Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — Quadrix 2025
Medicina›Clínica Médica Humana
Código
qg602120
Banca
Quadrix
Órgão
FMJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Especialidades com Pré-Requisito em Clínica Médica
Um homem de 29 anos de idade e recém‑diagnosticado com HIV (CD4 25) apresentou‑se com febre, dor de cabeça e fotofobia. A análise de LCR evidenciou pleocitose linfocítica, aumento de proteínas e glicose consumida. A RNM de crânio apontou realce leptomeningeo das cisternas da base.A partir desse caso clínico hipotético, assinale a opção com a hipótese diagnóstica adequada.
Ameningite viral
Bmeningite fúngica
Clinfoma de sistema nervoso central
Dneurotuberculose
Eneurotoxoplasmose
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GabaritoD — neurotuberculose
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Neurotuberculose em paciente com HIV/AIDS
Gabarito: letra D. O quadro clínico — febre, cefaleia, fotofobia em paciente com HIV e CD4 25 — associado ao LCR com pleocitose linfocítica, hiperproteinorraquia e hipoglicorraquia, e à RNM com realce leptomeníngeo das cisternas da base, é clássico de neurotuberculose. A tríade laboratorial (linfocitose + proteína alta + glicose baixa) e o padrão radiológico de envolvimento da base do crânio são os achados que fecham o diagnóstico.
A neurotuberculose é uma das principais causas de meningite crônica em pacientes com imunossupressão avançada, especialmente naqueles com contagem de CD4 muito baixa, como no caso (CD4 25). O Mycobacterium tuberculosis atinge o sistema nervoso central por disseminação hematogênica, formando pequenos focos caseosos no parênquima ou nas meninges (tubérculos de Rich). A ruptura desses focos no espaço subaracnóideo desencadeia a reação inflamatória meníngea, que se concentra preferencialmente na base do crânio — daí o realce leptomeníngeo das cisternas basais observado na RNM. Essa inflamação basal é responsável pelas complicações clássicas da doença: hidrocefalia, vasculite com infartos e paresias de nervos cranianos.
O LCR é o exame-chave. Na neurotuberculose, espera-se:
Pleocitose linfocítica (predomínio de linfócitos, geralmente > 100 células/mm³);
Hiperproteinorraquia (proteínas elevadas, reflexo da inflamação e do bloqueio da circulação liquórica);
Hipoglicorraquia (glicose baixa, pois o bacilo e as células inflamatórias consomem glicose do LCR).
Essa tríade é o padrão clássico das meningites crônicas — tuberculose, criptococose e carcinomatose meníngea — e a diferenciação entre elas se faz pela epidemiologia, pela apresentação clínica e pelos exames específicos (tinta da China, cultura, PCR).
A banca explora exatamente a confusão entre as meningites crônicas e as lesões expansivas do SNC no paciente com AIDS. Enquanto a neurotuberculose e a neurocriptococose cursam com meningite (LCR alterado), a neurotoxoplasmose e o linfoma primário do SNC cursam com lesões focais em efeito de massa (déficits focais, convulsões) e LCR geralmente pouco alterado. O dado do LCR com glicose consumida é o divisor de águas: ele praticamente exclui as lesões expansivas e aponta para uma meningite crônica.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca a neurotuberculose pela meningite fúngica (criptococose) e pela meningite viral. A pegadinha está na glicose: na criptococose, a glicorraquia costuma estar normal ou pouco diminuída, enquanto na neurotuberculose ela está francamente consumida. Já na meningite viral, o LCR típico tem glicose normal e pleocitose linfocítica — sem hipoglicorraquia. O realce das cisternas da base é o achado radiológico que fecha a neurotuberculose e não é descrito na criptococose (que costuma ter hidrocefalia ou lesões tipo "bolhas de sabão").
Meningites crônicas no HIV/AIDS
1Neurotuberculose (gabarito)
LCR: linfocitose + proteína alta + glicose baixa
RNM: realce das cisternas da base
2Neurocriptococose (fúngica)
LCR: glicose normal ou pouco baixa
RNM: hidrocefalia / "bolhas de sabão"
3Meningite viral
LCR: glicose normal
Sem realce de cisternas
4Lesões expansivas (não meningite)
Neurotoxoplasmose: lesões anelares, déficit focal
Linfoma SNC: lesões periventriculares
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A meningite viral (asséptica) cursa com pleocitose linfocítica e proteínas normais ou discretamente elevadas, mas a glicose do LCR é normal — a hipoglicorraquia não faz parte do padrão viral. Além disso, o realce leptomeníngeo das cisternas da base é um achado de meningite crônica granulomatosa, não de meningite viral aguda. O paciente tem CD4 25, o que torna a neurotuberculose muito mais provável.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A meningite fúngica mais comum no HIV/AIDS é a neurocriptococose. Embora também seja uma meningite crônica com pleocitose linfocítica e hiperproteinorraquia, a glicorraquia costuma estar normal ou pouco diminuída — não francamente consumida como no caso. Além disso, o realce das cisternas da base é típico da tuberculose, não da criptococose, que costuma cursar com hidrocefalia ou lesões parenquimatosas tipo "bolhas de sabão". A confirmação seria pela tinta da China ou pesquisa de antígeno criptocócico no LCR.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O linfoma primário do SNC (LPSNC) é uma lesão expansiva que se apresenta com déficits focais, convulsões e alterações de comportamento — não com quadro meníngeo agudo. O LCR pode ser inespecífico ou até normal, e a RNM mostra lesões captantes de contraste, geralmente periventriculares, não realce leptomeníngeo das cisternas da base. A hipoglicorraquia não é característica do linfoma.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A neurotuberculose é a hipótese que reúne todos os achados: paciente com imunossupressão avançada (CD4 25), quadro subagudo de febre, cefaleia e fotofobia, LCR com pleocitose linfocítica, hiperproteinorraquia e hipoglicorraquia, e RNM com realce leptomeníngeo das cisternas da base. Esse padrão radiológico é praticamente patognomônico da meningite tuberculosa, que acomete preferencialmente a base do crânio. O diagnóstico é clínico-laboratorial e deve ser iniciado empiricamente diante da suspeita, pois o atraso no tratamento aumenta a mortalidade.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A neurotoxoplasmose é a principal causa de lesão expansiva do SNC no HIV/AIDS, mas se apresenta com déficits focais, convulsões e lesões múltiplas com realce anelar e edema perilesional na RNM — não com quadro meníngeo. O LCR é geralmente inespecífico, sem a tríade de meningite crônica. A hipoglicorraquia e o realce das cisternas da base não são características da toxoplasmose cerebral.