e "beber" é o complemento. O sentido de obrigação está na expressão "é preciso", não em uma locução verbal. A alternativa confunde a estrutura: chama de locução verbal o que é apenas um infinitivo regido por uma expressão impessoal.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"[...] não estou sugerindo que se use água da Amazônia para resfriar data centers."

A afirmação diz que a locução verbal "estou sugerindo" pode ser substituída por "sugiro" sem prejuízo sintático. Isso está correto. "Estou sugerindo" é uma locução verbal formada pelo auxiliar estar (presente do indicativo) + gerúndio sugerindo. A forma simples "sugiro" (presente do indicativo) expressa a mesma ação no presente, com valor de atualidade. A substituição mantém a estrutura sintática: o sujeito oculto "eu" continua o mesmo, e o verbo continua transitivo direto, regendo a oração subordinada "que se use água...". Portanto, não há prejuízo sintático nem mudança significativa de sentido.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"[...] mas devemos lembrar que nós somos a fonte."

A afirmação diz que a substituição de "devemos" por "temos que" eliminaria a ideia de obrigação. Isso é falso. Tanto "devemos" quanto "temos que" expressam obrigação ou necessidade. "Temos que" é uma locução verbal com o mesmo valor modal de obrigação. A substituição manteria a ideia de obrigação, não a eliminaria. A alternativa contradiz o sentido: afirma que a troca eliminaria a obrigação, quando na verdade a preserva.

Conclusão

A questão testa o domínio do conceito de locução verbal e a capacidade de substituir formas verbais sem alterar o sentido. A alternativa D é a única que apresenta uma afirmação gramaticalmente correta e sustentada pelo texto. As demais ou confundem o valor semântico dos verbos, ou atribuem características incorretas às formas verbais.

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar questões sobre locução verbal, identifique primeiro o verbo auxiliar e a forma nominal. Pergunte: "essa combinação pode ser substituída por um verbo só?" Se sim, verifique se o sentido é preservado. Desconfie de alternativas que atribuem valores como "futuridade" ou "obrigação" a verbos que não os expressam.

Gabarito: letra D

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