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Questão de Português — Morfologia — INSTITUTO AOCP 2025

PortuguêsMorfologia
Código
qg544213
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SANESUL
Ano
2025
Nível
Superior
Dopamina: por que busca desenfreada por estímulos pode tirar satisfação da vida


Shin Suzuki


    [...] Para a psiquiatra norte-americana Anna Lembke, seja em redes sociais, seja em jogos ou em compras online, por exemplo – instantes usando o celular vêm permeando a vida moderna de um modo excessivo e contribuindo para uma constante sensação de insatisfação, em que picos de empolgação ficam cada vez mais raros. [...]

    A dopamina, mensageiro químico do cérebro, é conhecido erroneamente como “hormônio do prazer”. Na realidade, suas características estão ligadas à motivação ou estímulo reforçador, com destacada atuação no sistema de recompensa cerebral. A sensação de prazer tem outros componentes químicos envolvidos. A dopamina, no entanto, é uma molécula fundamental em um processo maturado durante milhões de anos de evolução: o corpo instintivamente evita a dor. Procura o oposto. “Quando a dopamina é liberada e seus níveis sobem em resposta a algo que ingerimos ou fizemos, o corpo sente prazer, recompensa, euforia. E, então, claro, nós sempre estamos buscando recriar essa sensação”, diz Lembke em entrevista à BBC News Brasil.

    [...] Mas o nosso organismo sempre tenta restabelecer um equilíbrio interno, chamado de homeostase. Ou seja, se o nível de dopamina foi para as alturas, o corpo tenta compensar o outro lado da balança. “É aquela ‘descida’ após qualquer experiência prazerosa. Às vezes essa descida ocorre de forma óbvia, como a ressaca depois de uma bebedeira, mas outras vezes é muito mais sutil”, diz a psiquiatra. “Essencialmente, é a dopamina em queda livre, que não volta apenas a níveis basais, mas cai para abaixo deles. Então, para cada prazer, há um custo. E o custo é uma sensação temporária da abstinência de uma substância. Algo universalmente traduzido em ansiedade, irritabilidade, depressão e fissura pela droga de preferência”.

    [...] Lembke trata na clínica em Stanford casos graves de abusos de substâncias ou de dependência em sexo ou apostas, mas observa que os atrativos surgidos com a internet e a tecnologia digital massificaram e banalizaram a dinâmica dos disparos de dopamina e da compulsão. Ela acredita que todos nós podemos aprender com casos graves de dependência, “versões extremas do que todos nós somos capazes”. “A riqueza, a abundância e a tecnologia da nossa época fazem com que quase toda experiência humana tenha o potencial de vício, de uma droga. As mídias sociais são conexão humana em forma de droga. O que torna algo viciante? Algo que dispara dopamina no sistema de recompensa do cérebro de forma rápida”, diz ela. “E nós temos acesso fácil, quantidade ilimitada, grande potência e novidades ilimitadas. A dopamina responde a todas essas condições”.

    [...] A psiquiatra da Universidade Stanford acredita que a ideia de eliminar a dor a qualquer custo como paradigma trouxe desvantagens para a sociedade. Lembke se refere tanto à fuga automática de desconfortos como o tédio e a monotonia quanto ao uso indiscriminado de medicamentos para combater a dor – algo que teve grande papel na crise dos opioides, que vitimou centenas de milhares de norte-americanos nas últimas décadas.

    “Evitar a dor nos priva de experiências que constroem os calos mentais para encarar desafios futuros. E eu falo de dor de uma forma ampla: emocional, espiritual, todos os diferentes tipos de sofrimento físico e psicológico”.

    Lembke explica que a retomada do contato com o desconforto é exemplificada por algo frugal: a terapia do banho gelado (e, de fato, pesquisas sugerem benefícios da água fria não só para melhorar a circulação, mas também para aliviar depressão).

    [...] Mas uma pergunta paira: não será justamente a vida moderna, com toda a sua pressão e desafios, que impõe peso sobre todos que a habitam e dessa forma precisamos de algo para sanar essas dores? 

    Ela responde: “Eu concordo que nós vivemos em um mundo muito estranho e em uma época muito estranha, e que a vida em tempos modernos é difícil por razões paradoxais”.

    “Acho que medicamentos psicotrópicos têm representado uma maneira para nos adaptar a um mundo para o qual a nossa evolução ainda não chegou. Mas, em geral, eu acho que esses remédios são prescritos de forma excessiva, sem o reconhecimento de seus lados negativos, incluindo o potencial para se viciar ou nos privar de sentir as intensas emoções que nos tornam humanos." "A sugestão é que, em vez de usar medicamentos para nos adaptar a esse novo mundo, tentemos mudar as nossas experiências nele”.


Adaptado de: https://www.bbc.com/portuguese/internacional61303597. Acesso em: 17 fev. 2025.
Tendo em vista a formação das palavras destacadas a seguir, assinale a alternativa correta.
  1. AEm “Para a psiquiatra norte-americana Anna Lembke, da Universidade Stanford, [...]”, o termo destacado formou-se por composição por aglutinação.
  2. BEm “E nós temos acesso fácil, quantidade ilimitada [...]”, o termo destacado formou-se por derivação parassintética.
  3. CEm “Algo universalmente traduzido em ansiedade, irritabilidade, depressão [...]”, o termo destacado formou-se por derivação prefixal e sufixal.
  4. DNo trecho “[...] banalizaram a dinâmica dos disparos de dopamina e da compulsão.”, os termos destacados formaram-se por derivação regressiva.
  5. ENo trecho “[...] desconfortos como o tédio e a monotonia quanto ao uso indiscriminado de medicamentos [...]”, os dois termos destacados apresentam derivação prefixal em suas respectivas formações.
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GabaritoE — No trecho “[...] desconfortos como o tédio e a monotonia quanto ao uso indiscriminado de medicamentos [...]”, os dois termos destacados apresentam derivação prefixal em suas respectivas formações.

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Formação de palavras: derivação prefixal em "desconfortos" e "indiscriminado"

Gabarito: letra E. A alternativa E está correta porque as palavras "desconfortos" e "indiscriminado" são formadas por derivação prefixal: ambas recebem um prefixo (des- e in-) que se acrescenta a um radical já existente, sem alterar a classe gramatical da base. No texto, lê-se: "desconfortos como o tédio e a monotonia quanto ao uso indiscriminado de medicamentos". "Desconforto" vem de "conforto" + prefixo des-; "indiscriminado" vem de "discriminado" + prefixo in-. A banca testa se o candidato reconhece o processo de formação correto, distinguindo-o de composição, parassíntese e derivação regressiva.

O comando da questão

O enunciado pede que se assinale a alternativa correta sobre a formação das palavras destacadas. Isso exige conhecimento técnico de morfologia — especificamente dos processos de formação de palavras. Não se trata de interpretação de texto, mas de aplicar a regra gramatical a palavras retiradas do texto. Portanto, a resolução depende de dominar as definições de cada processo e de analisar a estrutura interna de cada palavra.

O texto e a localização da resposta

O texto-base trata da dopamina e da busca por estímulos, mas a questão não depende do conteúdo temático — apenas das palavras destacadas. A alternativa E cita o trecho: "desconfortos como o tédio e a monotonia quanto ao uso indiscriminado de medicamentos". As palavras "desconfortos" e "indiscriminado" são formadas por derivação prefixal, pois o prefixo é acrescentado a um radical que já existia na língua, sem que haja alteração da classe gramatical da base.

A técnica: como identificar o processo de formação

Para resolver, é preciso conhecer os principais processos de formação de palavras:

  • Derivação prefixal: acrescenta-se um prefixo ao radical (ex.: des+conforto = desconforto; in+discriminado = indiscriminado). A classe gramatical da base permanece a mesma.

  • Derivação sufixal: acrescenta-se um sufixo ao radical (ex.: conforto+ável = confortável). A classe gramatical pode mudar.

  • Derivação parassintética: acrescenta-se simultaneamente prefixo e sufixo, de modo que a palavra só existe com ambos (ex.: en+tard+ecer = entardecer; não existe "tardecer" nem "entard").

  • Composição por aglutinação: junção de dois radicais com perda de fonemas (ex.: água+ardente = aguardente).

  • Derivação regressiva: forma-se uma palavra pela redução de uma palavra primitiva (ex.: caçar → caça; pescar → pesca).

No caso de "desconfortos", o prefixo des- é acrescentado ao substantivo "conforto", mantendo a classe (substantivo). Em "indiscriminado", o prefixo in- é acrescentado ao adjetivo "discriminado", mantendo a classe (adjetivo). Portanto, ambos são exemplos de derivação prefixal.

Análise das alternativas

Formação de palavras
  • 1Derivação
    • Prefixal (des+conforto, in+discriminado)
    • Sufixal (universal+mente, banal+izar)
    • Parassintética (prefixo + sufixo simultâneos)
    • Regressiva (caçar → caça)
  • 2Composição
    • Justaposição (norte-americana)
    • Aglutinação (plano+alto → planalto)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "norte-americana" formou-se por composição por aglutinação. Incorreta. "Norte-americana" é formada por composição por justaposição, pois os elementos "norte" e "americana" se unem sem perda de fonemas. Na aglutinação, há perda de fonemas, como em "planalto" (plano+alto). Portanto, a alternativa erra ao classificar o processo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "ilimitada" formou-se por derivação parassintética. Incorreta. "Ilimitada" é formada por derivação prefixal: o prefixo in- (que se torna i- antes de l) é acrescentado ao adjetivo "limitada", mantendo a classe. Na parassíntese, seria necessário que a palavra só existisse com prefixo e sufixo simultaneamente, o que não ocorre aqui, pois "limitada" existe sem o prefixo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "universalmente" formou-se por derivação prefixal e sufixal. Incorreta. "Universalmente" é formada por derivação sufixal: o sufixo -mente é acrescentado ao adjetivo "universal", formando um advérbio. Não há prefixo. A derivação prefixal e sufixal (também chamada de parassintética) exigiria a presença simultânea de prefixo e sufixo, o que não ocorre.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "banalizaram" e "compulsão" formaram-se por derivação regressiva. Incorreta. "Banalizaram" é formada por derivação sufixal: o sufixo -izar é acrescentado ao adjetivo "banal", formando o verbo "banalizar". "Compulsão" é um substantivo primitivo, não derivado por regressão. A derivação regressiva ocorre quando se forma uma palavra pela redução de outra, como "caça" de "caçar".

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa afirma que "desconfortos" e "indiscriminado" apresentam derivação prefixal. Correta. Como visto, "desconfortos" = des- + conforto (prefixo des-), e "indiscriminado" = in- + discriminado (prefixo in-). Ambos mantêm a classe gramatical da base, caracterizando derivação prefixal.

"desconfortos como o tédio e a monotonia quanto ao uso indiscriminado de medicamentos"

A citação comprova que as palavras destacadas são exatamente as analisadas, e a estrutura morfológica confirma a derivação prefixal.

Conclusão

A questão exige o domínio dos processos de formação de palavras. A alternativa E é a única que classifica corretamente as palavras destacadas. As demais alternativas confundem os processos, atribuindo a palavras específicas classificações incorretas. Para acertar, é fundamental conhecer as definições e aplicá-las a cada palavra, verificando se há prefixo, sufixo, ou ambos, e se há perda de fonemas.

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar a formação de uma palavra, identifique primeiro o radical e depois verifique se há prefixo, sufixo ou ambos. Se houver apenas prefixo, é derivação prefixal; se apenas sufixo, é sufixal; se ambos e a palavra não existir sem um deles, é parassintética. Composição envolve dois radicais.

Gabarito: letra E

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