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Questão de Medicina — Medicina Intensiva — Quadrix 2025

MedicinaMedicina Intensiva
Código
qg602090
Banca
Quadrix
Órgão
FMJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Especialidades com Pré-Requisito em Clínica Médica
Paciente masculino, 65 anos de idade, com dispneia aguda e hipotensão, é avaliado no pronto‑socorro. O exame físico sugere estado de hipoperfusão tecidual, mas a etiologia permanece incerta. O POCUS revela veia cava inferior colabada, ausência de líquido livre abdominal, pulmões sem linhas B ou consolidações, e coração com contratilidade global preservada, sem derrame pericárdico.Com base nesse caso clínico hipotético, assinale a opção que contempla a hipótese diagnóstica mais provável.
  1. Achoque cardiogênico por infarto agudo do miocárdio
  2. Bchoque obstrutivo por tamponamento cardíaco
  3. Cchoque hipovolêmico por hemorragia interna
  4. Dchoque distributivo por sepse
  5. Echoque obstrutivo por embolia pulmonar
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GabaritoD — choque distributivo por sepse

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Choque: diagnóstico diferencial com POCUS

Gabarito: letra D. O quadro descrito — veia cava inferior colabada, pulmões limpos, contratilidade cardíaca preservada e ausência de líquido livre — aponta para um choque distributivo, sendo a sepse a causa mais provável. O POCUS afasta as demais hipóteses: não há sinais de congestão pulmonar (linhas B), derrame pericárdico, hipocinesia global ou hemorragia interna, o que direciona o raciocínio para a vasodilatação periférica característica do choque séptico.

O choque é a expressão clínica da hipoperfusão tecidual, ou seja, a incapacidade do sistema circulatório de suprir as demandas celulares de oxigênio. O diagnóstico é sindrômico e se baseia em critérios clínicos, hemodinâmicos e laboratoriais. Quatro mecanismos fisiopatológicos são classicamente descritos: distributivo, cardiogênico, hipovolêmico e obstrutivo. Cada um tem etiologias próprias e, na prática, podem coexistir, mas a identificação do mecanismo predominante é essencial para guiar a terapêutica imediata.

O POCUS (point-of-care ultrasonography) é uma ferramenta decisiva na avaliação do paciente com choque no departamento de emergência. Ele permite, à beira do leito, avaliar a função cardíaca, a volemia (pela análise da veia cava inferior), a presença de derrame pericárdico, líquido livre abdominal e alterações pulmonares como linhas B (indicativas de congestão) e consolidações. No caso, os achados são altamente sugestivos de um mecanismo específico:

  • VCI colabada: indica hipovolemia ou baixa pressão de enchimento do lado direito, presente tanto no choque hipovolêmico quanto no distributivo.

  • Pulmões limpos (sem linhas B ou consolidações): afasta congestão pulmonar (edema agudo de pulmão) e pneumonia como causa primária.

  • Coração com contratilidade global preservada e sem derrame pericárdico: afasta choque cardiogênico por disfunção sistólica e tamponamento cardíaco.

  • Ausência de líquido livre abdominal: afasta hemorragia interna como causa de choque hipovolêmico.

A combinação desses achados, em um paciente com dispneia e hipotensão, sem sinais de congestão ou disfunção cardíaca, aponta fortemente para um estado de vasodilatação periférica — o mecanismo central do choque distributivo. A sepse é a causa mais comum desse tipo de choque, especialmente em pacientes idosos, mesmo na ausência de um foco infeccioso evidente no exame inicial. A dispneia pode ser consequência da hipoperfusão e da acidose metabólica, e não de uma doença pulmonar primária.

A distinção entre os mecanismos de choque é o ponto central da questão. O erro mais comum é atribuir a hipotensão a uma causa cardíaca ou obstrutiva sem considerar o quadro como um todo. O POCUS, nesse contexto, funciona como um "divisor de águas": ele exclui as causas mecânicas e direciona o raciocínio para o mecanismo distributivo. Guarde essa lógica: VCI colabada + pulmão limpo + coração hiperdinâmico = choque distributivo até prova em contrário.

Choque: mecanismos
  • 1Distributivo
    • Vasodilatação periférica
    • VCI colabada
    • Pulmão limpo
    • Coração hiperdinâmico
    • Sepse (causa comum)
  • 2Cardiogênico
    • Hipocinesia global/segmentar
    • Linhas B (congestão)
  • 3Hipovolêmico
    • Líquido livre abdominal
    • VCI colabada
  • 4Obstrutivo
    • Tamponamento: derrame pericárdico
    • TEP: VD dilatado/hipocinético
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O choque cardiogênico por infarto agudo do miocárdio (IAM) cursaria com disfunção sistólica, refletida no POCUS como hipocinesia global ou segmentar do ventrículo esquerdo. O enunciado afirma que a contratilidade está preservada, o que praticamente exclui essa hipótese. Além disso, o padrão pulmonar seria de congestão (linhas B) devido à elevação das pressões de enchimento, o que também não está presente.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O tamponamento cardíaco é uma causa de choque obstrutivo. No POCUS, seria identificado derrame pericárdico com sinais de comprometimento do enchimento diastólico (colapso diastólico do átrio direito, por exemplo). O enunciado é explícito ao afirmar que não há derrame pericárdico, o que afasta essa hipótese de forma categórica.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O choque hipovolêmico por hemorragia interna cursaria com líquido livre na cavidade abdominal (hemoperitônio), detectável pelo POCUS. A ausência desse achado, somada à contratilidade preservada e aos pulmões limpos, torna essa hipótese improvável. A VCI colabada é compatível com hipovolemia, mas a ausência de sangramento ativo e o quadro clínico como um todo apontam para outra direção.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O choque distributivo por sepse é a hipótese mais provável. A fisiopatologia envolve vasodilatação periférica e aumento da permeabilidade capilar, levando à hipovolemia relativa (VCI colabada) e à hipoperfusão tecidual, sem disfunção cardíaca primária. O POCUS mostra um coração hiperdinâmico (contratilidade preservada) e pulmões limpos, o que é típico da fase inicial do choque séptico. A dispneia pode ser manifestação da acidose metabólica e do aumento do trabalho respiratório, e não de doença pulmonar.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A embolia pulmonar (EP) como causa de choque obstrutivo cursaria com dilatação do ventrículo direito e sinais de sobrecarga aguda, frequentemente com septo interventricular paradoxal. O POCUS poderia mostrar um VD dilatado e hipocinético, além de possível trombose em trânsito. O enunciado não menciona esses achados e descreve contratilidade global preservada, o que torna a EP uma hipótese menos provável. Além disso, a ausência de linhas B não exclui EP, mas o padrão descrito é mais compatível com choque distributivo.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os mecanismos de choque. O candidato pode ser tentado a escolher uma causa obstrutiva (EP) ou cardiogênica (IAM) pela presença de dispneia e hipotensão, mas o POCUS foi desenhado para afastar exatamente essas hipóteses. A chave é correlacionar cada achado do ultrassom com o mecanismo fisiopatológico: VCI colabada + pulmão limpo + coração preservado = vasodilatação periférica (choque distributivo).

PEGA ESSA DICA!

Na prova, monte um fluxograma mental para o choque com POCUS: 1) Avalie o coração (contratilidade, derrame pericárdico) → afasta cardiogênico e tamponamento; 2) Avalie a VCI (colabada × distendida) → sugere hipovolemia ou distributivo; 3) Avalie os pulmões (linhas B, consolidações) → afasta congestão e pneumonia; 4) Avalie o abdome (líquido livre) → afasta hemorragia. Com esse roteiro, a resposta sai de forma lógica e rápida.

Gabarito: letra D

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