Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — Quadrix 2025
Medicina›Clínica Médica Humana
Código
qg602125
Banca
Quadrix
Órgão
FMJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Especialidades com Pré-Requisito em Clínica Médica
Um paciente de 67 anos de idade, diabético e hipertenso, dirigiu‑se ao pronto‑socorro com quadro de tosse, febre, dispneia e mal‑estar há 2 dias. Foram negados sintomas gripais, internações recentes ou uso de antibiótico no último ano.Com base nesse caso clínico hipotético, assinale a opção adequada.
AA coloração de Gram e a cultura do escarro devem ser realizadas em todos os pacientes ambulatoriais com suspeita de pneumonia adquirida na comunidade para orientar a terapia inicial.
BA radiografia de tórax é necessária, para ser confirmado o diagnóstico de pneumonia adquirida na comunidade em adultos com sintomas e achados físicos compatíveis.
COs níveis de procalcitonina são definitivos para distinguir pneumonia adquirida na comunidade bacteriana de viral e devem ser usados para orientar o início dos antibióticos em todos os casos.
DA terapia antibiótica empírica deve ser adiada até que o agente etiológico seja identificado por testes microbiológicos.
EO diagnóstico de pneumonia adquirida na comunidade pode ser estabelecido de forma confiável apenas pelo julgamento clínico, sem necessidade de exames de imagem ou laboratoriais.
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GabaritoB — A radiografia de tórax é necessária, para ser confirmado o diagnóstico de pneumonia adquirida na comunidade em adultos com sintomas e achados físicos compatíveis.
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Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC): Diagnóstico e Conduta Inicial
Gabarito: letra B. O diagnóstico de pneumonia adquirida na comunidade (PAC) em adultos com sintomas e achados físicos compatíveis exige a confirmação por radiografia de tórax, que é o exame de imagem inicial de escolha. As demais alternativas apresentam condutas incorretas ou afirmações exageradas sobre o papel de exames complementares, como Gram, cultura, procalcitonina e testes microbiológicos, que não são obrigatórios para todos os pacientes ambulatoriais.
A pneumonia adquirida na comunidade é uma infecção aguda do parênquima pulmonar que ocorre em pacientes que não estiveram hospitalizados nos últimos 14 dias. O diagnóstico é fundamentalmente clínico-radiológico: a suspeita surge com sintomas como tosse, febre, dispneia e achados ao exame físico (estertores creptantes, broncofonia), mas a confirmação depende da demonstração de um infiltrado pulmonar novo na radiografia de tórax. Essa exigência existe porque outras condições — como bronquite aguda, insuficiência cardíaca congestiva, tromboembolismo pulmonar e neoplasias — podem mimetizar o quadro clínico, e o tratamento antibiótico empírico só está indicado quando há pneumonia confirmada.
A radiografia de tórax, portanto, não é um exame opcional: ela é o padrão para confirmar o diagnóstico e afastar diagnósticos diferenciais. Em pacientes ambulatoriais com PAC não grave, a investigação etiológica extensa (Gram, cultura de escarro, hemoculturas, procalcitonina) não é recomendada de rotina, pois a terapia empírica tem alta eficácia e a mortalidade é baixa. A busca pelo agente etiológico fica reservada para casos graves, falha terapêutica, fatores de risco para patógenos resistentes ou situações epidemiológicas específicas. A procalcitonina, embora útil como auxiliar na decisão de iniciar antibióticos em alguns contextos, não é definitiva para distinguir etiologia bacteriana de viral e não deve ser usada isoladamente para essa finalidade. O atraso na antibioticoterapia empírica em pacientes com PAC está associado a aumento da mortalidade, portanto a conduta correta é iniciar o tratamento precocemente, sem aguardar identificação microbiológica.
A banca explora aqui a confusão entre o que é necessário para o diagnóstico (radiografia) e o que é opcional ou reservado para casos selecionados (investigação etiológica). O candidato que sabe que a PAC é a única infecção respiratória aguda em que o atraso do antibiótico aumenta a mortalidade entende por que a alternativa D (adiar a terapia até identificação do agente) é um erro grave, e por que a alternativa B é a conduta correta e imediata.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta fazer o candidato acreditar que a investigação etiológica (Gram, cultura, procalcitonina) é obrigatória ou definitiva para todos os pacientes com PAC. Na prática, para o paciente ambulatorial sem gravidade, a conduta é: confirmar o diagnóstico com radiografia de tórax e iniciar antibiótico empírico imediatamente. A investigação etiológica extensa é reservada para casos graves, falha terapêutica ou fatores de risco específicos. Lembre-se: o que não pode faltar é a radiografia e o antibiótico precoce — não a bateria de exames.
PAC: diagnóstico e conduta
1Diagnóstico
Suspeita clínica (tosse, febre, dispneia)
Confirmação: radiografia de tórax
Infiltrado pulmonar novo
Afasta diagnósticos diferenciais
2Conduta inicial
Antibiótico empírico precoce
Adiar até identificação do agente
3Investigação etiológica (não rotina)
Reservada a casos graves
Falha terapêutica
Patógenos resistentes
4Procalcitonina
Não é definitiva
Não orienta todos os casos
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A coloração de Gram e a cultura do escarro não devem ser realizadas em todos os pacientes ambulatoriais com suspeita de PAC. Para pacientes ambulatoriais sem gravidade, a busca por um agente específico é desnecessária, pois a terapia antibiótica empírica tem alta eficácia e a mortalidade é baixa. A investigação etiológica é indicada em casos graves, falha terapêutica, fatores de risco para patógenos resistentes ou situações epidemiológicas específicas. O erro está na generalização "todos os pacientes ambulatoriais".
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A radiografia de tórax é necessária para confirmar o diagnóstico de PAC em adultos com sintomas e achados físicos compatíveis. O diagnóstico baseia-se na clínica e na radiografia de tórax, que demonstra um infiltrado pulmonar novo. A radiografia é essencial para confirmar a suspeita clínica e afastar diagnósticos diferenciais, como bronquite aguda, insuficiência cardíaca e tromboembolismo pulmonar. Embora a tomografia seja o padrão-ouro, a radiografia é o exame inicial de escolha na prática clínica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Os níveis de procalcitonina não são definitivos para distinguir PAC bacteriana de viral e não devem ser usados para orientar o início dos antibióticos em todos os casos. A procalcitonina pode ser um auxiliar na decisão clínica, mas não é um marcador definitivo, e seu uso rotineiro para essa finalidade não é recomendado. A decisão de iniciar antibióticos deve ser baseada no quadro clínico e na confirmação radiológica, não em um biomarcador isolado.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A terapia antibiótica empírica não deve ser adiada até que o agente etiológico seja identificado. Na PAC, o atraso na instituição da antibioticoterapia está associado a aumento da mortalidade. O tratamento empírico deve ser iniciado precocemente, e a identificação do agente etiológico, quando indicada, não deve retardar a terapia. Essa alternativa contraria o princípio fundamental do manejo da PAC.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O diagnóstico de PAC não pode ser estabelecido de forma confiável apenas pelo julgamento clínico, sem exames de imagem ou laboratoriais. A confirmação diagnóstica exige a demonstração de um infiltrado pulmonar na radiografia de tórax. O julgamento clínico é o ponto de partida, mas não é suficiente para confirmar o diagnóstico, pois outras condições podem mimetizar o quadro.