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Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — Quadrix 2025

MedicinaFarmacologia e Anestesiologia
Código
qg602101
Banca
Quadrix
Órgão
FMJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Especialidades com Pré-Requisito em Clínica Médica
Um homem de 79 anos de idade com doença de Parkinson e psicose recebe risperidona para tratar alucinações. Ele desenvolve piora do parkinsonismo. De acordo com os Critérios de Beers, assinale a opção que contempla o antipsicótico preferido nesse cenário.
  1. ARisperidona
  2. BOlanzapina
  3. CHaloperidol
  4. DAripiprazol
  5. EQuetiapina
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GabaritoE — Quetiapina

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Antipsicóticos na Doença de Parkinson: Manejo da Psicose

Gabarito: letra E. Na psicose associada à doença de Parkinson (DP), a quetiapina é o antipsicótico preferido, pois apresenta menor risco de piora do parkinsonismo em comparação com risperidona, olanzapina, haloperidol e aripiprazol. Embora a clozapina tenha a melhor evidência de eficácia, a quetiapina é frequentemente a escolha prática inicial devido ao seu perfil de segurança mais favorável em relação aos efeitos extrapiramidais, conforme discutido nos Critérios de Beers e nas diretrizes de manejo da DP.

A doença de Parkinson é um distúrbio neurodegenerativo caracterizado pela perda de neurônios dopaminérgicos na substância negra, resultando em sintomas motores como tremor, rigidez e bradicinesia. A psicose, manifestada por alucinações e delírios, é uma complicação comum e grave, especialmente em estágios avançados da doença. O desafio terapêutico reside no fato de que os antipsicóticos, ao bloquearem os receptores de dopamina (especialmente D2), podem exacerbar os sintomas motores do parkinsonismo. Por isso, a escolha do antipsicótico nesse cenário é crítica e deve equilibrar o controle dos sintomas psicóticos com a minimização dos efeitos adversos motores.

Os antipsicóticos são classificados em típicos (ou de primeira geração) e atípicos (ou de segunda geração). Os típicos, como o haloperidol, são potentes antagonistas dos receptores D2 e estão fortemente associados a efeitos extrapiramidais, incluindo o parkinsonismo. Os atípicos, como a risperidona, olanzapina, quetiapina e aripiprazol, têm menor afinidade por esses receptores e, portanto, um perfil de efeitos extrapiramidais reduzido. No entanto, mesmo entre os atípicos, há diferenças significativas. A risperidona e a olanzapina, por exemplo, ainda podem causar parkinsonismo, especialmente em doses mais altas. O aripiprazol, por ser um agonista parcial dos receptores D2, também pode exacerbar os sintomas motores. A quetiapina, por sua vez, tem uma afinidade relativamente baixa e transitória pelos receptores D2, o que a torna a opção mais segura em relação aos efeitos extrapiramidais, sendo a preferida em pacientes com DP. A clozapina, embora seja a mais eficaz, exige monitoramento hematológico rigoroso devido ao risco de agranulocitose, o que limita seu uso como primeira linha.

Na prática, o manejo da psicose na DP começa com a otimização da terapia dopaminérgica, reduzindo ou suspendendo medicamentos que possam contribuir para os sintomas psicóticos, como anticolinérgicos, amantadina e agonistas dopaminérgicos. Se os sintomas persistirem, a quetiapina é geralmente iniciada em doses baixas e titulada lentamente. A clozapina é reservada para casos refratários ou quando a quetiapina não é tolerada ou eficaz. Essa abordagem é corroborada por diretrizes e pelos Critérios de Beers, que recomendam evitar antipsicóticos com alto potencial de efeitos extrapiramidais em idosos, especialmente naqueles com DP.

A pegadinha desta questão está em reconhecer que, embora a clozapina seja o antipsicótico com melhor evidência de eficácia na psicose da DP, a quetiapina é a opção preferida na prática clínica e nos Critérios de Beers, devido ao seu perfil de segurança mais favorável. O candidato pode ser tentado a escolher a clozapina, mas ela não está entre as alternativas, e a quetiapina é a resposta correta por ser a alternativa mais segura e comumente recomendada. A distinção crucial é entre eficácia e segurança: a clozapina é mais eficaz, mas a quetiapina é mais segura e, portanto, preferida como primeira linha.

Antipsicóticos na psicose da DP
  • 1Típicos (alta afinidade D2)
    • Haloperidol (piora intensa)
  • 2Atípicos
    • Risperidona (risco de piora)
    • Olanzapina (risco de piora)
    • Aripiprazol (agonista parcial, piora)
    • Quetiapina (preferida — baixa afinidade D2)
    • Clozapina (mais eficaz, mas monitoramento)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A risperidona é um antipsicótico atípico que, embora tenha menor afinidade por receptores D2 do que os típicos, ainda pode causar efeitos extrapiramidais significativos, incluindo piora do parkinsonismo. No paciente com DP, o uso de risperidona está associado a um risco aumentado de exacerbação dos sintomas motores, tornando-a uma opção inadequada. Os Critérios de Beers e as diretrizes de manejo da DP recomendam evitar a risperidona nesse cenário, preferindo antipsicóticos com menor potencial de efeitos extrapiramidais, como a quetiapina.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A olanzapina, assim como a risperidona, é um antipsicótico atípico que pode causar efeitos extrapiramidais, embora em menor grau do que os típicos. No entanto, em pacientes com DP, a olanzapina ainda apresenta um risco considerável de piora do parkinsonismo, especialmente em doses mais altas. Por isso, não é a opção preferida nesse cenário. A quetiapina, com seu perfil de segurança mais favorável, é a escolha recomendada.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O haloperidol é um antipsicótico típico de alta potência, com forte afinidade pelos receptores D2. Seu uso em pacientes com DP é contraindicado, pois exacerba intensamente o parkinsonismo, podendo levar a uma piora significativa dos sintomas motores. Os Critérios de Beers e as diretrizes de manejo da DP recomendam evitar completamente o haloperidol nesse cenário, optando por antipsicóticos atípicos com menor potencial de efeitos extrapiramidais.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O aripiprazol é um antipsicótico atípico que atua como agonista parcial dos receptores D2. Embora tenha um mecanismo de ação diferente, ele ainda pode exacerbar o parkinsonismo em pacientes com DP, especialmente em doses mais altas. Por isso, não é a opção preferida nesse cenário. A quetiapina, com seu perfil de segurança mais favorável, é a escolha recomendada.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A quetiapina é o antipsicótico preferido na psicose associada à doença de Parkinson, pois apresenta menor risco de piora do parkinsonismo em comparação com os outros antipsicóticos listados. Sua baixa afinidade pelos receptores D2 e sua rápida dissociação desses receptores resultam em um perfil de efeitos extrapiramidais muito mais favorável. Embora a clozapina tenha melhor evidência de eficácia, a quetiapina é frequentemente a escolha inicial devido à sua segurança e à ausência da necessidade de monitoramento hematológico rigoroso. Os Critérios de Beers e as diretrizes de manejo da DP recomendam a quetiapina como a opção preferida nesse cenário.

Gabarito: letra E

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