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Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — Quadrix 2025

MedicinaClínica Médica Humana
Código
qg602136
Banca
Quadrix
Órgão
FMJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Especialidades com Acesso Direto
Um médico atendeu uma paciente de 45 anos de idade com diabete mellitus tipo 2 descompensada que relatou dificuldade em aderir ao plano terapêutico prescrito. Durante a consulta, a paciente mencionou sentir‑se sobrecarregada com as responsabilidades familiares e acreditava que o tratamento não lhe estava ajudando. O médico decidiu adotar o método clínico centrado na pessoa (MCCP).Com base nesse caso clínico hipotético e no método referido, assinale a opção que apresenta a abordagem correta para esse caso.
  1. AO médico deve enfatizar a necessidade de aderir rigorosamente ao plano terapêutico atual, reforçando a importância de seguir as orientações médicas, para evitar complicações.
  2. BO médico deve explorar as preocupações, crenças e emoções da paciente sobre o tratamento e adaptar o plano terapêutico às suas necessidades e ao seu contexto de vida.
  3. CO foco principal deve ser a doença, garantindo que a paciente compreenda os riscos do mau controle glicêmico e as complicações futuras.
  4. DA consulta deve ser direcionada exclusivamente à resolução dos problemas médicos, pois questões emocionais podem ser abordadas posteriormente por outro profissional.
  5. EA relação médico‑paciente deve ser fundamentada na autoridade do médico, que deve tomar decisões com base em evidências, mesmo que a paciente demonstre resistência.
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GabaritoB — O médico deve explorar as preocupações, crenças e emoções da paciente sobre o tratamento e adaptar o plano terapêutico às suas necessidades e ao seu contexto de vida.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Método Clínico Centrado na Pessoa (MCCP) e adesão terapêutica no DM2

Gabarito: letra B. No caso de uma paciente com DM2 descompensada que relata dificuldade de adesão por se sentir sobrecarregada e por acreditar que o tratamento não ajuda, a abordagem correta pelo MCCP é explorar suas preocupações, crenças e emoções e adaptar o plano terapêutico ao seu contexto de vida. O MCCP desloca o foco da doença para a pessoa, valorizando a experiência subjetiva do sofrimento e o compartilhamento do poder na consulta — exatamente o que a alternativa B descreve.

O MCCP é um referencial teórico que sistematiza uma prática clínica centrada na pessoa, em contraposição ao modelo biomédico tradicional, que se concentra exclusivamente na doença. Seus dois pilares mais destacados são: (1) o entendimento e a valorização do paciente e dos aspectos subjetivos do seu sofrimento — incluindo competência cultural e antropologia médica — e (2) o compartilhamento do poder no processo da consulta. Isso significa que o médico não é o único detentor das decisões; o paciente participa ativamente da construção do plano terapêutico, com escuta ativa de suas necessidades, expectativas e valores.

No contexto específico do diabetes mellitus tipo 2, a adesão terapêutica é um dos maiores desafios, pois envolve mudanças de estilo de vida (alimentação, exercício, sono, cessação do tabagismo, gerenciamento do estresse) além do tratamento medicamentoso. A literatura recomenda, para promover maior adesão, uma abordagem colaborativa e centrada na pessoa, com tomada de decisão compartilhada, definição conjunta do plano terapêutico e escuta ativa das necessidades e expectativas do paciente. A participação ativa do indivíduo no cuidado fortalece os comportamentos de autocuidado e resulta em melhores desfechos clínicos.

A paciente do caso expressa dois elementos centrais: sobrecarga com responsabilidades familiares e a crença de que o tratamento não está ajudando. Esses são exatamente os tipos de preocupações, crenças e emoções que o MCCP manda explorar. Ignorá-los — como fazem as alternativas A, C, D e E — seria reproduzir o modelo centrado na doença, que não resolve a barreira de adesão e pode até piorar a relação médico-paciente.

A pegadinha da questão está em confundir o MCCP com uma abordagem paternalista ou estritamente biomédica. O candidato que pensa "o médico deve reforçar a importância do tratamento" ou "o foco deve ser a doença" cai nas alternativas erradas, pois o MCCP exige exatamente o oposto: ouvir, compreender o contexto e adaptar o plano em conjunto.

1Foco na pessoa
Experiência subjetiva do sofrimento
Preocupações, crenças e emoções
Contexto de vida
2Compartilhamento do poder
Tomada de decisão compartilhada
Escuta ativa
Plano adaptado ao paciente
3Oposição ao modelo biomédico
Foco exclusivo na doença
Postura paternalista
Autoridade do médico
MCCP
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MCCP: Foco na pessoa (Experiência subjetiva do sofrimento, Preocupações, crenças e emoções, Contexto de vida); Compartilhamento do poder (Tomada de decisão compartilhada, Escuta ativa, Plano adaptado ao paciente); Oposição ao modelo biomédico (Foco exclusivo na doença, Postura paternalista, Autoridade do médico)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Enfatizar a adesão rigorosa ao plano atual e reforçar a importância de seguir as orientações médicas é uma postura paternalista e centrada na doença, não no paciente. O MCCP não consiste em impor o plano, mas em construí-lo com a paciente, considerando suas barreiras. A alternativa ignora as preocupações e o contexto de vida que a paciente explicitamente trouxe.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta alternativa espelha com precisão o MCCP: explorar preocupações, crenças e emoções da paciente sobre o tratamento e adaptar o plano terapêutico às suas necessidades e contexto de vida. É exatamente o que o método preconiza — valorizar a experiência subjetiva do sofrimento e compartilhar o poder na consulta, com escuta ativa e definição conjunta do plano.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Colocar o foco principal na doença, garantindo que a paciente compreenda os riscos do mau controle glicêmico, é a abordagem biomédica tradicional, centrada na doença e não na pessoa. O MCCP transfere o foco da doença para a pessoa e do médico para o paciente. A alternativa desconsidera os aspectos emocionais e contextuais que são centrais no método.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Direcionar a consulta exclusivamente à resolução dos problemas médicos e adiar questões emocionais para outro profissional contraria frontalmente o MCCP, que valoriza a integralidade do cuidado e a abordagem dos aspectos subjetivos do sofrimento na própria consulta. O método não fragmenta o cuidado dessa forma.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Fundamentar a relação médico-paciente na autoridade do médico, que decide com base em evidências mesmo diante de resistência, é o oposto do MCCP. O método preconiza o compartilhamento do poder na consulta e a tomada de decisão compartilhada, não a imposição de decisões. A resistência da paciente é justamente um sinal de que ela precisa ser ouvida, não atropelada.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o modelo biomédico tradicional (centrado na doença, paternalista) e o MCCP (centrado na pessoa, colaborativo). Alternativas A, C, D e E parecem "razoáveis" para quem pensa no papel clássico do médico, mas todas reproduzem exatamente o modelo que o MCCP busca superar. A palavra-chave é "adaptar": o MCCP não impõe, adapta.

PEGA ESSA DICA!

Para questões sobre MCCP, identifique se a alternativa valoriza a experiência subjetiva do paciente, seu contexto de vida e a tomada de decisão compartilhada. Se a alternativa coloca o médico como autoridade máxima, foca só na doença ou adia questões emocionais, está errada. O MCCP é sinônimo de escuta ativa, empatia e adaptação do plano ao paciente.

Gabarito: letra B

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