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Questão de Português — Sintaxe — INSTITUTO AOCP 2025

PortuguêsSintaxe
Código
qg544222
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SANESUL
Ano
2025
Nível
Superior
Dopamina: por que busca desenfreada por estímulos pode tirar satisfação da vida


Shin Suzuki


    [...] Para a psiquiatra norte-americana Anna Lembke, seja em redes sociais, seja em jogos ou em compras online, por exemplo – instantes usando o celular vêm permeando a vida moderna de um modo excessivo e contribuindo para uma constante sensação de insatisfação, em que picos de empolgação ficam cada vez mais raros. [...]

    A dopamina, mensageiro químico do cérebro, é conhecido erroneamente como “hormônio do prazer”. Na realidade, suas características estão ligadas à motivação ou estímulo reforçador, com destacada atuação no sistema de recompensa cerebral. A sensação de prazer tem outros componentes químicos envolvidos. A dopamina, no entanto, é uma molécula fundamental em um processo maturado durante milhões de anos de evolução: o corpo instintivamente evita a dor. Procura o oposto. “Quando a dopamina é liberada e seus níveis sobem em resposta a algo que ingerimos ou fizemos, o corpo sente prazer, recompensa, euforia. E, então, claro, nós sempre estamos buscando recriar essa sensação”, diz Lembke em entrevista à BBC News Brasil.

    [...] Mas o nosso organismo sempre tenta restabelecer um equilíbrio interno, chamado de homeostase. Ou seja, se o nível de dopamina foi para as alturas, o corpo tenta compensar o outro lado da balança. “É aquela ‘descida’ após qualquer experiência prazerosa. Às vezes essa descida ocorre de forma óbvia, como a ressaca depois de uma bebedeira, mas outras vezes é muito mais sutil”, diz a psiquiatra. “Essencialmente, é a dopamina em queda livre, que não volta apenas a níveis basais, mas cai para abaixo deles. Então, para cada prazer, há um custo. E o custo é uma sensação temporária da abstinência de uma substância. Algo universalmente traduzido em ansiedade, irritabilidade, depressão e fissura pela droga de preferência”.

    [...] Lembke trata na clínica em Stanford casos graves de abusos de substâncias ou de dependência em sexo ou apostas, mas observa que os atrativos surgidos com a internet e a tecnologia digital massificaram e banalizaram a dinâmica dos disparos de dopamina e da compulsão. Ela acredita que todos nós podemos aprender com casos graves de dependência, “versões extremas do que todos nós somos capazes”. “A riqueza, a abundância e a tecnologia da nossa época fazem com que quase toda experiência humana tenha o potencial de vício, de uma droga. As mídias sociais são conexão humana em forma de droga. O que torna algo viciante? Algo que dispara dopamina no sistema de recompensa do cérebro de forma rápida”, diz ela. “E nós temos acesso fácil, quantidade ilimitada, grande potência e novidades ilimitadas. A dopamina responde a todas essas condições”.

    [...] A psiquiatra da Universidade Stanford acredita que a ideia de eliminar a dor a qualquer custo como paradigma trouxe desvantagens para a sociedade. Lembke se refere tanto à fuga automática de desconfortos como o tédio e a monotonia quanto ao uso indiscriminado de medicamentos para combater a dor – algo que teve grande papel na crise dos opioides, que vitimou centenas de milhares de norte-americanos nas últimas décadas.

    “Evitar a dor nos priva de experiências que constroem os calos mentais para encarar desafios futuros. E eu falo de dor de uma forma ampla: emocional, espiritual, todos os diferentes tipos de sofrimento físico e psicológico”.

    Lembke explica que a retomada do contato com o desconforto é exemplificada por algo frugal: a terapia do banho gelado (e, de fato, pesquisas sugerem benefícios da água fria não só para melhorar a circulação, mas também para aliviar depressão).

    [...] Mas uma pergunta paira: não será justamente a vida moderna, com toda a sua pressão e desafios, que impõe peso sobre todos que a habitam e dessa forma precisamos de algo para sanar essas dores? 

    Ela responde: “Eu concordo que nós vivemos em um mundo muito estranho e em uma época muito estranha, e que a vida em tempos modernos é difícil por razões paradoxais”.

    “Acho que medicamentos psicotrópicos têm representado uma maneira para nos adaptar a um mundo para o qual a nossa evolução ainda não chegou. Mas, em geral, eu acho que esses remédios são prescritos de forma excessiva, sem o reconhecimento de seus lados negativos, incluindo o potencial para se viciar ou nos privar de sentir as intensas emoções que nos tornam humanos." "A sugestão é que, em vez de usar medicamentos para nos adaptar a esse novo mundo, tentemos mudar as nossas experiências nele”.


Adaptado de: https://www.bbc.com/portuguese/internacional61303597. Acesso em: 17 fev. 2025.
Considerando a norma-padrão vigente e o contexto de uso, assinale a alternativa cujo verbo em destaque tenha a mesma regência do verbo destacado em “A dopamina responde a todas essas condições”.
  1. A“[...] instantes usando o celular vêm permeando a vida moderna de um modo excessivo.”
  2. B“E, então, claro, nós sempre estamos buscando recriar essa sensação.”
  3. C“Lembke trata na clínica em Stanford casos graves de abusos de substâncias [...].”
  4. D“[...] uma maneira para nos adaptar a um mundo para o qual a nossa evolução ainda não chegou.”
  5. E“[...] a ideia de eliminar a dor a qualquer custo como paradigma trouxe desvantagens para a sociedade.”
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GabaritoD — “[...] uma maneira para nos adaptar a um mundo para o qual a nossa evolução ainda não chegou.”

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Regência verbal: identificando a mesma transitividade de "responder a"

Gabarito: letra D. A alternativa D é a correta porque o verbo "chegou" apresenta a mesma regência do verbo "responder" no trecho destacado: ambos são transitivos indiretos e exigem a preposição "a". No texto, "A dopamina responde a todas essas condições" — o verbo "responder" rege a preposição "a" (responde a algo). Na alternativa D, "a nossa evolução ainda não chegou" — o verbo "chegar" também rege a preposição "a" (chegou a um mundo). A questão pede que se identifique a mesma regência, ou seja, o mesmo tipo de complemento verbal.

O comando da questão

O enunciado pede que se identifique, entre as alternativas, o verbo que tenha a mesma regência do verbo destacado em "A dopamina responde a todas essas condições". Isso significa que precisamos analisar a transitividade verbal — se o verbo é transitivo direto, transitivo indireto, intransitivo, etc. — e a preposição exigida pelo complemento. Não se trata de interpretação de texto, mas de análise sintática e regência verbal.

O verbo "responder" no texto

No trecho "A dopamina responde a todas essas condições", o verbo "responder" é transitivo indireto, pois exige a preposição "a" para introduzir seu complemento: "a todas essas condições". O complemento verbal é um objeto indireto. A regência do verbo "responder" no sentido de "reagir a algo" é: responder a algo.

A técnica de resolução

Para resolver a questão, devemos:

  1. Identificar a regência do verbo destacado no texto: responder a (transitivo indireto).

  2. Analisar cada alternativa, verificando se o verbo em destaque é transitivo indireto e exige a preposição "a".

  3. Descartar as alternativas cujos verbos tenham regência diferente (transitivo direto, intransitivo, etc.).

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

O verbo "permeando" (do gerúndio "permeando") é transitivo direto, pois não exige preposição: "permeando a vida moderna" — o complemento "a vida moderna" é objeto direto. Não há preposição "a" regendo o complemento. Portanto, a regência é diferente da do verbo "responder".

Alternativa B — ❌ Incorreta

O verbo "buscando" (do gerúndio "buscando") é transitivo direto, pois exige complemento sem preposição: "buscando recriar essa sensação" — o complemento é uma oração subordinada substantiva objetiva direta. Não há preposição "a" regendo o complemento. Portanto, a regência é diferente.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O verbo "trata" é transitivo indireto, mas exige a preposição "de", não "a": "trata de casos graves" — o complemento "de casos graves" é objeto indireto. A preposição é "de", não "a". Portanto, a regência é diferente da do verbo "responder".

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O verbo "chegou" é transitivo indireto e exige a preposição "a": "chegou a um mundo" — o complemento "a um mundo" é objeto indireto. A preposição é "a", mesma do verbo "responder". Portanto, a regência é idêntica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O verbo "trouxe" é transitivo direto e indireto (bitransitivo), pois exige objeto direto ("desvantagens") e objeto indireto ("para a sociedade"). A preposição usada é "para", não "a". Portanto, a regência é diferente da do verbo "responder".

Conclusão

A alternativa D é a única que apresenta verbo com a mesma regência do verbo "responder" no texto: ambos são transitivos indiretos e exigem a preposição "a". As demais alternativas apresentam verbos com regências diferentes (transitivo direto, transitivo indireto com outra preposição, ou bitransitivo).

PEGA ESSA DICA!

Ao resolver questões de regência, identifique primeiro a preposição exigida pelo verbo no texto e, em seguida, verifique se a mesma preposição aparece nas alternativas. Desconfie de verbos que mudam de sentido conforme a preposição, como "tratar" (tratar de algo vs. tratar com alguém) e "chegar" (chegar a algum lugar).

Gabarito: letra D

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