Questão de Português — Interpretação de Textos — Quadrix 2025
- Código
- qg597094
- Banca
- Quadrix
- Órgão
- CREF - 22ª Região (ES)
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Agente de Fiscal de Postura
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: letra E (Errado). O deslocamento de “Assim” para depois de “em 1995” não mantém a coerência textual, pois altera o valor semântico do conectivo: na posição original, “Assim” introduz uma conclusão que retoma todo o parágrafo anterior; deslocado, passa a funcionar como um simples advérbio de modo, quebrando a relação lógica entre os períodos. A correção gramatical até se preserva, mas a coerência se perde — e o item exige que ambas sejam mantidas.
A questão pede que você julgue se a reescritura mantém correção gramatical e coerência textual. São dois requisitos cumulativos: basta um falhar para o item ser Errado. Aqui, a gramática sobrevive, mas a coerência não — por isso o gabarito é E.
No trecho original, “Assim” abre o período e estabelece uma relação conclusiva com tudo o que foi dito antes. Veja o contexto:
“...o interesse em melhorar o estado geral de saúde – e não apenas a aptidão cardiorrespiratória... – despertou maior atenção dos pesquisadores para o fato de que o volume de atividades, e não necessariamente a intensidade dos esforços, seria mais importante na promoção da saúde. Assim, em 1995, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) e o ACMS criaram uma recomendação populacional...”
O “Assim” sinaliza: diante disso (dessa nova compreensão), criou-se a recomendação. Ele é um operador argumentativo conclusivo, equivalente a “portanto”, “por conseguinte”. Sua função é amarrar o parágrafo anterior ao novo fato.
Se deslocarmos “Assim” para depois de “em 1995”, a frase fica:
“Em 1995, assim, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) e o ACMS criaram uma recomendação populacional...”
Agora “assim” deixa de ser um conectivo que olha para trás e passa a funcionar como um advérbio de modo — “dessa maneira”, “desse jeito” —, como se indicasse como a recomendação foi criada. Mas o texto não descreve o modo de criação; ele apresenta uma consequência de um raciocínio anterior. O sentido se embaralha: o leitor espera uma conclusão e recebe uma informação modal que não se sustenta.
Sempre que a banca propõe deslocar um conectivo, pergunte: qual relação ele estabelecia e essa relação se mantém na nova posição? Conectivos como “assim”, “portanto”, “contudo” têm função anafórica — remetem ao que veio antes. Tirá-los da posição inicial costuma desconectá-los do antecedente, quebrando a coesão sequencial e, por consequência, a coerência.
Aqui, a gramática até tolera a nova ordem (não há erro de regência ou concordância), mas a semântica não: o valor conclusivo se perde. Como o item exige que ambas as propriedades sejam mantidas, a resposta é Errado.
A afirmativa de que o deslocamento mantém correção e coerência é falsa. A correção gramatical até se preserva, mas a coerência se rompe: “Assim” deixa de ser conectivo conclusivo e vira advérbio de modo, alterando o sentido do trecho. O item pede que as duas coisas sejam mantidas — como uma falha, o item é Errado.
A afirmativa de que o deslocamento não mantém correção e coerência é verdadeira. O deslocamento quebra a relação conclusiva que “Assim” estabelecia com o parágrafo anterior, comprometendo a coerência textual. Portanto, o item está Errado.
A banca aposta na falsa simetria: como a frase continua gramaticalmente correta, o candidato conclui que está tudo certo. Mas o teste não é só gramatical — é semântico. Deslocar um conectivo conclusivo é como mudar a placa de “saída” para o meio da estrada: a frase até faz sentido isolada, mas não no percurso do texto.
Em questões de reescritura, sublinhe o conectivo e pergunte: que relação ele cria com o que vem antes? Se a relação mudar, a reescritura está errada, ainda que a gramática esteja intacta.
Gabarito: letra E (Errado).
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