Questão de Português — Interpretação de Textos — Quadrix 2025
Português›Interpretação de Textos
Código
qg595567
Banca
Quadrix
Órgão
CORE-SE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Contador
ESTÁ TUDO ACABADO
— Está tudo acabado.
A frase foi dita em uma terça‑feira banal. Ele foi
da fé ao desespero setenta vezes sete num curto período:
correu, nadou, jejuou e orou, murmurou ao céu, ouviu a
discografia de vários artistas, emagreceu de dieta e de má
saúde, ceifou‑lhe a vida e também a de várias pessoas,
suicidou‑se e renasceu, reinventou‑se. Quando voltou a
si e à razão simples da vida, ela estava no mesmo lugar,
convocando‑o à luta diária e incessante de não saber o que
se quer e, mesmo assim, entender que está tudo bem.
A leitura do texto e a observação da sua estrutura e de seu conteúdo levam à correta interpretação de que ele pertence ao gênero
Aconto ou crônica.
Besquete ou solilóquio.
Cacróstico ou auto.
Dnotícia ou artigo de opinião.
Esátira ou epopeia.
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GabaritoA — conto ou crônica.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Gênero textual do texto "Está tudo acabado"
Gabarito: letra A (conto ou crônica). O texto pertence ao gênero narrativo, pois apresenta uma história com personagem, tempo e ação, estruturada em torno de um conflito existencial. A alternativa A é a única que nomeia gêneros narrativos compatíveis com o texto, como se comprova pela presença de um narrador que relata os acontecimentos e pela construção de uma pequena trama com desfecho reflexivo.
O comando pede que o candidato identifique o gênero textual a partir da leitura e da observação da estrutura e do conteúdo. Isso exige reconhecer as características predominantes do texto: ele narra uma sequência de ações de um personagem (correu, nadou, jejuou, orou, emagreceu, suicidou-se e renasceu), situada no tempo ("numa terça-feira banal"), com um conflito (o desespero) e um desfecho (a volta à razão). Esses elementos são típicos da narração, que se materializa em gêneros como conto e crônica.
A técnica para resolver é observar a intenção predominante do texto. O texto não informa objetivamente (notícia), não defende uma tese com argumentos (artigo de opinião), não descreve estática e detalhadamente um objeto ou cena (descrição pura), nem apresenta instruções (injuntivo). Ele conta uma história, ainda que breve e com tom reflexivo, o que o aproxima da crônica — gênero que parte de um fato cotidiano para uma reflexão — ou do conto, pela presença de um núcleo narrativo com personagem e transformação.
A pegadinha da banca está em oferecer gêneros que, embora possam ter algum traço em comum (como a subjetividade), não correspondem à estrutura narrativa do texto. A alternativa D, por exemplo, tenta atrair o candidato que vê a reflexão final como opinião, mas o texto não tem a estrutura argumentativa de um artigo de opinião nem a impessoalidade de uma notícia.
PEGA ESSA DICA!
Para identificar o gênero, pergunte-se: "qual é a função social do texto?" Se ele conta uma história com personagens e ações, é narrativo (conto, crônica, romance, fábula). Se defende uma ideia, é argumentativo (artigo de opinião, editorial). Se informa com imparcialidade, é expositivo (notícia, reportagem).
Gênero textual
1Narrativo
Conto
Crônica
Romance
Fábula
2Argumentativo
Artigo de opinião
Editorial
3Expositivo
Notícia
Reportagem
4Dramático
Esquete
Auto
5Lírico
Acróstico
Epopeia
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O texto é um fragmento narrativo: há um personagem ("Ele"), uma ação inicial (a frase "Está tudo acabado"), um conflito (o desespero que o leva a "correr, nadar, jejuar e orar") e um desfecho ("Quando voltou a si e à razão simples da vida"). Essa estrutura de enredo com personagem e transformação é própria de contos e crônicas, gêneros narrativos. A crônica, em especial, costuma partir de um fato cotidiano ("uma terça-feira banal") para uma reflexão, exatamente o que ocorre aqui.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Esquete é uma cena curta de teatro, e solilóquio é um discurso de um personagem falando sozinho. O texto não tem forma dialogada nem estrutura dramática; é uma narração em terceira pessoa, com um narrador que relata os fatos. A alternativa tangencia o texto ao focar em gêneros teatrais que não se aplicam à estrutura apresentada.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Acróstico é um poema em que as letras iniciais formam uma palavra, e auto é um gênero dramático religioso. O texto não apresenta versos, rimas ou qualquer estrutura poética, nem é uma peça teatral. A alternativa extrapola ao sugerir gêneros que exigem características formais ausentes no texto.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Notícia é um texto jornalístico informativo, impessoal e objetivo, e artigo de opinião defende uma tese com argumentos. O texto não informa um fato jornalístico nem apresenta uma argumentação estruturada; ele narra a experiência subjetiva de um personagem. A alternativa contradiz a natureza narrativa do texto ao classificá-lo como jornalístico/opinativo.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Sátira é um gênero que ridiculariza algo, e epopeia é um longo poema narrativo sobre feitos heroicos. O texto não tem tom satírico nem a grandiosidade de uma epopeia; é uma narrativa breve e introspectiva. A alternativa extrapola ao atribuir características de gêneros literários clássicos que não estão presentes.
Conclusão: a questão exige reconhecer a tipologia narrativa predominante. O texto conta uma história com personagem, conflito e desfecho, o que o enquadra nos gêneros conto ou crônica. As demais alternativas falham por não corresponderem à estrutura narrativa, seja por tangenciar (B), extrapolar (C e E) ou contradizer (D) o que o texto efetivamente é.