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Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — Quadrix 2025

PortuguêsNoções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Código
qg596427
Banca
Quadrix
Órgão
CRC-AM
Ano
2025
Nível
Médio
Cargo
Assistente Administrativo
Joselita

        Joselita foi pobre de passar fome. Quando deixou de sê‑lo, o espírito não acompanhou. A vida não gozava. Comia pouco, usava trapos. Reciclava lenços, lavava o fio dental usado. Afastou‑se de todos. Em “Morreu sozinha em sua cama, onde ratazanas criavam filhotes, alimentadas por sua carne magra e aquecidas por cerca de 300 mil reais que juntara sob o colchão.”

Internet:<folhadabaixada.com.br>  (com adaptações).
Acerca do texto e dos seus aspectos linguísticos, julgue o item a seguir.A leitura do texto permite identificar uma mensagem implícita: a de que juntar dinheiro e não usufruir do que ele pode proporcionar é tolice.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Mensagem implícita: juntar dinheiro sem usufruir é tolice

Gabarito: C (Certo). A leitura do texto permite, sim, identificar a mensagem implícita de que juntar dinheiro e não usufruir do que ele pode proporcionar é tolice. Essa conclusão é uma inferência legítima, ancorada em pistas textuais — sobretudo na ironia do desfecho, em que Joselita morre sobre 300 mil reais que juntara, sem ter gozado a vida. O texto não diz literalmente "é tolice", mas a construção dos fatos conduz o leitor a essa leitura.

O comando: inferência, não recorrência

O enunciado pede que se julgue se a leitura "permite identificar uma mensagem implícita". Isso muda tudo: não se trata de localizar uma informação explícita (recorrência), mas de depreender algo que está nas entrelinhas. A banca quer saber se o texto autoriza aquela conclusão — e autoriza, como se verá.

O texto: a ironia como pista

O texto narra a vida de Joselita, que foi pobre de passar fome e, mesmo depois de deixar de sê-lo, não mudou o comportamento: comia pouco, usava trapos, reciclava até fio dental. O clímax está no trecho final:

"Morreu sozinha em sua cama, onde ratazanas criavam filhotes, alimentadas por sua carne magra e aquecidas por cerca de 300 mil reais que juntara sob o colchão."

Aqui está a chave: a personagem juntou 300 mil reais — uma quantia considerável — mas não usufruiu de nada: morreu sozinha, pobre, com ratazanas. A ironia (e o absurdo) da cena é exatamente essa: todo aquele dinheiro acumulado não serviu para nada. O texto não precisa dizer "que tolice"; a situação, por si só, implica esse juízo.

A técnica: inferência com pista no texto

Inferência legítima é aquela que se apoia em pistas deixadas pelo próprio texto. Aqui, as pistas são:

  • "A vida não gozava" — indica que ela não aproveitava o que tinha;

  • "Comia pouco, usava trapos" — comportamento de quem não usufrui;

  • "300 mil reais que juntara" — acúmulo de dinheiro;

  • "Morreu sozinha... com ratazanas" — desfecho trágico que contrasta com a riqueza acumulada.

A conclusão "juntar dinheiro e não usufruir é tolice" é uma dedução que o leitor faz a partir desses elementos. Não é extrapolação: o texto obriga a essa leitura, pois a ironia só funciona se o leitor perceber o absurdo de acumular sem aproveitar.

Por que a alternativa está correta

A afirmativa diz: "A leitura do texto permite identificar uma mensagem implícita: a de que juntar dinheiro e não usufruir do que ele pode proporcionar é tolice." Isso é exatamente o que o texto sugere — não está escrito, mas está pressuposto na construção irônica. A banca não pediu que o candidato concordasse com a moral; pediu que reconhecesse que o texto permite essa leitura. E permite.

NÃO CAIA NESSA!

A banca poderia tentar fazer o candidato achar que "tolice" é uma opinião externa, mas a ironia do texto autoriza o juízo. A pegadinha seria marcar "errado" por achar que o texto não diz isso literalmente — mas a questão é de inferência, não de recorrência.

NÃO CAIA NESSA!

Em questões de "mensagem implícita", pergunte: "o texto conduz a essa conclusão?" Se sim, a inferência é válida. Não confunda "não está escrito" com "não está no texto" — o implícito também é texto.

Conclusão: o item está certo, pois a mensagem implícita é uma inferência ancorada na ironia do desfecho. A resposta é C (Certo).

Gabarito: C (Certo).

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