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Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — Quadrix 2025

MedicinaClínica Médica Humana
Código
qg602137
Banca
Quadrix
Órgão
FMJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Especialidades com Acesso Direto
Na abordagem clínica ampliada, a anamnese transcende o levantamento de dados objetivos, exigindo do profissional médico uma escuta qualificada e interpretativa que articule a narrativa do paciente aos fundamentos biopsicossociais do processo de adoecimento. Com base nessa informação e nas diretrizes da medicina centrada na pessoa e nos princípios da clínica ampliada, assinale a opção que apresenta a concepção contemporânea de entrevista clínica.
  1. AA estruturação da anamnese deve restringir‑se aos elementos técnicos objetivos, evitando a interferência de conteúdos subjetivos que possam obscurecer o raciocínio diagnóstico.
  2. BO método clínico exige padronização da coleta de dados, priorizando a fidedignidade estatística das informações colhidas sobre a experiência do paciente.
  3. CA elaboração da hipótese clínica deve orientar‑se exclusivamente pelos protocolos fundamentados em evidências, minimizando o tempo dedicado a informações que não se enquadrem nos algoritmos diagnósticos.
  4. DO processo anamnésico deve priorizar os critérios classificatórios das nosologias oficiais (DSM, CID), como forma de garantir uniformidade e segurança técnico‑jurídica na prática assistencial.
  5. EA escuta clínica deve considerar a singularidade biográfica do paciente, incorporando as suas dimensões subjetivas, sociais e simbólicas na formulação diagnóstica e no plano terapêutico.
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GabaritoE — A escuta clínica deve considerar a singularidade biográfica do paciente, incorporando as suas dimensões subjetivas, sociais e simbólicas na formulação diagnóstica e no plano terapêutico.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Entrevista clínica na medicina centrada na pessoa

Gabarito: letra E. A concepção contemporânea de entrevista clínica, alinhada à clínica ampliada e à medicina centrada na pessoa, exige que a escuta considere a singularidade biográfica do paciente, incorporando suas dimensões subjetivas, sociais e simbólicas na formulação diagnóstica e no plano terapêutico. As demais alternativas reduzem a anamnese a um processo técnico-objetivo, padronizado ou exclusivamente baseado em protocolos, o que contraria os fundamentos biopsicossociais do adoecimento.

A entrevista clínica, na perspectiva contemporânea, transcende a mera coleta de dados objetivos. Ela é um encontro dialógico em que o médico exerce uma escuta qualificada e interpretativa, capaz de articular a narrativa do paciente — sua história, seus medos, suas crenças e seu contexto de vida — aos conhecimentos técnico-científicos. Essa abordagem é fundamentada na medicina centrada na pessoa, que reconhece o paciente como um ser biopsicossocial, e na clínica ampliada, que integra dimensões subjetivas e sociais ao cuidado. O objetivo não é apenas diagnosticar uma doença, mas compreender o processo de adoecimento daquele indivíduo singular, considerando sua história de vida, seus valores e suas redes de apoio.

Essa concepção se opõe ao modelo biomédico tradicional, que tende a reduzir o paciente a um conjunto de sintomas e sinais objetivos. Autores como Michael Balint e Rita Charon (medicina narrativa) enfatizam que a doença é uma experiência vivida de forma única por cada pessoa, e que a escuta atenta dessa narrativa é essencial para um diagnóstico preciso e um plano terapêutico eficaz. A anamnese, portanto, não é um interrogatório, mas uma construção conjunta de significado, em que o médico e o paciente colaboram para entender o que está acontecendo. A habilidade de escutar, de perceber o que há de mais importante na história do ponto de vista biopsicossocial e correlacionar com os saberes médicos, é chamada de script e é fundamental para o raciocínio clínico.

Na prática, isso significa que o médico deve estar aberto a ouvir a história do paciente sem interrupções prematuras, acolher suas queixas e preocupações, e considerar fatores como condições de vida, trabalho, relações familiares e crenças culturais. Por exemplo, um paciente com dor crônica pode ter sua experiência de dor influenciada por estresse no trabalho, conflitos familiares ou depressão. Ignorar essas dimensões pode levar a um diagnóstico incompleto e a um tratamento ineficaz. A clínica ampliada propõe exatamente o oposto: ampliar o olhar para além do biológico, integrando o social e o subjetivo no cuidado.

A pegadinha desta questão está na tentação de escolher uma alternativa que valorize a objetividade e a padronização, como se a escuta qualificada fosse um obstáculo ao raciocínio diagnóstico. No entanto, a diretriz contemporânea é justamente a integração entre a narrativa do paciente e o conhecimento técnico. A banca explora a dicotomia entre o modelo biomédico tradicional (objetivo, padronizado, protocolar) e o modelo biopsicossocial (integrativo, singular, centrado na pessoa). A alternativa correta é aquela que abraça a complexidade do ser humano, sem abrir mão do rigor técnico.

Guarde a fronteira entre a anamnese como interrogatório (coleta passiva de dados) e a anamnese como escuta interpretativa (construção ativa de significado). É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem: as incorretas reduzem a entrevista a um processo mecânico, enquanto a correta a eleva a um encontro humano e científico.

Entrevista clínica contemporânea
  • 1Modelo biopsicossocial (✅)
    • Escuta qualificada e interpretativa
    • Singularidade biográfica
    • Dimensões subjetivas, sociais e simbólicas
    • Integra narrativa ao saber técnico
  • 2Modelo biomédico tradicional (❌)
    • Coleta objetiva e padronizada
    • Prioriza protocolos e algoritmos
    • Foco em classificação (DSM/CID)
    • Reduz paciente a sintomas
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a anamnese deve restringir-se aos elementos técnicos objetivos, evitando conteúdos subjetivos. Isso contraria diretamente a clínica ampliada e a medicina centrada na pessoa, que valorizam a subjetividade como fonte de compreensão do adoecimento. A subjetividade não obscurece o raciocínio diagnóstico; ela o enriquece, fornecendo pistas sobre o contexto e o significado da doença para o paciente.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Propõe a padronização da coleta de dados, priorizando a fidedignidade estatística sobre a experiência do paciente. A padronização pode ser útil em contextos de pesquisa, mas na prática clínica a experiência individual é insubstituível. A entrevista clínica não é um instrumento estatístico, mas um encontro humano que exige flexibilidade e adaptação à singularidade de cada paciente.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Defende que a hipótese clínica deve orientar-se exclusivamente por protocolos baseados em evidências, minimizando informações fora dos algoritmos. Embora a medicina baseada em evidências seja importante, ela não substitui o raciocínio clínico individualizado. Informações que não se enquadram nos algoritmos podem ser justamente as que revelam o contexto biopsicossocial do paciente, essenciais para um cuidado integral.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Prioriza os critérios classificatórios das nosologias oficiais (DSM, CID) como forma de garantir uniformidade e segurança técnico-jurídica. Embora a classificação seja útil para comunicação e pesquisa, ela não deve ser o objetivo principal da entrevista. A escuta clínica busca compreender a pessoa, não apenas enquadrá-la em uma categoria diagnóstica. A segurança técnico-jurídica não se sobrepõe à necessidade de um cuidado humanizado e centrado na pessoa.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A escuta clínica deve considerar a singularidade biográfica do paciente, incorporando suas dimensões subjetivas, sociais e simbólicas na formulação diagnóstica e no plano terapêutico. Esta é a essência da clínica ampliada e da medicina centrada na pessoa: reconhecer que cada paciente é único, com uma história de vida que influencia seu processo de adoecimento e sua resposta ao tratamento. A alternativa espelha exatamente os termos do enunciado, que fala em "escuta qualificada e interpretativa" e "fundamentos biopsicossociais do processo de adoecimento".

A concepção contemporânea de entrevista clínica é, portanto, uma prática integrativa que une a arte de escutar à ciência de diagnosticar. O médico não é apenas um coletor de dados, mas um intérprete de narrativas, capaz de transformar a história do paciente em um plano de cuidado significativo e eficaz. Essa abordagem não abandona a técnica, mas a humaniza, reconhecendo que a doença acontece em uma pessoa, não em um corpo isolado.

Gabarito: letra E

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