Questão de Português — Termos integrantes da oração: Objeto direto, Objeto indireto, Complemento nominal, Agente da Passiva — Quadrix 2025
- Código
- qg597980
- Banca
- Quadrix
- Órgão
- CREMESE
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Fiscal
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
Gabarito: C (Certo). No título, “é suspeito” não é locução de voz passiva, porque “suspeito” ali é adjetivo (qualidade atribuída ao médico), e não particípio de verbo. A voz passiva analítica exige a estrutura verbo ser + particípio (ex.: “foi denunciado”), e “suspeito” não é particípio — é um adjetivo que, com o verbo “é” (verbo de ligação), forma predicativo do sujeito. A banca arma a pegadinha na aparência: “é suspeito” parece “ser + particípio”, mas a função sintática desmente.
A questão é de gramática aplicada ao texto: pede que se julgue uma afirmação sobre a estrutura sintática de um trecho do título. Não é interpretação de sentido, é análise morfossintática. O verbo do enunciado é “julgue” — você deve testar a afirmação contra a estrutura gramatical do trecho, não contra o conteúdo da notícia.
O título é: “Médico é suspeito de abuso sexual contra adolescente em unidade de saúde de Aracaju”. A oração relevante é “Médico é suspeito”. Para decidir se há voz passiva, precisamos identificar:
o verbo: é (verbo ser);
o termo seguinte: suspeito.
A pergunta é: “suspeito” é particípio (como em “foi denunciado”) ou adjetivo (como em “é inteligente”)?
A voz passiva analítica é formada por verbo auxiliar (ser, estar, ficar) + particípio do verbo principal. Exemplos: “foi denunciado”, “foi afastado”, “foi flagrado”. O particípio é uma forma nominal do verbo (terminada em -ado/-ido, ou formas irregulares como “feito”, “escrito”).
No trecho, “suspeito” não é particípio de nenhum verbo — não existe o verbo “suspetar” com particípio “suspeito”. “Suspeito” é um adjetivo (sinônimo de “possível culpado”, “indicado como autor”). Com o verbo ser (verbo de ligação), ele exerce função de predicativo do sujeito: atribui uma qualidade ao sujeito “médico”.
“Médico é suspeito de abuso sexual...”
Aqui, “é” é verbo de ligação; “suspeito” é predicativo do sujeito. Não há ação sendo sofrida pelo sujeito — há uma característica sendo atribuída. Portanto, não é voz passiva.
A banca sabe que o candidato pode confundir “ser + adjetivo” com “ser + particípio”. A forma é idêntica: verbo ser + palavra terminada em -o. Mas a função é diferente:
Estrutura | Exemplo | Função |
|---|---|---|
ser + particípio | “foi denunciado” | voz passiva analítica |
ser + adjetivo | “é suspeito” | predicativo do sujeito |
No texto, há exemplos claros de voz passiva: “foi denunciado”, “foi afastado”, “foi flagrado”. Compare: “foi denunciado” = alguém denunciou o médico (ação); “é suspeito” = o médico tem a qualidade de suspeito (estado).
A assertiva afirma: “No título, ‘é suspeito’, apesar das aparências, não é uma locução de voz passiva.” Isso está correto. A aparência engana, mas a análise sintática mostra que se trata de predicativo do sujeito, não de voz passiva.
A questão testa a distinção entre voz passiva e predicativo do sujeito. A regra de ouro: voz passiva exige particípio; se a palavra após o verbo ser for adjetivo, é predicativo. Não se deixe enganar pela forma — analise a função.
Gabarito: C (Certo).
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