Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — Quadrix 2025
Medicina›Doenças Infecto-Parasitárias
Código
qg602128
Banca
Quadrix
Órgão
FMJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Especialidades com Acesso Direto
Um homem de 25 anos de idade buscou atendimento na unidade básica de saúde com sintomas febre ocorrentes já há três dias, cefaleia retrorbitária e exantema maculopapular difuso, acompanhado de vômitos persistentes, dor abdominal intensa e epistaxe. No exame físico, encontrava‑se consciente, hidratado, com pressão arterial de 90 x 60 mmHg, frequência cardíaca de 98 bpm, frequência respiratória de 18 irpm, saturação de oxigênio de 98% e glicemia capilar de 107 mg/dl. Não foi detectado edema em membros inferiores.Considerando esse caso clínico hipotético e os critérios do Ministério da Saúde para a classificação da dengue, assinale a opção que apresenta a classificação e a conduta inicial adequada para esse paciente.
Adengue C com sinais de alarme – hidratação oral e acompanhamento ambulatorial
Bdengue C com sinais de alarme – hidratação venosa e observação em unidade hospitalar
Cdengue C na fase de recuperação – alta e seguimento ambulatorial
Ddengue D hemorrágica – transfusão de plaquetas imediata
Edengue D grave – internação em unidade de terapia intensiva (UTI)
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GabaritoB — dengue C com sinais de alarme – hidratação venosa e observação em unidade hospitalar
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Dengue: classificação de risco e conduta inicial
Gabarito: letra B. O paciente apresenta dengue com sinais de alarme (vômitos persistentes, dor abdominal intensa e epistaxe), o que, segundo a classificação do Ministério da Saúde, o enquadra como dengue C — e a conduta inicial adequada é hidratação venosa e observação em unidade hospitalar. A alternativa B é a única que combina corretamente a classificação e a conduta.
A dengue é uma doença febril aguda, sistêmica e dinâmica, que pode se apresentar desde formas oligossintomáticas até quadros graves. A classificação atualmente adotada no Brasil, revisada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), divide os casos em grupos (A, B, C e D) com base na presença de sinais de alarme e de gravidade, orientando o local de tratamento e a conduta. O reconhecimento precoce dos sinais de alarme é crucial, pois eles advertem sobre o extravasamento de plasma e/ou hemorragias, que podem levar ao choque grave e ao óbito.
Os sinais de alarme são: dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos (ascite, derrame pleural, derrame pericárdico), sangramento de mucosas, letargia ou irritabilidade, hipotensão postural, aumento progressivo do hematócrito e queda abrupta de plaquetas. No caso clínico, o paciente apresenta vômitos persistentes, dor abdominal intensa e epistaxe (sangramento de mucosa), configurando claramente a presença de sinais de alarme.
A classificação do Ministério da Saúde divide a dengue em:
Grupo
Características
Conduta
A
Sem sinais de alarme, sem sangramento espontâneo, sem comorbidades ou grupos de risco
Tratamento ambulatorial, hidratação oral
B
Sem sinais de alarme, mas com sangramento de pele espontâneo, comorbidades ou grupos de risco
Hidratação oral, acompanhamento ambulatorial com reavaliação clínica e laboratorial
C
Presença de sinais de alarme
Hidratação venosa, observação em unidade hospitalar
D
Dengue grave: choque, sangramento grave, comprometimento grave de órgãos
Hidratação venosa intensiva, internação em UTI, tratamento de suporte
A dengue grave (grupo D) é definida pela presença de extravasamento grave de plasma levando a choque, acúmulo de líquidos com desconforto respiratório, sangramento grave, ou comprometimento grave de órgãos (como hepatite, miocardite, encefalite). O paciente do caso não apresenta choque (PA 90x60 mmHg, FC 98 bpm, sem sinais de hipoperfusão), nem sangramento grave ou disfunção orgânica — apenas sinais de alarme, o que o classifica como grupo C.
A hidratação venosa no grupo C deve ser feita com solução salina isotônica (SF 0,9% ou Ringer lactato), inicialmente em volume de 10 ml/kg na primeira hora, seguida de reavaliação clínica e ajuste do volume conforme a resposta. A observação em unidade hospitalar é necessária para monitoramento dos sinais vitais, diurese, hematócrito e plaquetas, visando prevenir a evolução para o choque.
A pegadinha da questão está em confundir os grupos C e D, ou em associar a conduta errada a cada grupo. O paciente tem sinais de alarme, mas não tem critérios de gravidade (choque, sangramento grave, disfunção orgânica) — portanto, é grupo C, não D. A transfusão de plaquetas não é indicada de rotina na dengue, mesmo com plaquetopenia, a menos que haja sangramento ativo grave. A internação em UTI é reservada para o grupo D.
Guarde a fronteira entre sinais de alarme (grupo C) e sinais de gravidade (grupo D): é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Dengue (classificação MS): Grupo A (Sem sinais de alarme, Sem comorbidades/risco, Conduta: hidratação oral); Grupo B (Sem sinais de alarme, Com sangramento de pele, comorbidades ou risco, Conduta: hidratação oral + reavaliação); Grupo C (Com sinais de alarme, Conduta: hidratação venosa + observação hospitalar); Grupo D (Com sinais de gravidade, Choque, sangramento grave, disfunção orgânica, Conduta: UTI + hidratação intensiva)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A classificação está correta (dengue C com sinais de alarme), mas a conduta está errada: hidratação oral e acompanhamento ambulatorial são indicados para os grupos A e B, não para o grupo C, que exige hidratação venosa e observação hospitalar.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Classificação correta (dengue C com sinais de alarme, pelos vômitos persistentes, dor abdominal intensa e epistaxe) e conduta correta: hidratação venosa e observação em unidade hospitalar, conforme preconizado pelo Ministério da Saúde para o grupo C.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A fase de recuperação é a terceira fase da dengue, após a fase crítica, caracterizada pela reabsorção do líquido extravasado e melhora clínica. O paciente está na fase febril/crítica, com sinais de alarme, não em recuperação. Além disso, a conduta de alta e seguimento ambulatorial seria inadequada para um paciente com sinais de alarme.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A classificação "dengue D hemorrágica" está incorreta: a nomenclatura atual não usa "dengue hemorrágica" e o grupo D é definido por sinais de gravidade (choque, sangramento grave, disfunção orgânica), não apenas por sinais de alarme. A transfusão de plaquetas não é indicada de rotina na dengue, mesmo com plaquetopenia, a menos que haja sangramento ativo grave — o que não é o caso.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A classificação "dengue D grave" está incorreta: o paciente não apresenta critérios de gravidade (choque, sangramento grave, comprometimento grave de órgãos), apenas sinais de alarme, o que o classifica como grupo C. A internação em UTI é reservada para o grupo D.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os grupos C e D. O paciente tem sinais de alarme (vômitos persistentes, dor abdominal intensa, epistaxe), mas NÃO tem sinais de gravidade (choque, sangramento grave, disfunção orgânica). Por isso é grupo C, não D. A presença de epistaxe pode induzir o candidato a pensar em sangramento grave, mas sangramento de mucosa é sinal de alarme, não de gravidade — a menos que seja volumoso e cause instabilidade hemodinâmica.
PEGA ESSA DICA!
Para classificar a dengue, siga esta sequência: 1) há sinais de gravidade (choque, sangramento grave, disfunção orgânica)? → grupo D. 2) há sinais de alarme (dor abdominal intensa, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos, sangramento de mucosa, letargia, hipotensão postural, aumento do hematócrito, queda de plaquetas)? → grupo C. 3) há sangramento de pele espontâneo, comorbidades ou grupos de risco? → grupo B. 4) senão → grupo A. Decore os sinais de alarme com o mnemônico DORVISA: Dor abdominal intensa, Olhos (dor retrorbitária não é sinal de alarme, mas ajuda), Vômitos persistentes, Irritabilidade/letargia, Sangramento de mucosas, Acúmulo de líquidos. Na dúvida entre C e D, pergunte: há choque ou disfunção orgânica? Se não, é C.