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Questão de Português — Interpretação de Textos — Quadrix 2025

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
qg595212
Banca
Quadrix
Órgão
CONRERP 2ª Região
Ano
2025
Nível
Médio
Cargo
Assistente Administrativo
        Sala em casa do juiz de paz. Mesa no meio com papéis, cadeiras.

        Entra o juiz de paz vestido de calça branca, sobrecasaca de riscado, chinelas verde e sem gravata.

      – Vamo‑nos preparando para dar audiência. (ARRANJA OS PAPÉIS.) O escrivão já tarda; sem dúvida, está na venda do Manuel do Coqueiro... O último recruta que se fez já vai‑me fazendo peso. Nada, não gosto de presos em casa. Podem fugir, e depois dizem que o juiz recebeu algum presente.

        (BATEM À PORTA) – Quem é? Pode entrar.

        (ENTRA UM ESCRAVO COM UM CACHO DE BANANAS E UMA CARTA, QUE ENTREGA AO JUIZ. O JUIZ, LENDO A CARTA:) “Ilmº Sr. Muito me alegro de dizer a V. Sª que a minha intenção, ao fazer desta, é boa, e que a mesma desejo para V. Sª pelos circunlóquios com que lhe venero”. (DEIXANDO DE LER:) – Circunlóquios... Que nome em breve! O que quererá ele dizer? Continuemos. (LENDO:) “Tomo a liberdade de mandar a V. Sª um cacho de bananas‑maçãs para V. Sª comer com a sua boca e dar também a comer à Srª Juíza e aos Srs. Juizinhos. V. Sª há‑de reparar na insignificância do presente; porém, Ilmº Sr., as reformas da Constituição permitem a cada um fazer o que quiser, e mesmo fazer presentes; ora, mandando assim as ditas reformas, V. Sª fará o favor de aceitar as ditas bananas, que diz minha Teresa serem muito boas. No mais, receba as ordens de quem é seu venerador e tem a honra de ser ‘Manuel André de Sapiruruca’.”

        – Bom, tenho bananas para a sobremesa. Ó pai, leva estas bananas para dentro e as entrega à senhora. Toma lá um vintém para teu tabaco. (SAI O ESCRAVO). O certo é que é bem bom ser juiz de paz cá pela roça. De vez em quando, temos nossos presentes de galinhas, bananas, ovos, etc., etc.

        (BATEM À PORTA) – Quem é?

        Escrivão (DENTRO): – Sou eu.

        Juiz: – Ah, é o escrivão. Pode entrar.

PENA, Martins. O juiz de paz na roça. Cena IX. 1838.
In: Lydinéa Gasman. Documentos históricos brasileiros.
Rio de Janeiro, Fename, 1976, p. 181 e 182 (com adaptações).
Quanto ao contexto e ao emprego da oração “para V. Sª comer com a sua boca e dar também a comer à Srª Juíza e aos Srs. Juizinhos” no texto, é correto afirmar que
  1. Aa expressão “com a sua boca”, no trecho “comer com a sua boca”, apresenta redundância desnecessária e configura erro gramatical.
  2. Ba expressão “fazer alguém comer” poderia ser uma expressão antônima adequada para “dar também a comer”
  3. Ca expressão “com a sua boca” foi empregada como complemento do verbo “comer”, ou seja, mostra como se deve comer a banana.
  4. Do acento grave em “à” poderia ser suprimido, o que causaria apenas alteração do sentido denotativo.
  5. Ea expressão “dar também a comer” significa preparar a comida.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — a expressão “com a sua boca”, no trecho “comer com a sua boca”, apresenta redundância desnecessária e configura erro gramatical.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Interpretação de trecho de "O juiz de paz na roça"

Gabarito: A. A alternativa A é a única correta, pois a expressão "com a sua boca", no trecho "comer com a sua boca", é redundante (pleonasmo vicioso) e, segundo a gramática normativa, configura erro de linguagem (vício de linguagem). As demais alternativas ou contradizem o texto ou cometem erros de análise gramatical.

Análise do texto-base

No trecho da carta lida pelo juiz:

"Tomo a liberdade de mandar a V. Sª um cacho de bananas‑maçãs para V. Sª comer com a sua boca e dar também a comer à Srª Juíza e aos Srs. Juizinhos."

A repetição do instrumento "com a boca" é desnecessária, pois o ato de comer já implica o uso da boca. Trata-se de um pleonasmo vicioso, considerado erro gramatical em registro formal.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A afirmativa está correta. A expressão "com a sua boca" é redundante (já que comer se faz com a boca) e, em uma análise normativa, constitui um erro gramatical (pleonasmo vicioso). O contexto da peça reforça o caráter coloquial e pouco letrado do autor da carta, mas a afirmação da banca é válida do ponto de vista gramatical.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A expressão "fazer alguém comer" não é antônima de "dar também a comer". "Dar a comer" significa oferecer alimento para que a pessoa coma; "fazer alguém comer" implica obrigar ou forçar a comer. Não há relação de antonímia, e sim de ações distintas.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A expressão "com a sua boca" não funciona como complemento do verbo "comer" (objeto direto ou indireto), mas como adjunto adverbial de instrumento — indica o meio pelo qual se come. O complemento do verbo é o objeto direto "as bananas" (subentendido). Portanto, a classificação sintática está errada.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O acento grave em "à Srª Juíza" indica crase (preposição "a" + artigo "a"). Suprimi-lo alteraria a relação sintática: "dar também a comer a Srª Juíza" poderia ser interpretado como objeto direto ("comer a juíza"), mudando o sentido de forma substancial, não apenas "denotativa". Além disso, a supressão poderia tornar a frase agramatical. Afirmar que "apenas" altera o sentido denotativo é incorreto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Dar também a comer" significa oferecer a comida para ser ingerida, e não preparar o alimento. O contexto da carta é claro: o remetente envia bananas para que o juiz e sua família as comam, não para que ele as cozinhe.


Gabarito: letra A

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