Questão de Português — Gêneros Textuais — Quadrix 2025
- Código
- qg596426
- Banca
- Quadrix
- Órgão
- CRC-AM
- Ano
- 2025
- Nível
- Médio
- Cargo
- Assistente Administrativo
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
Gabarito: C (Certo). A afirmação está correta porque o texto de Joselita é, de fato, um texto narrativo curto, em prosa, e a distinção entre conto e crônica depende, em grande medida, do grau de verossimilhança que o leitor atribui à narrativa. O texto apresenta elementos que permitem ambas as classificações, e o enunciado apenas reconhece essa possibilidade, sem afirmar categoricamente que se trata de um ou de outro gênero.
O enunciado pede um julgamento (Certo/Errado) sobre uma afirmação metalinguística a respeito do texto. Não se trata de interpretar o conteúdo da história de Joselita, mas de avaliar se a classificação genérica proposta é plausível. A banca testa o conhecimento do candidato sobre gêneros textuais (conto e crônica) e sua relação com a tipologia narrativa.
O texto "Joselita" é um fragmento narrativo: conta a história de uma mulher que, mesmo deixando de ser pobre, não mudou seus hábitos, isolou-se e morreu sozinha. Veja os elementos narrativos presentes:
"Joselita foi pobre de passar fome. Quando deixou de sê‑lo, o espírito não acompanhou. A vida não gozava. Comia pouco, usava trapos. Reciclava lenços, lavava o fio dental usado. Afastou‑se de todos."
Há personagem (Joselita), enredo (a vida de privação que se mantém mesmo com dinheiro), tempo (passado, com verbos no pretérito: "foi", "deixou", "gozava", "comia", "usava", "afastou-se") e espaço (a cama onde morre). A narrativa é curta e está em prosa (não há versos, rimas ou métrica).
A distinção entre conto e crônica não é rígida. Ambos são gêneros narrativos em prosa, mas:
O conto é uma narrativa ficcional mais elaborada, com enredo estruturado, conflito e desfecho, e não exige que os fatos sejam verossímeis ou baseados na realidade.
A crônica é um texto que parte de fatos do cotidiano, com tom mais leve e próximo do leitor, frequentemente publicada em jornais ou revistas, e costuma ter maior ancoragem na realidade.
O texto de Joselita, com seu tom quase absurdo (lavar fio dental usado, guardar 300 mil reais sob o colchão), pode ser lido tanto como um conto (ficção com exagero) quanto como uma crônica (comentário sobre um comportamento humano real). A verossimilhança — a aparência de verdade — é o critério que o enunciado aponta para decidir: se o leitor achar a história plausível, tende a vê-la como crônica; se achar exagerada, como conto.
A afirmação diz que o texto "permite enquadrá‑lo no gênero conto ou no gênero crônica, a depender do grau de verossimilhança que se interprete que ele possui". Isso está correto porque:
O texto é narrativo curto em prosa — característica comum a contos e crônicas.
A ambiguidade genérica é real: não há elementos que obriguem a classificá-lo exclusivamente como um ou outro.
O critério da verossimilhança é um dos fatores que diferenciam os dois gêneros na prática, e o enunciado o apresenta como condicionante, não como certeza.
A banca não afirma que o texto é um conto ou uma crônica; apenas reconhece a possibilidade de ambos, o que é tecnicamente defensável.
A questão não exige uma classificação definitiva, mas o reconhecimento de que a fronteira entre conto e crônica é permeável e depende da interpretação do leitor. Como o texto apresenta características compatíveis com ambos os gêneros, a afirmação é verdadeira.
Gabarito: C (Certo).
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