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Questão de Português — Interpretação de Textos — INSTITUTO AOCP 2025

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
qg544226
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SANESUL
Ano
2025
Nível
Superior
Dopamina: por que busca desenfreada por estímulos pode tirar satisfação da vida


Shin Suzuki


    [...] Para a psiquiatra norte-americana Anna Lembke, seja em redes sociais, seja em jogos ou em compras online, por exemplo – instantes usando o celular vêm permeando a vida moderna de um modo excessivo e contribuindo para uma constante sensação de insatisfação, em que picos de empolgação ficam cada vez mais raros. [...]

    A dopamina, mensageiro químico do cérebro, é conhecido erroneamente como “hormônio do prazer”. Na realidade, suas características estão ligadas à motivação ou estímulo reforçador, com destacada atuação no sistema de recompensa cerebral. A sensação de prazer tem outros componentes químicos envolvidos. A dopamina, no entanto, é uma molécula fundamental em um processo maturado durante milhões de anos de evolução: o corpo instintivamente evita a dor. Procura o oposto. “Quando a dopamina é liberada e seus níveis sobem em resposta a algo que ingerimos ou fizemos, o corpo sente prazer, recompensa, euforia. E, então, claro, nós sempre estamos buscando recriar essa sensação”, diz Lembke em entrevista à BBC News Brasil.

    [...] Mas o nosso organismo sempre tenta restabelecer um equilíbrio interno, chamado de homeostase. Ou seja, se o nível de dopamina foi para as alturas, o corpo tenta compensar o outro lado da balança. “É aquela ‘descida’ após qualquer experiência prazerosa. Às vezes essa descida ocorre de forma óbvia, como a ressaca depois de uma bebedeira, mas outras vezes é muito mais sutil”, diz a psiquiatra. “Essencialmente, é a dopamina em queda livre, que não volta apenas a níveis basais, mas cai para abaixo deles. Então, para cada prazer, há um custo. E o custo é uma sensação temporária da abstinência de uma substância. Algo universalmente traduzido em ansiedade, irritabilidade, depressão e fissura pela droga de preferência”.

    [...] Lembke trata na clínica em Stanford casos graves de abusos de substâncias ou de dependência em sexo ou apostas, mas observa que os atrativos surgidos com a internet e a tecnologia digital massificaram e banalizaram a dinâmica dos disparos de dopamina e da compulsão. Ela acredita que todos nós podemos aprender com casos graves de dependência, “versões extremas do que todos nós somos capazes”. “A riqueza, a abundância e a tecnologia da nossa época fazem com que quase toda experiência humana tenha o potencial de vício, de uma droga. As mídias sociais são conexão humana em forma de droga. O que torna algo viciante? Algo que dispara dopamina no sistema de recompensa do cérebro de forma rápida”, diz ela. “E nós temos acesso fácil, quantidade ilimitada, grande potência e novidades ilimitadas. A dopamina responde a todas essas condições”.

    [...] A psiquiatra da Universidade Stanford acredita que a ideia de eliminar a dor a qualquer custo como paradigma trouxe desvantagens para a sociedade. Lembke se refere tanto à fuga automática de desconfortos como o tédio e a monotonia quanto ao uso indiscriminado de medicamentos para combater a dor – algo que teve grande papel na crise dos opioides, que vitimou centenas de milhares de norte-americanos nas últimas décadas.

    “Evitar a dor nos priva de experiências que constroem os calos mentais para encarar desafios futuros. E eu falo de dor de uma forma ampla: emocional, espiritual, todos os diferentes tipos de sofrimento físico e psicológico”.

    Lembke explica que a retomada do contato com o desconforto é exemplificada por algo frugal: a terapia do banho gelado (e, de fato, pesquisas sugerem benefícios da água fria não só para melhorar a circulação, mas também para aliviar depressão).

    [...] Mas uma pergunta paira: não será justamente a vida moderna, com toda a sua pressão e desafios, que impõe peso sobre todos que a habitam e dessa forma precisamos de algo para sanar essas dores? 

    Ela responde: “Eu concordo que nós vivemos em um mundo muito estranho e em uma época muito estranha, e que a vida em tempos modernos é difícil por razões paradoxais”.

    “Acho que medicamentos psicotrópicos têm representado uma maneira para nos adaptar a um mundo para o qual a nossa evolução ainda não chegou. Mas, em geral, eu acho que esses remédios são prescritos de forma excessiva, sem o reconhecimento de seus lados negativos, incluindo o potencial para se viciar ou nos privar de sentir as intensas emoções que nos tornam humanos." "A sugestão é que, em vez de usar medicamentos para nos adaptar a esse novo mundo, tentemos mudar as nossas experiências nele”.


Adaptado de: https://www.bbc.com/portuguese/internacional61303597. Acesso em: 17 fev. 2025.
De acordo com a leitura do texto, é correto afirmar que
  1. Aa principal função da dopamina no cérebro é estimular tanto a motivação quanto o sistema de recompensa.
  2. Ba dopamina é, cientificamente, considerada o “hormônio do prazer”, uma vez que funciona como um propulsor da sensação de bem-estar imediato nos indivíduos.
  3. CAnna Lembke acredita que evitar a dor pode ser prejudicial porque essa sensação desconfortável é a única forma de se alcançar a homeostase.
  4. Da dopamina, responsável direta pela sensação de prazer, também atua, em nosso organismo, não só como hormônio regulador do sono e do apetite mas também como um mecanismo de defesa.
  5. Ea psiquiatra Anna Lembke considera que a busca desenfreada por estímulos pode levar à insatisfação porque, nessas situações, a dopamina é liberada em excesso, causando danos permanentes ao cérebro.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — a principal função da dopamina no cérebro é estimular tanto a motivação quanto o sistema de recompensa.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Dopamina: compreensão de texto — a função da dopamina no cérebro

Gabarito: letra A. A alternativa A está correta porque reproduz, com outras palavras, o que o texto afirma explicitamente: a dopamina está ligada à motivação ou estímulo reforçador, com atuação no sistema de recompensa cerebral. Como se lê no 2º parágrafo: “suas características estão ligadas à motivação ou estímulo reforçador, com destacada atuação no sistema de recompensa cerebral”. As demais alternativas ou contradizem o texto, ou extrapolam informações que ele não traz.

O comando: compreensão, não inferência

O enunciado pede “de acordo com a leitura do texto” — ou seja, a resposta deve estar explícita no texto, bastando localizar e parafrasear a passagem correspondente. Não se trata de deduzir, concluir ou completar com conhecimento de mundo: a alternativa correta é a que reescreve fielmente uma ideia do texto, sem acrescentar nada. Esse é o primeiro filtro: se a alternativa exige que você “imagine” ou “lembre” algo que não está escrito, ela está errada.

O texto: tema e tese

O texto discute o papel da dopamina e os efeitos da busca excessiva por estímulos na vida moderna. A tese central, defendida pela psiquiatra Anna Lembke, é que a busca desenfreada por prazer gera insatisfação e que evitar a dor a qualquer custo traz desvantagens. Mas a questão não pergunta sobre a tese — pergunta sobre a função da dopamina, que está descrita no 2º parágrafo. Ali o texto é claro: a dopamina não é o “hormônio do prazer” (isso é um erro comum), mas sim um mensageiro ligado à motivação e ao sistema de recompensa.

A técnica: localizar a passagem e testar cada alternativa

A técnica para questões de compreensão é simples: leia cada alternativa e pergunte “onde o texto diz isso?”. Se não houver passagem que sustente a afirmação, a alternativa está errada. No caso da correta, a passagem é direta:

“A dopamina, mensageiro químico do cérebro, é conhecido erroneamente como ‘hormônio do prazer’. Na realidade, suas características estão ligadas à motivação ou estímulo reforçador, com destacada atuação no sistema de recompensa cerebral.”

A alternativa A parafraseia exatamente isso: “a principal função da dopamina no cérebro é estimular tanto a motivação quanto o sistema de recompensa”. A palavra “principal” é uma síntese aceitável de “destacada atuação” — o texto não diz que é a única função, mas que é a função destacada. Portanto, A está correta.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Como visto, a passagem do 2º parágrafo autoriza integralmente a afirmação. A alternativa não extrapola, não restringe e não contradiz o texto: ela apenas reescreve com outras palavras o que está dito. É a única que se sustenta por completo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B diz que a dopamina é “cientificamente considerada o ‘hormônio do prazer’”. O texto afirma exatamente o contrário: ela é erroneamente conhecida como “hormônio do prazer”. A palavra “erroneamente” inverte o sentido — a banca trocou o vocábulo crucial. Erro: contradiz o texto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C afirma que Anna Lembke acredita que evitar a dor é prejudicial porque a dor é “a única forma de se alcançar a homeostase”. O texto diz que evitar a dor “nos priva de experiências que constroem os calos mentais para encarar desafios futuros”, mas não diz que a dor seja a única forma de alcançar a homeostase. A palavra “única” é uma restrição indevida — o texto não faz essa afirmação. Erro: restringe o alcance (generalização indevida).

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D atribui à dopamina funções que o texto não menciona: “hormônio regulador do sono e do apetite” e “mecanismo de defesa”. Nada disso está no texto. A banca acrescenta informações de fora, que podem até ser verdadeiras no mundo real, mas não estão no texto. Erro: extrapolação (acrescenta informação ausente).

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E diz que a busca desenfreada por estímulos causa “danos permanentes ao cérebro”. O texto fala em “sensação temporária da abstinência”, em “ansiedade, irritabilidade, depressão e fissura”, mas não menciona danos permanentes. A palavra “permanentes” é uma extrapolação — o texto não sustenta essa consequência. Erro: extrapolação (exagera a consequência).

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora trocar um vocábulo que inverte o sentido (como “erroneamente” em B) ou acrescentar um adjetivo absoluto (“única”, “permanentes”) que o texto não autoriza. Desconfie sempre de palavras como “única”, “sempre”, “nunca”, “permanente”.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, grife no texto a passagem que sustenta a alternativa correta e, para cada errada, aponte o vocábulo que a torna falsa. Se a alternativa exige que você “complete” com algo que não está escrito, ela está errada.

Gabarito: letra A.

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