Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — Quadrix 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg602154
Banca
Quadrix
Órgão
FMJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Especialidades com Acesso Direto
Criança do sexo masculino, 1 ano e 8 meses de idade, previamente hígida, é levada ao pronto‑socorro após episódio de crise convulsiva tônico‑clônica generalizada com duração de aproximadamente 1 minuto, seguida de recuperação completa do nível de consciência em poucos minutos. Mãe relata febre no momento da crise e coriza no mesmo dia. Ao exame físico: bom estado geral, temperatura 38,8 °C, exame neurológico normal, presença de coriza hialina e sem outras alterações.Com base nesse caso clínico hipotético, assinale a opção que apresenta a conduta adequada.
Aadministrar antitérmico e orientar a família sobre o manejo domiciliar de futuras crises e evolução benigna do quadro
Binternação hospitalar e realização de punção lombar
Cadministrar antitérmico e solicitar tomografia de crânio
Dadministrar diazepam retal e solicitar avaliação de especialista
Einiciar protocolo de sepse com antibioticoterapia e coleta de exames, incluindo punção lombar
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GabaritoA — administrar antitérmico e orientar a família sobre o manejo domiciliar de futuras crises e evolução benigna do quadro
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Crise febril simples: conduta ambulatorial
Gabarito: letra A. Trata-se de crise febril simples (CFS) — convulsão tônico-clônica generalizada breve (<15 min), em criança de 6 meses a 5 anos, com recuperação completa e exame neurológico normal — cuja conduta é antitérmico e orientação aos pais sobre o manejo domiciliar e o prognóstico benigno, sem necessidade de exames complementares, internação ou punção lombar. A base é o conceito clínico de crise febril simples, que dispensa investigação laboratorial, de imagem ou liquórica na ausência de sinais de alarme.
A crise febril é o distúrbio convulsivo mais comum da infância, afetando 2% a 5% das crianças. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na história e no exame físico. A crise febril simples (CFS) é definida como uma convulsão generalizada, breve (menos de 15 minutos), não recorrente em 24 horas, que ocorre durante doença febril não resultante de infecção aguda do sistema nervoso, em criança entre 6 meses e 5 anos, sem déficits neurológicos prévios e sem história de crises afebris. Já a crise febril complexa (CFC) é focal ou generalizada, prolongada (>15 min), recorrente em 24 horas ou associada a anormalidades neurológicas pós-ictais (como paralisia de Todd) ou déficits prévios — e essa distinção é o coração da questão.
Na CFS, não estão recomendados exames laboratoriais de rotina, nem EEG, nem exames de imagem. A punção lombar só é indicada na presença de sinais meníngeos, em pacientes em uso de antibióticos nos dias anteriores à crise ou em crianças com menos de 18 meses com sinais de deterioração clínica. No caso apresentado, a criança tem 1 ano e 8 meses (20 meses), está em bom estado geral, com exame neurológico normal e sem sinais meníngeos — portanto, não há indicação de punção lombar. A conduta é antitérmico e orientação à família sobre o manejo domiciliar de futuras crises e a evolução benigna do quadro.
A profilaxia contínua com fenobarbital ou ácido valproico não é recomendada para CFS, dado o prognóstico benigno e os efeitos adversos potenciais. A terapia intermitente com diazepam retal (0,4 a 0,5 mg/kg) pode ser considerada em casos selecionados — como crises frequentes em curto espaço de tempo — mas não é a conduta de rotina após o primeiro episódio simples. O risco de epilepsia após CFS é de apenas 1% a 1,5%, pouco acima da população geral (0,5%), o que reforça a abordagem conservadora.
A pegadinha da banca está em oferecer condutas agressivas (internação, punção lombar, tomografia, diazepam retal, protocolo de sepse) que seriam apropriadas para crises febris complexas ou para outras condições, mas que não se aplicam a uma CFS típica. O critério decisivo é a classificação da crise como simples versus complexa: duração <15 min, generalizada, recuperação completa e exame neurológico normal apontam para CFS e conduta ambulatorial.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Administrar antitérmico e orientar a família sobre o manejo domiciliar de futuras crises e a evolução benigna do quadro é exatamente a conduta recomendada para crise febril simples. A criança preenche todos os critérios de CFS: idade entre 6 meses e 5 anos (1 ano e 8 meses), crise generalizada breve (~1 minuto), recuperação completa, exame neurológico normal e doença febril sem sinais de infecção do SNC. Não há indicação de exames complementares, internação ou punção lombar. A orientação aos pais sobre o manejo domiciliar (inclusive o uso de diazepam retal em crises prolongadas, se indicado) e a tranquilização quanto ao prognóstico benigno são parte essencial da conduta.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Internação hospitalar e punção lombar não são indicadas nesta situação. A punção lombar só é recomendada na CFS na presença de sinais meníngeos, uso recente de antibióticos ou criança com menos de 18 meses com deterioração clínica. A criança tem 20 meses, está em bom estado geral, sem sinais meníngeos e sem deterioração — portanto, a punção lombar seria um procedimento invasivo desnecessário. A internação é reservada para crises febris complexas ou quando há suspeita de infecção do SNC.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Solicitar tomografia de crânio não é recomendado na crise febril simples. Exames de imagem não estão indicados na CFS, pois não há evidência de lesão estrutural ou sangramento. A tomografia seria considerada em casos de trauma, déficit neurológico persistente ou suspeita de lesão ocupando espaço — nenhum dos quais está presente. O antitérmico é adequado, mas a tomografia é um exame desnecessário e expõe a criança a radiação sem benefício.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Administrar diazepam retal e solicitar avaliação de especialista não é a conduta de rotina após uma primeira crise febril simples. O diazepam retal (0,4 a 0,5 mg/kg) é usado como terapia intermitente de emergência em casos selecionados — como crises febris frequentes em curto espaço de tempo (3 ou mais em 6 meses, 4 ou mais em um ano) — e não após o primeiro episódio simples. A avaliação de especialista (neurologista) também não é necessária de rotina na CFS, pois o prognóstico é benigno e o manejo é feito pelo pediatra generalista.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Iniciar protocolo de sepse com antibioticoterapia e coleta de exames, incluindo punção lombar, é um erro grave. A criança não apresenta sinais de sepse: está em bom estado geral, sem sinais de toxemia, sem sinais meníngeos e sem foco infeccioso bacteriano evidente (apenas coriza hialina, sugestiva de infecção viral). A crise febril simples não é indicativa de sepse. Antibioticoterapia empírica e punção lombar seriam apropriadas apenas se houvesse suspeita de meningite ou infecção bacteriana grave — o que não é o caso.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta induzir o candidato a escolher condutas agressivas (internação, punção lombar, tomografia, diazepam, sepse) que seriam adequadas para crises febris complexas ou para outras condições graves. A chave é reconhecer que se trata de uma crise febril simples: duração breve, generalizada, recuperação completa e exame neurológico normal. Com treino, você identifica esses critérios de longe e descarta as alternativas invasivas.
PEGA ESSA DICA!
Para classificar a crise febril, use o mnemônico "SIMPLES": Sem déficit neurológico, Idade entre 6 meses e 5 anos, Menos de 15 minutos, Primeira crise (não recorrente em 24h), Localizada? Não — generalizada, Exame neurológico normal, Sem sinais meníngeos. Se algum critério falhar, é complexa e a conduta muda.
Gabarito: letra A — conduta ambulatorial com antitérmico e orientação à família, sem exames complementares.