Questão de História — História Geral — Instituto Ágata 2025
HistóriaHistória Geral
- Código
- qg571038
- Banca
- Instituto Ágata
- Órgão
- Prefeitura de Juruti - PA
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Professor de História
O Romantismo transformará Satã no símbolo do espírito livre, da vida alegre, não contra uma lei moral, mas segundo uma lei natural, contrária à aversão por este mundo pregada pela Igreja. Satanás significa liberdade, progresso, ciência, vida. Tornarse-á moda a identificação com o Demônio, assim como procurar refletir no semblante o olhar, o riso, a zombaria im pressos nas feições tradicionais do Diabo. (...) O Diabo passa a representar a rebelião contra a fé e a moral tradicional, representando a revolta do homem, mas com a aceitação do sofrimento porque este é uma fonte purificadora do espírito, uma nobreza moral, da qual só pode surgir o bem da humanidade. E o demoníaco torna-se o símbolo do Renascimento: demoníaco como paixão, como terror do desconhecido, como descoberta do lado irracional existente no homem: a explosão da imaginação contra obstáculos excessivos da consciência e das leis.NOGUEIRA, Carlos Roberto Figueiredo. O diabo no imaginário cristão. Bauru: Edusc, 2000.No excerto, Nogueira analisa a transformação simbólica de Satã no imaginário romântico, momento em que o “demônio” deixa de representar o mal absoluto e passa a encarnar a rebeldia e a liberdade criadora.Do ponto de vista da análise historiográfica das representações culturais, esse deslocamento de sentido revela
- Aa permanência de uma visão medieval do mal, reapropriada pelo Romantismo apenas como estética de transgressão, sem alteração nos fundamentos teológicos de sua condenação moral e doutrinária estabelecida.
- Ba influência direta do pensamento iluminista, que elimina qualquer dimensão simbólica ou emocional da figura demoníaca, convertendo-a em mero produto da superstição popular e com finalidade mercadológica.
- Ca passagem de uma concepção dogmática cristã para uma visão humanista da existência, em que o “demoníaco” se torna metáfora da potência criadora e da libertação dos limites impostos pela moral religiosa.
- Da continuidade do ideal cristão de obediência e humildade, reinterpretado pelos românticos como fundamento de um novo humanismo racional, que estabelecia uma relação de aproximação e distanciamento aos dogmas cristãos.
- Ea recusa completa do imaginário religioso, substituído por uma leitura científica, crítica e positivista da natureza humana e de seus impulsos, orientada por uma lógica ateísta e humanista da racionalidade moderna.