Questão de Português — Interpretação de Textos — Quadrix 2025
- Código
- qg596534
- Banca
- Quadrix
- Órgão
- CRC-AM
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Contador
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: letra E (Errado). A reescrita de “O CRC‑AM convida a imprensa amazonense e toda a classe contábil” como “O CRC‑AM convida a imprensa amazonense e toda classe contábil” não prejudica a correção gramatical — a supressão do artigo “a” antes de “classe” é gramaticalmente aceitável, pois o artigo definido é facultativo nesse contexto. O que muda é apenas o sentido: sem o artigo, “toda classe contábil” ganha valor genérico/universal (“qualquer classe contábil”), enquanto com o artigo “toda a classe contábil” mantém o sentido específico de “a classe contábil inteira”. Como a afirmação diz que a correção seria prejudicada, ela está errada.
O enunciado pede um julgamento de assertiva (Certo/Errado) sobre uma reescrita de trecho do texto. A tarefa exige avaliar dois aspectos simultaneamente: (1) se o sentido original é mantido e (2) se a correção gramatical é preservada. A banca afirma que o sentido seria mantido, mas a correção seria prejudicada. Para resolver, é preciso separar as duas dimensões: sentido (semântica) e gramática (norma culta).
O texto-base é uma notícia institucional do CRC‑AM sobre o XIV Fórum da Mulher Contabilista. O trecho relevante está no último parágrafo:
“O CRC‑AM convida a imprensa amazonense e toda a classe contábil a prestigiar esse importante evento”
A reescrita proposta suprime o artigo definido “a” antes de “classe”, transformando “toda a classe contábil” em “toda classe contábil”. A questão central é: essa supressão é gramaticalmente válida? E altera o sentido?
Em português, o artigo definido antes de substantivos pode ser facultativo em certos contextos, especialmente após palavras como “todo”, “toda”, “ambos”, “certo”, “outro”. A gramática normativa aceita tanto “toda a classe” quanto “toda classe”. Portanto, não há erro gramatical na reescrita.
Contudo, a supressão do artigo altera o sentido:
“toda a classe contábil” — o artigo definido “a” individualiza, refere-se à classe contábil específica (a classe contábil como um todo, já conhecida no contexto).
“toda classe contábil” — sem o artigo, “toda” assume valor de generalização: “qualquer classe contábil”, “todas as classes contábeis possíveis”.
Essa distinção é clássica em provas: o artigo definido particulariza; sua ausência generaliza. No texto, o convite é dirigido à classe contábil específica (a dos contabilistas do Amazonas, público do evento), não a qualquer classe contábil do mundo. Logo, a reescrita muda o sentido, ainda que mantenha a correção gramatical.
A banca inverte a relação: afirma que o sentido é mantido e a gramática é prejudicada. Na verdade, é o contrário: a gramática é preservada, mas o sentido é alterado. Essa é uma pegadinha típica de troca de conceitos — o candidato pode saber que “toda classe” é aceitável, mas não perceber que a ausência do artigo muda a referência.
A banca troca os efeitos — diz que a correção é prejudicada (falso) e que o sentido é mantido (falso). O candidato que conhece a regra do artigo facultativo pode marcar “Certo” por achar que a reescrita é válida, sem notar a mudança semântica.
A assertiva afirma: “A reescrita ... manteria o sentido original do texto, mas a correção gramatical seria prejudicada.”
“manteria o sentido original” — FALSO. A supressão do artigo generaliza o termo, alterando a referência específica.
“a correção gramatical seria prejudicada” — FALSO. A supressão do artigo é gramaticalmente aceitável.
Como ambas as partes da assertiva são falsas, o item é ERRADO.
A reescrita é gramaticalmente correta, mas semanticamente diferente. A banca inverteu os efeitos para confundir. Ao julgar reescritas, separe sempre: o que muda na gramática (regras de concordância, regência, crase, colocação) e o que muda no sentido (referência, generalização, ênfase). A resposta correta é Errado.
Gabarito: letra E (Errado).
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