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Questão de Português — Uso dos conectivos — Quadrix 2025

PortuguêsUso dos conectivos
Código
qg601176
Banca
Quadrix
Órgão
CRP - 16ª Região (ES)
Ano
2025
Nível
Médio
Cargo
Assistente Administrativo
        O cérebro humano, assim como o restante do organismo, é formado por bilhões de células. Cada tipo de célula tem uma função específica, mas todas elas são perfeitamente sincronizadas e conectadas. É possível comparar o cérebro com um daqueles relógios antigos com centenas de engrenagens trabalhando em uníssono para fornecer a hora certa. O nosso cérebro é composto de duas metades, ou hemisférios cerebrais. Mas, ao contrário do que pode parecer, não se trata de duas estruturas isoladas e independentes.

        Os dois hemisférios são extraordinariamente conectados por uma espécie de “cabeamento” que faz a comunicação entre eles. Trata‑se do corpo caloso, formado por mais de 200 milhões de fibras nervosas que levam informações de um hemisfério para o outro. Esta organização permite realizar e coordenar todas as funções próprias do sistema nervoso. E, para isso, os hemisférios dividem o seu trabalho.

        É neste ponto que começa o mito de que o cérebro é dividido em duas metades e que, dependendo do lado que mais usarmos, teremos esta ou aquela habilidade. É a chamada teoria do hemisfério dominante. De acordo com essa teoria, se você for bom em matemática, linguagem ou lógica, por exemplo, é porque o seu hemisfério esquerdo é o dominante. E, se você for uma pessoa artística, com vocação para a pintura ou a música, o hemisfério dominante é o direito.

        Esta teoria classifica erroneamente as pessoas em dois tipos: as objetivas, racionais e analíticas, de um lado; e as passionais, sonhadoras e criativas, de outro. Na verdade, não existe um hemisfério dominante. Há inúmeros estudos neste campo da ciência. Os resultados das análises deixam claro que todos nós usamos os dois hemisférios igualmente, embora a atividade registrada em cada um deles dependa “do que estivermos fazendo”. Os estudos também demonstraram que o lado do cérebro utilizado para uma determinada atividade pode não ser o mesmo para todas as pessoas e, ainda, que há variações entre os indivíduos em relação a qual área ou metade do cérebro é empregada para uma ação específica.

        Apesar dos inúmeros estudos existentes sobre o tema, o mito do hemisfério dominante ainda está muito presente hoje em dia. Isso se deve, em parte, porque ainda existem muitos aspectos desconhecidos sobre o funcionamento do cérebro humano.

Internet:<bbc.com>  (com adaptações).
De acordo com a estrutura linguística e vocabular do texto, julgue o item a seguir.A conjunção “mas”, no período “Cada tipo de célula tem uma função específica, mas todas elas são perfeitamente sincronizadas e conectadas.”, exprime a ideia de oposição que há entre a ideia de especificidade de cada célula e o fato de as células trabalharem de forma síncrona e interconectada.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Valor semântico da conjunção "mas" no texto

Gabarito: C (Certo). A afirmação está correta: a conjunção "mas" no trecho citado exprime, de fato, oposição entre a ideia de que cada célula tem função específica e o fato de todas serem sincronizadas e conectadas. Como se lê no texto:

"Cada tipo de célula tem uma função específica, mas todas elas são perfeitamente sincronizadas e conectadas."

A conjunção "mas" é uma conjunção coordenativa adversativa, e seu papel é justamente introduzir uma quebra de expectativa ou contraste em relação ao que foi dito antes. Aqui, o contraste está entre a especificidade (cada célula com sua função própria) e a integração (todas trabalhando em conjunto). Não há contradição lógica, mas há uma oposição de ideias: a especificidade poderia sugerir isolamento, mas o texto afirma que há sincronia e conexão.

O comando

A questão pede que se julgue a afirmação "de acordo com a estrutura linguística e vocabular do texto". Isso significa que a resposta deve ser ancorada no sentido que a conjunção "mas" assume no contexto específico do período, e não em uma definição genérica de dicionário. O comando é de compreensão (o que o texto diz), mas exige também análise gramatical do valor do conectivo.

A técnica

Para resolver, basta identificar a relação semântica que a conjunção "mas" estabelece entre as duas orações. A conjunção "mas" é tipicamente adversativa, ou seja, indica oposição, contraste ou ressalva. No período em questão:

  • 1ª oração: "Cada tipo de célula tem uma função específica" — ideia de individualidade.

  • 2ª oração: "todas elas são perfeitamente sincronizadas e conectadas" — ideia de coletividade/integração.

O "mas" sinaliza que, apesar de cada célula ter função própria, elas não agem isoladamente; há uma relação de contraste entre a especificidade e a sincronia. Essa é exatamente a leitura que a afirmação propõe.

Por que as demais interpretações falham

Se alguém lesse o "mas" como mera adição (equivalente a "e"), perderia o contraste que o autor estabelece. O texto não diz apenas que as células têm função específica e são sincronizadas; ele diz que, apesar de serem específicas, são sincronizadas — há uma ressalva que só o "mas" (ou outro adversativo como "porém", "contudo") consegue expressar. A banca explora exatamente esse valor semântico.

Conclusão

A afirmação está correta porque descreve com precisão o valor da conjunção "mas" no contexto: ela marca a oposição entre a especificidade de cada célula e a sincronia/conexão entre todas. Não há qualquer extrapolação ou erro de interpretação.

Conjunção "mas"
  • 1Coordenativa adversativa
    • Oposição
    • Contraste
    • Ressalva
  • 2No texto
    • 1ª oração: função específica (individualidade)
    • 2ª oração: sincronizadas e conectadas (integração)
    • Quebra de expectativa
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PEGA ESSA DICA!

Ao julgar itens sobre conectivos, pergunte-se: "que relação lógica o conectivo estabelece entre as ideias?" Se houver contraste, quebra de expectativa ou ressalva, o valor é adversativo — e "mas" é o exemplo clássico.

Gabarito: letra C (Certo).

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