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Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — Quadrix 2025

MedicinaOrtopedia e Traumatologia
Código
qg602156
Banca
Quadrix
Órgão
FMJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Especialidades com Acesso Direto
Um garoto de quatro anos de idade foi levado ao pronto atendimento com dor leve na região do quadril esquerdo e com claudicação, sentida já havia um dia. Os responsáveis negaram febre. Foi referido que tem ocorrido um episódio de resfriado há uma semana. No exame físico, encontrava‑se em bom estado geral, com limitação dolorosa da rotação interna e abdução do quadril esquerdo, sem outras alterações. Exames laboratoriais: VHS 2 mm/h; PCR 0,1 mg/ dl; hemograma normal (Hb 12,5 g/dl, leucócitos 9.000/ mm³, plaquetas 220.000/mm³). A radiografia de quadris não apresentou alterações. A ultrassonografia mostrava um pequeno derrame articular no quadril esquerdo.Com base nesse caso clínico hipotético, assinale a opção que apresenta a principal hipótese diagnóstica.
  1. Asinovite transitória do quadril
  2. Bosteomielite de fêmur
  3. Cdoença de Legg‑Calvé‑Perthes
  4. Dartrite séptica do quadril
  5. Esíndrome de Osgood‑Schlatter
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GabaritoA — sinovite transitória do quadril

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Quadril doloroso na criança: sinovite transitória × artrite séptica

Gabarito: letra A. O quadro clínico — criança de 4 anos, dor leve e claudicação há 1 dia, sem febre, pródromo de resfriado, VHS e PCR normais, hemograma normal e pequeno derrame articular à ultrassonografia — é o exemplo clássico de sinovite transitória do quadril, a causa mais frequente de dor no quadril em crianças de 3 a 10 anos. O diagnóstico diferencial principal é com a artrite séptica, mas os critérios de Kocher (febre > 38°C, incapacidade de apoiar o membro, leucócitos > 12.000/mm³ e VHS > 40 mm/h) estão todos ausentes neste paciente, afastando a hipótese infecciosa.

A sinovite transitória do quadril é uma inflamação autolimitada da membrana sinovial, com derrame articular, que acomete tipicamente meninos entre 3 e 10 anos (pico aos 5-6 anos). Sua etiologia é desconhecida, mas frequentemente é precedida por infecção de vias aéreas superiores ou gastrenterite — exatamente o que o enunciado descreve ("episódio de resfriado há uma semana"). A criança queixa-se de dor de início agudo no quadril, na região inguinal ou na coxa, com claudicação ou incapacidade de apoiar o peso. A febre, quando presente, é baixa; febre alta deve levantar a suspeita de artrite séptica. Os exames laboratoriais são notavelmente benignos: VHS e PCR normais, hemograma sem leucocitose. A radiografia costuma ser normal (podendo mostrar apenas derrame articular em fases mais avançadas), e a ultrassonografia é o exame que confirma o derrame articular, como no caso.

O ponto central da questão é a diferenciação entre sinovite transitória e artrite séptica, pois ambas cursam com derrame articular e claudicação na mesma faixa etária. Os critérios de Kocher são a ferramenta clínica que separa as duas entidades: temperatura > 38°C, incapacidade de apoiar o membro afetado, leucócitos > 12.000/mm³ e VHS > 40 mm/h. Quanto mais critérios preenchidos, maior a probabilidade de artrite séptica — com todos os quatro, a probabilidade supera 95%. No caso apresentado, nenhum dos critérios está presente: a criança está afebril, deambula (apenas com claudicação), tem leucócitos de 9.000/mm³ e VHS de 2 mm/h. Isso torna a artrite séptica altamente improvável e a sinovite transitória a hipótese quase certa.

A doença de Legg-Calvé-Perthes também entra no diagnóstico diferencial de dor no quadril em crianças de 4 a 10 anos, mas tem apresentação distinta: dor insidiosa, claudicação progressiva, limitação de movimentos (especialmente abdução e rotação interna) e, na radiografia, alterações características da cabeça femoral (aumento da densidade, colapso, alargamento do espaço articular). A radiografia normal e o início agudo com pródromo viral falam contra Perthes. A osteomielite do fêmur proximal e a artrite séptica cursam com febre alta, dor intensa, recusa de apoiar o membro e marcadores inflamatórios elevados — tudo ausente aqui. A síndrome de Osgood-Schlatter, por fim, é uma osteocondrose da tuberosidade anterior da tíbia, que causa dor no joelho (não no quadril) em adolescentes em fase de crescimento, especialmente os que praticam esportes.

Guarde a fronteira decisiva: sinovite transitória = paciente afebril, laboratório normal, derrame articular pequeno, história de infecção viral recente; artrite séptica = febre alta, dor intensa, recusa de apoiar o membro, leucocitose e VHS elevada. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A sinovite transitória do quadril é a principal hipótese diagnóstica. Todos os dados convergem: criança de 4 anos (faixa etária típica de 3 a 10 anos), dor leve e claudicação de início agudo, pródromo de infecção de vias aéreas superiores, ausência de febre, exames laboratoriais normais (VHS 2 mm/h, PCR 0,1 mg/dL, hemograma sem leucocitose), radiografia sem alterações e pequeno derrame articular à ultrassonografia. É a causa mais frequente de dor no quadril nessa faixa etária, com curso autolimitado e tratamento não invasivo (repouso e anti-inflamatórios).

Alternativa B — ❌ Incorreta

A osteomielite do fêmur proximal é uma infecção óssea que cursa com febre, dor intensa, impotência funcional e marcadores inflamatórios elevados (VHS, PCR e leucocitose). O paciente está afebril, com VHS e PCR normais e hemograma normal — o que torna a hipótese infecciosa altamente improvável. Além disso, a radiografia na osteomielite aguda pode ser normal nos primeiros dias, mas o quadro clínico-laboratorial benigno afasta a hipótese.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A doença de Legg-Calvé-Perthes é uma osteonecrose da cabeça femoral, mais comum em meninos de 4 a 8 anos, mas com apresentação insidiosa: dor e claudicação progressivas ao longo de semanas a meses, sem pródromo viral e sem derrame articular significativo. A radiografia costuma mostrar alterações (aumento da densidade da cabeça femoral, alargamento do espaço articular, colapso), o que não ocorre neste caso (radiografia normal). O início agudo com pródromo de resfriado e o derrame articular à ultrassonografia apontam para sinovite transitória, não para Perthes.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A artrite séptica do quadril é a principal preocupação no diagnóstico diferencial, mas exige critérios clínicos e laboratoriais que estão ausentes. Pelos critérios de Kocher (febre > 38°C, incapacidade de apoiar o membro, leucócitos > 12.000/mm³ e VHS > 40 mm/h), o paciente não preenche nenhum: está afebril, deambula com claudicação, tem leucócitos de 9.000/mm³ e VHS de 2 mm/h. Com zero critérios, a probabilidade de artrite séptica é mínima. A artrite séptica cursa com febre alta, dor intensa, posição antálgica e marcadores inflamatórios muito elevados.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A síndrome de Osgood-Schlatter é uma osteocondrose da tuberosidade anterior da tíbia, que causa dor e edema no joelho (região do tubérculo tibial), típica de adolescentes em fase de crescimento, especialmente os ativos em esportes. Não se manifesta com dor no quadril, claudicação ou derrame articular do quadril. A localização do sintoma (quadril) e a faixa etária (4 anos) excluem essa hipótese.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre sinovite transitória e artrite séptica, as duas causas mais comuns de dor no quadril com derrame articular em crianças. O candidato que decora apenas "derrame articular = artrite séptica" erra a questão. A chave é o perfil clínico-laboratorial: a artrite séptica exige febre alta, dor intensa, recusa de apoiar o membro e marcadores inflamatórios elevados (critérios de Kocher). Aqui, todos estão ausentes — o que torna a sinovite transitória a hipótese correta. Com treino, você enxerga essa diferença de longe 💪

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar sinovite transitória de artrite séptica na prova, aplique os critérios de Kocher: temperatura > 38°C, incapacidade de apoiar o membro, leucócitos > 12.000/mm³ e VHS > 40 mm/h. Quanto mais critérios preenchidos, maior a probabilidade de artrite séptica (com 4 critérios, > 95%). Se o paciente tem poucos ou nenhum critério, pense em sinovite transitória. Memorize a tabela:

Critério de Kocher

Sinovite transitória

Artrite séptica

Febre

Ausente ou baixa

Alta (> 38°C)

Deambulação

Claudica, mas apoia

Recusa apoiar o membro

Leucócitos

Normal

> 12.000/mm³

VHS

Normal

> 40 mm/h

Gabarito: letra A

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