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Questão de Medicina — Endocrinologia — Quadrix 2025

MedicinaEndocrinologia
Código
qg599534
Banca
Quadrix
Órgão
CRMV-TO
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Fiscal – Médico Veterinário
Uma cadela poodle, fêmea, 8 anos de idade, castrada, foi levada à consulta com queixa de poliúria e polidipsia há 5 dias. O responsável relatou que a paciente também vem apresentando emagrecimento progressivo, apesar de manter um apetite aumentado. Ao exame físico, a paciente estava alerta, com escore corporal 3/9, EMM 2/3, mucosas normocoradas, hidratada, linfonodos sem alterações, abdômen abaulado sem sinais de dor à palpação, temperatura de 38,9 °C, auscultação cardiopulmonar sem alterações e rarefação pilosa simétrica nos flancos. No ambulatório, a glicemia resultou em 420 mg/dL e os corpos cetônicos em 0,2 mmol/L.Com base nessa situação hipotética, assinale a opção correta.
  1. AO tratamento adequado inclui insulina Lantus administrada a cada 24 horas, ração específica para diabéticos oferecida ad libitum e acompanhamento mensal com curvas glicêmicas. O diagnóstico definitivo baseia‑se apenas na hiperglicemia isolada.
  2. BO tratamento recomendado envolve a administração de insulina NPH a cada 12 horas, dieta específica para cães diabéticos fracionada em duas refeições diárias e monitoramento glicêmico frequente. O diagnóstico definitivo inclui hiperglicemia e glicosúria.
  3. CO tratamento consiste na introdução de hipoglicemiantes orais, uma vez que os valores glicêmicos ainda estão dentro de uma faixa controlável. O diagnóstico definitivo baseia‑se apenas na glicemia de jejum.
  4. DA paciente apresenta um quadro compatível com hipercortisolismo, devendo ser iniciado o uso de trilostano antes de qualquer outra conduta terapêutica.
  5. EO caso sugere a presença de resistência insulínica secundária a hiperadrenocorticismo, sendo indicado iniciar o tratamento com mitotano antes de qualquer ajuste glicêmico.
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GabaritoB — O tratamento recomendado envolve a administração de insulina NPH a cada 12 horas, dieta específica para cães diabéticos fracionada em duas refeições diárias e monitoramento glicêmico frequente. O diagnóstico definitivo inclui hiperglicemia e glicosúria.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Diabetes mellitus em cães: diagnóstico e tratamento

Gabarito: letra B. A cadela apresenta quadro clássico de diabetes mellitus (DM) — poliúria, polidipsia, polifagia, emagrecimento e glicemia de 420 mg/dL — e o tratamento de escolha é a insulinoterapia com NPH a cada 12 horas, associada a dieta específica fracionada e monitoramento glicêmico frequente. O diagnóstico definitivo, conforme a literatura veterinária, baseia-se na presença de hiperglicemia persistente E glicosúria, não apenas na glicemia isolada.

O diabetes mellitus é uma endocrinopatia comum em cães, caracterizada por hiperglicemia crônica decorrente de deficiência absoluta (DM tipo 1, o mais comum em cães) ou relativa (DM tipo 2, raro) de insulina. No cão, mais de 90% dos casos são do tipo 1, com destruição das células beta pancreáticas, levando à necessidade absoluta de insulinoterapia exógena. Os sinais clínicos clássicos — poliúria, polidipsia, polifagia e perda de peso — resultam da diurese osmótica causada pela glicosúria quando a glicemia ultrapassa o limiar renal (em torno de 180–220 mg/dL no cão). A glicemia de 420 mg/dL, os corpos cetônicos baixos (0,2 mmol/L) e o escore corporal 3/9 confirmam o quadro de DM não cetótico, sem cetoacidose.

O diagnóstico definitivo de DM em cães não se baseia apenas na hiperglicemia isolada, pois o estresse pode elevar transitoriamente a glicemia (hiperglicemia de estresse). A confirmação exige a demonstração de hiperglicemia persistente (glicemia de jejum > 200 mg/dL ou glicemia aleatória > 250 mg/dL) associada à glicosúria. A glicosúria é um achado essencial porque indica que a glicemia ultrapassou o limiar renal, confirmando a relevância clínica da hiperglicemia. Na prática, a combinação de sinais clínicos compatíveis + hiperglicemia + glicosúria é suficiente para o diagnóstico, sem necessidade de dosagem de frutosamina ou HbA1c na maioria dos casos.

O tratamento do DM canino envolve três pilares: insulinoterapia, dieta e monitoramento. A insulina NPH (intermediária) é a escolha inicial na maioria dos cães, administrada a cada 12 horas, por ser de ação intermediária e se adequar bem ao perfil glicêmico canino. A insulina glargina (Lantus) é uma insulina de ação prolongada, mais utilizada em gatos, pois em cães seu perfil de ação pode ser menos previsível. A dieta deve ser específica para diabéticos, rica em fibras solúveis e carboidratos complexos, fracionada em duas refeições diárias, idealmente sincronizadas com os picos de ação da insulina. O monitoramento glicêmico frequente (curvas glicêmicas seriadas) é fundamental para ajuste da dose e avaliação da resposta terapêutica.

A alternativa D e E mencionam hiperadrenocorticismo (HAC) como diagnóstico alternativo. Embora o HAC possa causar hiperglicemia e resistência insulínica, o quadro apresentado — poliúria, polidipsia, polifagia, emagrecimento e glicemia de 420 mg/dL — é muito mais sugestivo de DM primário. A rarefação pilosa simétrica nos flancos é um achado compatível com HAC, mas não é patognomônica e pode ocorrer em outras endocrinopatias. Além disso, a glicemia de 420 mg/dL é elevada demais para ser explicada apenas por resistência insulínica secundária ao HAC sem DM concomitante. O tratamento do HAC (trilostano ou mitotano) não deve ser iniciado antes da estabilização glicêmica, pois a hiperglicemia grave requer insulinoterapia imediata.

A alternativa C sugere hipoglicemiantes orais, o que é incorreto para cães com DM tipo 1, pois há deficiência absoluta de insulina e os hipoglicemiantes orais (como glibenclamida) são ineficazes. A alternativa A menciona insulina Lantus a cada 24 horas, que não é a escolha ideal para cães, e afirma que o diagnóstico se baseia apenas na hiperglicemia isolada, o que é incorreto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre insulina NPH e glargina (Lantus). Em cães, a NPH a cada 12 horas é o padrão-ouro; a glargina é mais usada em gatos. Além disso, o diagnóstico definitivo exige hiperglicemia + glicosúria, não apenas a glicemia isolada — a hiperglicemia isolada pode ser de estresse.

Critério

Alternativa A

Alternativa B (Gabarito)

Alternativa C

Alternativa D

Alternativa E

Insulina/tratamento

Lantus (glargina) a cada 24h

NPH a cada 12h

Hipoglicemiantes orais

Trilostano (para HAC)

Mitotano (para HAC)

Dieta

Ração ad libitum

Fracionada em 2 refeições

Diagnóstico

Apenas hiperglicemia isolada

Hiperglicemia + glicosúria

Apenas glicemia de jejum

Hipercortisolismo

Resistência insulínica por HAC

Conduta inicial

Monitoramento mensal

Monitoramento glicêmico frequente

Tratar HAC antes de tudo

Tratar HAC antes de tudo

1Hiperglicemia persistente
2Glicosúria
3Sinais clínicos (PU/PD/PP)
4Tratamento
Insulina NPH (12/12h)
Dieta fracionada
Monitoramento glicêmico
5Distratores
Lantus (gatos)
Hipoglicemiantes orais (ineficazes)
HAC (não precede insulina)
Diagnóstico de DM canino
LEVELsoulevel.com.br
Diagnóstico de DM canino: Hiperglicemia persistente; Glicosúria; Sinais clínicos (PU/PD/PP); Tratamento (Insulina NPH (12/12h), Dieta fracionada, Monitoramento glicêmico); Distratores (Lantus (gatos), Hipoglicemiantes orais (ineficazes), HAC (não precede insulina))

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erra ao indicar insulina Lantus (glargina) a cada 24 horas como tratamento inicial. Em cães, a insulina de escolha é a NPH a cada 12 horas; a glargina tem perfil de ação mais prolongado e é preferida em gatos. Além disso, afirma que o diagnóstico se baseia apenas na hiperglicemia isolada, o que é falso — é necessária a glicosúria associada.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta ao indicar insulina NPH a cada 12 horas, dieta específica fracionada em duas refeições e monitoramento glicêmico frequente. O diagnóstico definitivo inclui hiperglicemia e glicosúria, conforme a literatura veterinária. A combinação de sinais clínicos + hiperglicemia + glicosúria é o padrão diagnóstico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erra ao sugerir hipoglicemiantes orais. Em cães, o DM é predominantemente tipo 1, com deficiência absoluta de insulina, tornando os hipoglicemiantes orais ineficazes. Além disso, a glicemia de 420 mg/dL não está em faixa controlável — é francamente elevada e exige insulinoterapia. O diagnóstico também não se baseia apenas na glicemia de jejum.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erra ao diagnosticar hipercortisolismo e indicar trilostano antes de qualquer outra conduta. Embora a rarefação pilosa simétrica possa sugerir HAC, o quadro clínico (poliúria, polidipsia, polifagia, emagrecimento, glicemia 420 mg/dL) é muito mais compatível com DM primário. A hiperglicemia grave exige insulinoterapia imediata, não tratamento do HAC.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erra ao sugerir resistência insulínica secundária a HAC e indicar mitotano antes de qualquer ajuste glicêmico. A glicemia de 420 mg/dL é elevada demais para ser explicada apenas por resistência insulínica sem DM concomitante. O tratamento do HAC não deve preceder a estabilização glicêmica com insulina.

Gabarito: letra B

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