Questão de Português — Interpretação de Textos — Quadrix 2025
- Código
- qg595174
- Banca
- Quadrix
- Órgão
- CONRERP 2ª Região
- Ano
- 2025
- Nível
- Médio
- Cargo
- Agente de Fiscalização
- Aargumentativa.
- Bdescritiva.
- Cexpositiva.
- Dinjuntiva.
- Enarrativa.
GabaritoC — expositiva.
Gabarito: letra C. O texto é predominantemente expositivo porque o autor informa e explica um tema — as mudanças nas organizações e a necessidade de motivar colaboradores — sem defender uma tese nem tentar persuadir o leitor. A intenção é expor conceitos e fatos, como se vê no trecho: “a motivação torna‑se fundamental para mudar o comportamento individual, considerando‑se aspectos como trabalho em equipe, rotatividade, realização pessoal, entre outras variáveis passíveis de controle”. Não há opinião pessoal nem apelo ao convencimento; há apenas a apresentação de informações.
A questão pede que você reconheça o tipo textual que predomina no texto. Isso não é uma questão de compreensão literal nem de inferência profunda: é uma questão de classificação tipológica, que exige olhar para a intenção comunicativa do autor. Como ensinam as gramáticas, o conteúdo predomina sobre a forma: não basta ver verbos no presente ou a ausência de diálogos; é preciso perguntar: o que o autor quer fazer com este texto? Informar? Convencer? Narrar? Descrever? Instruir?
O texto trata das mudanças nas organizações diante das novas gerações (Y e Z) e da importância da motivação para o comportamento dos colaboradores. O autor expõe esse panorama: fala do acúmulo de informações, da competitividade, das diferenças geracionais, das dificuldades de mudança de comportamento. Não há uma tese defendida com argumentos contrários; não há “eu acho” nem “é preciso que todos concordem”. Há uma explanação imparcial, típica do texto expositivo.
Veja como o autor apenas informa:
“As organizações estão passando por um processo em que o acúmulo de informações e a competitividade do mercado de trabalho exigem que estejam cada vez mais estruturadas internamente e preparadas para lidar com desafios constantes.”
Aqui não há defesa de ponto de vista; há a constatação de um fato. O mesmo ocorre em:
“Alguns comportamentos atuais são decorrentes de vícios e exigem muita força de vontade para mudar. Outros são espontâneos e repetidos sem muita reflexão.”
O autor classifica e explica os comportamentos, sem julgar ou persuadir. Isso é a marca do texto expositivo.
A pegadinha central desta questão é confundir expositivo com argumentativo. A diferença é clara:
Critério | Expositivo | Argumentativo |
|---|---|---|
Intenção | Informar, explicar, apresentar dados | Convencer, persuadir, defender tese |
Posição do autor | Neutra, impessoal | Opinativa, com ponto de vista |
Estrutura | Introdução, desenvolvimento, conclusão (recapitulação) | Introdução com tese, argumentos, conclusão que reafirma |
Exemplo | Verbete de enciclopédia, aula expositiva, artigo científico | Artigo de opinião, editorial, resenha crítica |
No texto em análise, o autor não toma partido: não diz que a motivação é boa ou ruim, não critica as gerações, não propõe soluções. Ele apenas expõe o que acontece e o que se considera importante. Por isso, é expositivo, não argumentativo.
Argumentativa. O texto não apresenta tese nem argumentos para convencer o leitor. Não há “eu defendo que...”, não há refutação de opiniões contrárias, não há apelo à persuasão. O autor apenas informa sobre o contexto organizacional. A presença de conectivos como “uma vez que” e “Nesse sentido” não torna o texto argumentativo; eles apenas organizam a exposição. Erro: confundir exposição com argumentação.
Descritiva. O texto não tem como objetivo caracterizar pessoas, objetos ou ambientes com riqueza de detalhes sensoriais. Não há adjetivos em profusão, não há “foto” de um cenário. O texto fala de processos e conceitos, não de aparências. A descrição seria predominante se o autor estivesse pintando um quadro verbal de uma organização, o que não ocorre. Erro: tangenciar o tema, pois o texto menciona organizações, mas não as descreve.
Expositiva. O texto informa e explica o tema das mudanças organizacionais e da motivação. O autor apresenta fatos e conceitos de forma impessoal, sem juízo de valor. Como já citado, o trecho “a motivação torna‑se fundamental para mudar o comportamento individual” é uma explicação, não uma opinião. A estrutura é de exposição: apresenta o contexto, desenvolve a ideia e conclui com uma recapitulação. É a única alternativa inteiramente sustentada pelo texto.
Injuntiva. O texto injuntivo tem por objetivo instruir, dar ordens, orientar procedimentos (bulas, manuais, receitas). Aqui não há verbos no imperativo, não há “faça isso”, “siga aquilo”. O autor não está ensinando como fazer algo; está explicando uma situação. Erro: confundir explicação com instrução.
Narrativa. O texto narrativo conta uma história com personagens, enredo, tempo e espaço. Não há sequência de eventos com começo, meio e fim; não há personagens agindo. O texto é atemporal e conceitual, não há progressão temporal. Erro: confundir relato de fatos com narração de eventos.
Para identificar a tipologia, pergunte-se: qual é a intenção do autor? Se ele informa/explica, é expositivo; se defende uma tese, é argumentativo; se conta uma história, é narrativo; se descreve características, é descritivo; se dá instruções, é injuntivo. Essa pergunta resolve a maioria das questões de tipologia.
Gabarito: letra C.
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