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Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — Quadrix 2025

PortuguêsNoções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Código
qg599243
Banca
Quadrix
Órgão
CRMV-GO
Ano
2025
Nível
Médio
Cargo
Técnico Administrativo
        A expressão saúde pública veterinária é utilizada para designar o marco conceitual e a implementação das atividades de saúde pública que empregam conhecimentos e recursos da medicina veterinária para proteger e melhorar a saúde humana. A saúde pública veterinária vincula a agricultura, a saúde animal, a educação, o ambiente e a saúde humana.

        Por sua vez, as atividades de medicina veterinária preventiva têm seu princípio na pré‑história e continuam até o primeiro século da Era Cristã. No Código de Hamurábi, código de leis mais antigo do mundo, já havia menções a práticas de medicina veterinária entre indivíduos específicos com tais atribuições. Os primeiros esforços dirigidos contra a doença animal foram descritos nas antigas civilizações da Suméria, do Egito e da Grécia, com referências a curandeiros de animais antes da Era Cristã.

        Ao lado do tratamento médico, cirúrgico e obstétrico individual, duas outras táticas eram aplicadas localmente para o controle das enfermidades animais, antes mesmo do desenvolvimento da teoria do contágio: o emprego da quarentena (segregação dos animais doentes dos sadios) e o sacrifício de animais enfermos.

        No cenário atual, a medicina veterinária enfoca a saúde humana e o controle de qualidade dos alimentos, e há uma política muito tímida voltada à saúde dos animais domésticos. Todavia, isso deve estar na pauta das políticas, haja vista que, para muitos proprietários de animais, esses são como filhos, e as pessoas gostam de dar o tratamento adequado a seus animais. A esse respeito, as clínicas veterinárias aplicam preços vultosos, e, muitas vezes, os donos dos pets têm de escolher entre comer, pagar as contas ou levar seu bicho a uma clínica. Assim, é importante o desenvolvimento de uma medicina veterinária populacional, por meio, por exemplo, da criação, pelos governos, de um hospital veterinário gratuito, centralizado nas cidades, e que atenda a população mais pobre, que não tem condições de levar seus animais a uma clínica privada.

        Em suma, a orientação dispensada à medicina veterinária dentro da tríade formada por ambiente, animal e homem deve ser acompanhada de uma importante expansão da saúde pública veterinária.

Internet:<rsdjournal.org>  (com adaptações).
Acerca das ideias do texto, julgue o item seguinte.Infere‑se do texto a presença de elementos da ética na medicina veterinária, que compreende os princípios morais que guiam a conduta dos profissionais, garantindo o bem‑estar animal e a saúde humana.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Esta resolução diverge do gabarito oficial. A banca deu Certo; a resolução abaixo sustenta o contrário e explica por quê — ela não foi reescrita para concordar. Acontece nos dois sentidos: há gabarito que cai em recurso e há resolução que erra. Confira na fonte antes de fixar o entendimento.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Inferência sobre ética na medicina veterinária

Gabarito: ERRADO. A afirmativa extrapola o texto: ele não menciona, em nenhum momento, princípios morais, ética profissional ou bem-estar animal como categoria ética. O que o texto traz é a defesa de uma medicina veterinária populacional e a crítica aos preços altos das clínicas, mas nada sobre códigos de conduta ou valores éticos. A inferência legítima exigiria uma pista textual — e ela não existe.

O comando pede uma inferência ("Infere-se do texto"), ou seja, uma dedução ancorada em pistas do próprio texto. Inferir não é inventar: é extrair uma conclusão que o texto obriga a fazer. Aqui, a afirmativa acrescenta um conceito externo — a ética — que não está implícito em nenhuma passagem. Vejamos o que o texto realmente sustenta.

O texto trata da saúde pública veterinária e da necessidade de expandi-la, defendendo a criação de hospitais veterinários gratuitos para a população pobre. O autor menciona que "as pessoas gostam de dar o tratamento adequado a seus animais" e que "para muitos proprietários de animais, esses são como filhos", mas isso é um argumento afetivo/social, não ético. Não há referência a "princípios morais", "conduta dos profissionais" ou "bem-estar animal" como categoria ética.

A técnica para resolver: teste cada alternativa perguntando "o texto autoriza isto?". Se a resposta exigir acrescentar informação de fora (como a definição de ética), é extrapolação. A banca adora oferecer uma alternativa que parece razoável no mundo real, mas que não está no texto — e é exatamente o caso aqui.

NÃO CAIA NESSA!

A banca apela para o senso comum — "ética na medicina veterinária" soa natural e correto fora do texto, mas o autor não a menciona. A armadilha é a extrapolação com um fato verdadeiro ausente do texto.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de inferência, desconfie de alternativas que trazem conceitos prontos (como "ética", "bem-estar animal") sem que o texto os nomeie ou os pressuponha. A inferência legítima se ancora em pistas linguísticas — aqui, não há nenhuma.

Item — ❌ Errado

A afirmativa diz que "Infere-se do texto a presença de elementos da ética na medicina veterinária, que compreende os princípios morais que guiam a conduta dos profissionais, garantindo o bem-estar animal e a saúde humana".

O texto não traz nenhuma passagem que autorize essa dedução. O autor defende a expansão da saúde pública veterinária e a criação de hospitais gratuitos, mas o faz por razões sociais e afetivas, não éticas. Veja o trecho decisivo:

"há uma política muito tímida voltada à saúde dos animais domésticos. Todavia, isso deve estar na pauta das políticas, haja vista que, para muitos proprietários de animais, esses são como filhos, e as pessoas gostam de dar o tratamento adequado a seus animais."

Aqui, o argumento é o vínculo afetivo entre donos e animais — não há menção a "princípios morais" ou "conduta profissional". A palavra "ética" não aparece em nenhum parágrafo, e o texto não a pressupõe. Inferir ética seria extrapolar além das pistas.

Além disso, a afirmativa define ética como "princípios morais que guiam a conduta dos profissionais" — essa definição é um conceito externo trazido pelo examinador, não uma ideia presente no texto. O autor fala de políticas públicas, preços de clínicas e acesso da população pobre, mas nunca de códigos de conduta ou valores morais dos veterinários.

Conclusão: como a banca pediu para julgar o item, e a afirmativa não é sustentada pelo texto, o gabarito é ERRADO. A regra de ouro: inferência exige pista textual; sem pista, é extrapolação — e extrapolação é erro, ainda que a ideia pareça verdadeira no mundo real.

Gabarito: ERRADO

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