Questão de Português — Interpretação de Textos — Quadrix 2025
- Código
- qg597822
- Banca
- Quadrix
- Órgão
- CREMESE
- Ano
- 2025
- Nível
- Médio
- Cargo
- Auxiliar Administrativo
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
Gabarito: C (Certo). O emprego do futuro do pretérito em “Ela teria informado a localização deles aos executores” cria, sim, uma ideia de incerteza — o verbo no futuro do pretérito expressa hipótese, conjectura, não um fato consumado — e essa incerteza coexiste com fundamentos que o próprio texto apresenta, como se lê no trecho em que a investigação aponta que “Ela teria informado a localização deles aos executores”, logo após descrever que a médica pediu o açaí e que a amiga alugou o carro. A assertiva está correta.
A questão pede um julgamento Certo/Errado sobre o valor semântico de um tempo verbal no contexto. Não se trata de localizar uma informação explícita (compreensão), mas de interpretar o efeito de sentido que o futuro do pretérito produz na frase. O comando exige que você saiba: (1) o que o futuro do pretérito significa fora de contexto (hipótese, incerteza, polidez, fato futuro em relação ao passado) e (2) se, no trecho, há elementos que sustentem a afirmação de que há “fundamentos” para a hipótese.
O texto narra a investigação da morte do advogado. No parágrafo final, lê-se:
“De acordo com as investigações, o advogado e o filho dele saíram na noite do crime, no dia 18 de outubro, até uma lanchonete para comprar açaí, a pedido da mulher. Ela teria informado a localização deles aos executores.”
A expressão “De acordo com as investigações” já sinaliza que o que se segue é uma versão apurada, não um fato dado como certo. O verbo “teria informado” está no futuro do pretérito composto (teria + particípio), que, nesse contexto, expressa probabilidade, suposição — o autor não afirma categoricamente que ela informou; ele apresenta isso como uma hipótese levantada pela investigação. Ao mesmo tempo, o texto traz indícios que fundamentam essa hipótese: a médica pediu o açaí (o que colocou o marido e o filho em deslocamento), a amiga alugou o carro que seguiu a vítima, e câmeras mostram a amiga e a secretária conversando com os executores antes do crime. Ou seja: há base factual para a conjectura, mas o tempo verbal mantém a dúvida.
O futuro do pretérito (simples ou composto) tem, entre seus valores, o de expressar incerteza, hipótese ou conjectura sobre fatos passados. Compare:
“Ela informou a localização” → certeza (pretérito perfeito).
“Ela teria informado a localização” → hipótese (futuro do pretérito composto).
A diferença é exatamente o que a assertiva aponta: o futuro do pretérito afasta a certeza, mas não elimina a possibilidade de que o fato tenha ocorrido — e, no texto, essa possibilidade é reforçada pelos indícios. Portanto, a afirmação de que o tempo verbal “cria uma ideia de incerteza, embora haja fundamentos para a afirmação” é fiel ao efeito de sentido.
Se alguém marcasse Errado, estaria supondo que o futuro do pretérito, por si só, nega o fato ou que não há fundamentos. Mas o texto não nega — ele relativiza. A banca não pede que você julgue se a médica é culpada; pede que reconheça o valor semântico do verbo. E esse valor é, inequivocamente, de incerteza/hipótese.
A banca explora a confusão entre “incerteza” e “falsidade”. O futuro do pretérito não diz que o fato não ocorreu; diz que não se tem certeza de que ocorreu. Quem marca Errado geralmente pensa: “se há dúvida, então não há fundamento” — mas o texto mostra exatamente o contrário: há indícios, só não há prova cabal.
Ao ver um verbo no futuro do pretérito (terminação -ria, ou “teria/haveria + particípio”), pergunte: “o autor está afirmando ou conjecturando?”. Se houver conjectura, a ideia de incerteza está presente — mesmo que o contexto traga pistas que a sustentem.
Conclusão: a assertiva está correta porque o futuro do pretérito, no trecho, expressa hipótese (incerteza) e o texto apresenta fundamentos para essa hipótese (os indícios da investigação). Gabarito: C (Certo).
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