Questão de Português — Figuras de Linguagem — Quadrix 2025
- Código
- qg595564
- Banca
- Quadrix
- Órgão
- CORE-SE
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Contador
- Aanástrofe.
- Bhipérbole.
- Canacoluto.
- Dzeugma.
- Ehipálage.
GabaritoB — hipérbole.
Gabarito: letra B. A figura de linguagem presente no trecho é a hipérbole, pois há um exagero intencional na expressão “setenta vezes sete”, que amplifica de forma desmedida a intensidade da oscilação emocional do personagem. A passagem que ancora essa leitura é: “Ele foi da fé ao desespero setenta vezes sete num curto período”. O número bíblico, usado para indicar uma quantidade infinita de vezes, é uma clara hipérbole — o autor não quer dizer que isso ocorreu literalmente 490 vezes, mas sim que foi algo intenso, repetido e exagerado.
A questão pede que você identifique a figura de linguagem em um trecho específico. Isso é uma tarefa de conceito — você precisa saber a definição de cada figura listada nas alternativas e aplicá-la ao texto. Não é uma questão de interpretação profunda, mas de reconhecimento de um recurso estilístico. O comando é direto: “é possível identificar a figura de linguagem conhecida como”. Portanto, o foco está na definição e no efeito de cada figura, não em inferências sobre o sentido global do texto.
O texto narra a crise existencial de um personagem que, após ouvir “Está tudo acabado”, passa por uma série de experiências extremas: “correu, nadou, jejuou e orou, murmurou ao céu, ouviu a discografia de vários artistas, emagreceu de dieta e de má saúde, ceifou-lhe a vida e também a de várias pessoas, suicidou-se e renasceu, reinventou-se”. Tudo isso em um “curto período”. O trecho destacado na questão — “da fé ao desespero setenta vezes sete” — resume essa montanha-russa emocional. A expressão “setenta vezes sete” é a chave: ela não tem valor literal, mas sim hiperbólico, pois exagera a quantidade de vezes que ele oscilou entre fé e desespero.
A hipérbole é uma figura de pensamento que consiste no exagero intencional para dar ênfase. Exemplos clássicos: “morrer de rir”, “chorar rios de lágrimas”, “fazer uma tempestade num copo d'água”. No trecho, “setenta vezes sete” é um exagero evidente: ninguém oscila entre fé e desespero exatamente 490 vezes em um curto período. O autor usa o número para transmitir a intensidade e a repetição do sofrimento, não uma contagem real.
Agora, vejamos por que as outras figuras não se aplicam:
Anástrofe (A): é a inversão da ordem natural dos termos da oração. Ex.: “De repente chegou a hora” (em vez de “a hora chegou”). No trecho, a ordem é normal: “Ele foi da fé ao desespero”. Não há inversão.
Anacoluto (C): é a quebra da estrutura sintática, deixando um termo solto. Ex.: “Eu, que era branca e linda, eis-me medonha e escura”. No trecho, a frase é sintaticamente correta, sem termo solto.
Zeugma (D): é a omissão de um termo já mencionado anteriormente. Ex.: “Ela gosta de Caetano Veloso; eu, de Chico Buarque” (omite-se o verbo “gostar”). No trecho, não há omissão de termo.
Hipálage (E): é a transferência de um adjetivo de um termo para outro. Ex.: “O homem olhava o horizonte distante” (o distante é o horizonte, não o olhar). No trecho, não há essa transferência.
A anástrofe é a inversão da ordem direta da frase (sujeito + verbo + complemento). No trecho, a ordem é direta: “Ele foi da fé ao desespero”. Não há inversão de termos. A alternativa confunde o conceito de inversão com o de exagero. A banca tenta atrair o candidato que sabe que “setenta vezes sete” é uma expressão incomum, mas não é uma inversão sintática.
A hipérbole é o exagero intencional. A expressão “setenta vezes sete” é um exagero evidente, pois amplifica a quantidade de vezes que o personagem oscilou entre fé e desespero. O texto diz: “Ele foi da fé ao desespero setenta vezes sete num curto período”. Esse número não é literal, mas sim uma forma de enfatizar a intensidade e a repetição do sofrimento. É a única figura que se encaixa perfeitamente no trecho.
O anacoluto é a quebra da estrutura sintática, deixando um termo solto. Ex.: “Eu, que era branca e linda, eis-me medonha e escura”. No trecho, a frase é sintaticamente correta: “Ele foi da fé ao desespero”. Não há termo solto nem quebra de construção. A alternativa extrapola o conceito, pois o trecho não apresenta nenhuma irregularidade sintática.
O zeugma é a omissão de um termo já mencionado. Ex.: “Ela gosta de Caetano Veloso; eu, de Chico Buarque” (omite-se o verbo “gostar”). No trecho, não há omissão de termo. A alternativa troca o conceito: o zeugma é uma figura de construção (sintaxe), enquanto a hipérbole é uma figura de pensamento. O trecho não apresenta omissão.
A hipálage é a transferência de um adjetivo de um termo para outro. Ex.: “O homem olhava o horizonte distante” (o distante é o horizonte, não o olhar). No trecho, não há essa transferência. A alternativa tangencia o tema, pois apresenta uma figura rara que não se aplica ao texto. A banca inclui essa opção para confundir candidatos que não dominam o conceito.
A banca aposta na confusão entre figuras de pensamento (hipérbole) e figuras de construção (anástrofe, anacoluto, zeugma). A hipérbole é a única que trabalha com o exagero de sentido, não com a estrutura da frase. Ao ver “setenta vezes sete”, pergunte-se: isso é uma inversão? Uma omissão? Uma quebra? Não. É um exagero.
Para identificar a hipérbole, procure por números exagerados, comparações impossíveis ou ações extremas (“morrer de rir”, “chorar rios”). Se a expressão não pode ser verdadeira literalmente, é hipérbole.
Gabarito: letra B. A hipérbole é a figura de pensamento que exagera intencionalmente para dar ênfase. No trecho, “setenta vezes sete” é um exagero claro, pois ninguém oscila entre fé e desespero exatamente 490 vezes em um curto período. As demais figuras são de construção (anástrofe, anacoluto, zeugma) ou de palavra (hipálage) e não se aplicam ao trecho.
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