Questão de Português — Figuras de Linguagem — Quadrix 2025
- Código
- qg596425
- Banca
- Quadrix
- Órgão
- CRC-AM
- Ano
- 2025
- Nível
- Médio
- Cargo
- Assistente Administrativo
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: E (Errado). No trecho “Quando deixou de sê‑lo, o espírito não acompanhou”, não há prosopopeia (ou personificação), pois o “espírito” não recebe características humanas nem age como ser animado; a figura exige atribuir ações ou qualidades humanas a seres inanimados, animais ou mortos, o que não ocorre aqui. A banca cita “metagoge” como sinônimo, mas mesmo que fosse, a figura não está presente no trecho.
A questão é de julgamento (Certo/Errado) sobre a ocorrência de uma figura de linguagem específica. O comando afirma que no trecho há metagoge ou prosopopeia. Para resolver, você precisa saber o que é prosopopeia e verificar se o trecho a contém. Não é uma questão de interpretação ampla, mas de reconhecimento de figura de linguagem — exige conhecimento do conceito e aplicação ao texto.
O texto narra a vida de Joselita, que foi pobre e, mesmo depois de deixar de sê-lo, não mudou o comportamento: “A vida não gozava. Comia pouco, usava trapos. Reciclava lenços, lavava o fio dental usado. Afastou‑se de todos.” O trecho destacado é:
“Quando deixou de sê‑lo, o espírito não acompanhou.”
Aqui, “o espírito” refere-se à mentalidade, ao modo de pensar de Joselita — não a um ser animado. O verbo “acompanhar” é usado em sentido figurado, mas não atribui ação humana a um ser inanimado. Dizer que “o espírito não acompanhou” significa que a mentalidade não mudou junto com a condição financeira. Não há personificação: o espírito não age, não sente, não tem vontade própria; é apenas uma metáfora para a disposição interior.
Prosopopeia, também chamada de personificação, é a figura de linguagem que atribui características, ações ou sentimentos humanos a seres inanimados, animais ou entes abstratos. Exemplos clássicos:
“O relógio cansou de trabalhar.” (o relógio, ser inanimado, recebe a ação de cansar)
“As estrelas, grandes olhos curiosos, espreitavam através da folhagem.” (Eça de Queirós — as estrelas espreitam, ação humana)
No trecho de Joselita, não há esse tipo de atribuição. O “espírito” é uma abstração (a mente, a disposição), e o verbo “acompanhar” é usado metaforicamente, mas não confere humanidade ao espírito. A figura presente é a metáfora — comparação implícita entre o espírito e algo que poderia acompanhar —, não a prosopopeia.
A banca afirma que há prosopopeia, mas o trecho não a contém. A prosopopeia exigiria que o “espírito” fosse tratado como um ser capaz de agir, sentir ou ter características humanas — o que não ocorre. O verbo “acompanhar” é usado em sentido figurado, mas isso é metáfora, não personificação. Além disso, o termo “metagoge” é citado como sinônimo, mas mesmo que fosse, a figura não está presente.
A questão testa o reconhecimento de figuras de linguagem no texto. A pegadinha está em associar “espírito” a algo animado, mas o contexto mostra que é apenas uma metáfora para a mentalidade. Sempre que a banca citar uma figura, verifique se o trecho realmente a contém — não basta o termo parecer adequado.
Gabarito: E (Errado).
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