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Questão de Português — Interpretação de Textos — Quadrix 2025

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
qg595213
Banca
Quadrix
Órgão
CONRERP 2ª Região
Ano
2025
Nível
Médio
Cargo
Assistente Administrativo
        Sala em casa do juiz de paz. Mesa no meio com papéis, cadeiras.

        Entra o juiz de paz vestido de calça branca, sobrecasaca de riscado, chinelas verde e sem gravata.

      – Vamo‑nos preparando para dar audiência. (ARRANJA OS PAPÉIS.) O escrivão já tarda; sem dúvida, está na venda do Manuel do Coqueiro... O último recruta que se fez já vai‑me fazendo peso. Nada, não gosto de presos em casa. Podem fugir, e depois dizem que o juiz recebeu algum presente.

        (BATEM À PORTA) – Quem é? Pode entrar.

        (ENTRA UM ESCRAVO COM UM CACHO DE BANANAS E UMA CARTA, QUE ENTREGA AO JUIZ. O JUIZ, LENDO A CARTA:) “Ilmº Sr. Muito me alegro de dizer a V. Sª que a minha intenção, ao fazer desta, é boa, e que a mesma desejo para V. Sª pelos circunlóquios com que lhe venero”. (DEIXANDO DE LER:) – Circunlóquios... Que nome em breve! O que quererá ele dizer? Continuemos. (LENDO:) “Tomo a liberdade de mandar a V. Sª um cacho de bananas‑maçãs para V. Sª comer com a sua boca e dar também a comer à Srª Juíza e aos Srs. Juizinhos. V. Sª há‑de reparar na insignificância do presente; porém, Ilmº Sr., as reformas da Constituição permitem a cada um fazer o que quiser, e mesmo fazer presentes; ora, mandando assim as ditas reformas, V. Sª fará o favor de aceitar as ditas bananas, que diz minha Teresa serem muito boas. No mais, receba as ordens de quem é seu venerador e tem a honra de ser ‘Manuel André de Sapiruruca’.”

        – Bom, tenho bananas para a sobremesa. Ó pai, leva estas bananas para dentro e as entrega à senhora. Toma lá um vintém para teu tabaco. (SAI O ESCRAVO). O certo é que é bem bom ser juiz de paz cá pela roça. De vez em quando, temos nossos presentes de galinhas, bananas, ovos, etc., etc.

        (BATEM À PORTA) – Quem é?

        Escrivão (DENTRO): – Sou eu.

        Juiz: – Ah, é o escrivão. Pode entrar.

PENA, Martins. O juiz de paz na roça. Cena IX. 1838.
In: Lydinéa Gasman. Documentos históricos brasileiros.
Rio de Janeiro, Fename, 1976, p. 181 e 182 (com adaptações).
O fragmento de texto trata de um(uma)
  1. Aoposição entre as condutas incoerentes de um juiz de paz em uma comunidade de proprietários bem‑sucedidos da zona rural.
  2. Blouvor à vida calma das pessoas da roça, que têm vasto conhecimento do mundo exterior, inclusive das mudanças na Constituição.
  3. Ccontraste entre a vida agitada na cidade e a vida pacata na zona rural.
  4. Ddescrição, por meio de cenas curtas, leve e crítica da vida no interior, cujo elemento central é a figura do juiz de paz.
  5. Eelogio à forma digna e honrosa com que o juiz de paz trata as pessoas simples e bondosas do ambiente rural, como o escravo e o remetente da carta.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — descrição, por meio de cenas curtas, leve e crítica da vida no interior, cujo elemento central é a figura do juiz de paz.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O fragmento de texto trata de um(uma)

Gabarito: letra D. O texto é uma descrição, por meio de cenas curtas, leve e crítica da vida no interior, cujo elemento central é a figura do juiz de paz. A alternativa D é a única que sintetiza com fidelidade o que o fragmento apresenta: uma sequência de cenas curtas (rubricas de teatro, falas do juiz, leitura de uma carta) que retratam, com leveza e crítica, o cotidiano no interior, tendo o juiz de paz como figura central. As demais alternativas ou extrapolam o texto, ou contradizem o que ele afirma, ou tangenciam o tema.

O comando

A questão pede que se identifique do que trata o fragmento — ou seja, qual alternativa melhor resume o tema central e a intenção do texto. Não se trata de localizar uma informação pontual (compreensão), mas de interpretar o conjunto: o que o autor constrói com essas cenas? A resposta deve estar ancorada no texto, não em suposições externas.

O texto

O fragmento é uma cena de teatro (com rubricas como "Entra o juiz de paz...", "Batem à porta", "Entra um escravo..."). O tema é o cotidiano de um juiz de paz na roça. A tese implícita é a de que essa vida é simples, marcada por pequenos presentes e pela informalidade — mas também por uma crítica sutil: o juiz aceita presentes (bananas, galinhas, ovos), o que sugere uma conduta pouco imparcial. O movimento argumentativo se dá pela justaposição de cenas curtas: a fala inicial do juiz sobre não gostar de presos em casa, a leitura da carta com o presente de bananas, e a fala final "O certo é que é bem bom ser juiz de paz cá pela roça. De vez em quando, temos nossos presentes de galinhas, bananas, ovos, etc., etc.".

A técnica que decide

A alternativa correta precisa abarcar o todo do texto, não apenas uma parte. A letra D faz exatamente isso: "descrição, por meio de cenas curtas" (a estrutura do texto), "leve e crítica" (o tom — leve pela comicidade da carta e da fala do juiz; crítico pela aceitação de presentes), "da vida no interior" (o cenário), "cujo elemento central é a figura do juiz de paz" (o protagonista). As demais alternativas cometem erros típicos de interpretação:

  • Extrapolação: acrescentam informações que o texto não traz (como a "oposição entre condutas incoerentes" ou o "louvor à vida calma").

  • Contradição: afirmam o oposto do que o texto sugere (como o "elogio à forma digna e honrosa" de tratar as pessoas).

  • Fuga ao tema: falam de algo que o texto não aborda (como o "contraste entre cidade e zona rural").

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora extrapolar com um fato que parece verdadeiro, mas que o texto não autoriza. A letra E, por exemplo, diz que o juiz trata as pessoas "de forma digna e honrosa" — mas o texto mostra o juiz aceitando presentes, o que é justamente o oposto de uma conduta honrosa. Desconfie de alternativas que "embelezam" o texto.

1Estrutura
Rubricas de teatro
Falas do juiz
Leitura de carta
2Tom
Leve (comicidade)
Crítico (aceita presentes)
3Cenário
Vida no interior
4Elemento central
Figura do juiz de paz
Texto: cenas curtas do cotidiano
LEVELsoulevel.com.br
Texto: cenas curtas do cotidiano: Estrutura (Rubricas de teatro, Falas do juiz, Leitura de carta); Tom (Leve (comicidade), Crítico (aceita presentes)); Cenário (Vida no interior); Elemento central (Figura do juiz de paz)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto não apresenta "oposição entre as condutas incoerentes" do juiz. O juiz é retratado de forma cômica e crítica, mas não há uma oposição explícita entre condutas. Além disso, o texto não fala de "comunidade de proprietários bem-sucedidos" — o cenário é uma sala simples, e o remetente da carta é um homem simples que manda bananas. A alternativa inventa um conflito que não está no texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação e contradição. O texto não faz "louvor à vida calma das pessoas da roça". O juiz reclama do escrivão que "tarda" e diz que "não gosta de presos em casa" — há um tom de crítica, não de louvor. Além disso, a alternativa afirma que as pessoas da roça têm "vasto conhecimento do mundo exterior, inclusive das mudanças na Constituição" — mas o juiz, ao ler a carta, não entende a palavra "circunlóquios" e pergunta "O que quererá ele dizer?", o que mostra justamente o contrário: falta de conhecimento. A alternativa contradiz o texto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: fuga ao tema. O texto não menciona a cidade em nenhum momento. Não há contraste entre "vida agitada na cidade" e "vida pacata na zona rural". A alternativa fala de algo que o texto não aborda — é uma tangência, um assunto apenas remotamente correlato.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa correta. O texto é uma descrição (cenas curtas, com rubricas e falas) leve e crítica (o tom é cômico, mas há crítica à aceitação de presentes) da vida no interior (o cenário é a roça) cujo elemento central é a figura do juiz de paz (ele é o protagonista de todas as cenas). Isso é comprovado pelo texto:

"O certo é que é bem bom ser juiz de paz cá pela roça. De vez em quando, temos nossos presentes de galinhas, bananas, ovos, etc., etc."

Essa fala final resume o tema: a vida no interior, com seus pequenos presentes, e a figura central do juiz. A leveza está no tom coloquial e cômico; a crítica está na naturalidade com que o juiz aceita presentes, o que sugere uma conduta pouco imparcial.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: contradição. A alternativa afirma que o texto faz "elogio à forma digna e honrosa com que o juiz de paz trata as pessoas simples". Mas o texto mostra o juiz aceitando presentes (bananas, galinhas, ovos) e até dando um vintém ao escravo como se isso fosse uma esmola. Não há elogio à dignidade ou honra — há, na verdade, uma crítica sutil à corrupção. A alternativa inverte o sentido do texto.

Conclusão

A questão testa a capacidade de sintetizar o tema central do texto. A alternativa correta é a que abarca o todo, sem extrapolar, sem contradizer e sem fugir ao tema. Teste cada alternativa perguntando: "o texto autoriza isto, ou exige acrescentar algo de fora?". A letra D é a única inteiramente sustentada pelo texto.

Gabarito: letra D

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