Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — Quadrix 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg602157
Banca
Quadrix
Órgão
FMJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Especialidades com Acesso Direto
Um recém‑nascido a termo era filho de uma mãe que foi diagnosticada com sífilis, durante a gestação. A genitora realizou um teste rápido positivo no 1º trimestre, com VDRL 1:64, e foi tratada com três doses de penicilina benzatina 2.400.000 U, com a aplicação de uma dose por semana. Exames maternos para o 2º trimestre: VDRL 1:8; exames maternos para o 3º trimestre: VDRL 1:4; e, no parto: VDRL 1:8. O parceiro foi tratado adequadamente, e a gestante não apresentou sinais clínicos da doença durante o pré‑natal. O recém‑nascido nasceu assintomático, com VDRL 1:4.Com base nesse caso clínico hipotético, é correto afirmar que se trata de
Auma criança exposta à sífilis, já que a mãe apresentou tratamento adequado durante a gestação, sendo necessário, então, realizar a radiografia de ossos longos e a punção lombar com VDRL no líquor ainda na maternidade.
Buma criança exposta à sífilis, já que a mãe apresentou tratamento adequado durante a gestação, com indicação de penicilina benzatina dose única.
Cuma criança exposta à sífilis, já que a mãe apresentou tratamento adequado durante a gestação, sem a necessidade de exames adicionais ou tratamento imediato, devendo ser realizada a coleta de VDRL com um mês de vida para seguimento.
Duma criança com sífilis congênita, pois o tratamento materno foi inadequado, sendo necessários a radiografia de ossos longos, a punção lombar com VDRL e o tratamento com penicilina cristalina por dez dias.
Euma criança com sífilis congênita, já que a mãe apresentou tratamento inadequado durante a gestação, sendo necessárias a radiografia de ossos longos, a punção lombar com VDRL e a penicilina procaína por dez dias.
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GabaritoC — uma criança exposta à sífilis, já que a mãe apresentou tratamento adequado durante a gestação, sem a necessidade de exames adicionais ou tratamento imediato, devendo ser realizada a coleta de VDRL com um mês de vida para seguimento.
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Sífilis congênita e criança exposta à sífilis
Gabarito: letra C. A mãe recebeu tratamento adequado (três doses semanais de penicilina benzatina, com queda do VDRL de 1:64 para 1:8 no 2º trimestre e 1:4 no 3º, e a primeira dose foi aplicada muito antes de 30 dias do parto), o recém-nascido é assintomático e o VDRL do RN (1:4) não é duas diluições maior que o materno (1:8) — portanto, trata-se de criança exposta à sífilis, sem necessidade de exames adicionais ou tratamento imediato, apenas seguimento com VDRL com 1 mês de vida. Essa classificação segue o fluxograma do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde para IST.
O ponto central desta questão é distinguir criança exposta à sífilis de sífilis congênita. A sífilis congênita é a transmissão vertical do Treponema pallidum da gestante para o concepto, podendo ocorrer em qualquer fase gestacional ou estágio da doença materna, resultando em aborto, natimorto, prematuridade ou manifestações clínicas variadas. Já a criança exposta é aquela nascida de mãe com sífilis que recebeu tratamento adequado durante a gestação e que, na avaliação inicial, não apresenta critérios para sífilis congênita.
O PCDT define tratamento materno adequado como: registro de tratamento completo com benzilpenicilina benzatina, adequado para o estágio clínico, com a primeira dose realizada até 30 dias antes do parto. No caso, a mãe foi diagnosticada no 1º trimestre (VDRL 1:64), tratada com três doses semanais de penicilina benzatina 2.400.000 U, e apresentou queda progressiva do título (1:8 no 2º trimestre, 1:4 no 3º trimestre). O VDRL 1:8 no parto, embora não tenha caído duas diluições em relação ao 3º trimestre, não invalida o tratamento — a queda de 1:64 para 1:8 já documenta resposta terapêutica, e o tratamento foi completo e precoce. O parceiro também foi tratado, e a gestante não teve sinais clínicos.
O fluxograma de manejo na maternidade (Figura 9 do PCDT) orienta: se a mãe foi tratada adequadamente, deve-se realizar o teste não treponêmico (TNT) sérico na mãe e no RN ao mesmo tempo. Se o TNT da criança não for pelo menos duas diluições maior que o materno, e o exame físico for normal, classifica-se como criança exposta à sífilis, sem necessidade de tratamento imediato, devendo-se notificar e realizar seguimento. A conduta para a criança exposta é: não realizar exames adicionais na maternidade (como radiografia de ossos longos ou punção lombar) e não tratar, apenas coletar VDRL com 1 mês de vida para seguimento ambulatorial.
A alternativa C espelha exatamente essa conduta. As demais alternativas erram ao classificar como sífilis congênita (quando o tratamento materno foi adequado) ou ao indicar exames/tratamentos desnecessários para uma criança exposta. A pegadinha da banca está em confundir o VDRL materno 1:8 no parto com "tratamento inadequado" — mas o critério decisivo é o tratamento completo e iniciado até 30 dias antes do parto, não o título no momento do parto.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta fazer você acreditar que o VDRL 1:8 no parto indica falha terapêutica. Mas o critério de tratamento adequado é o esquema completo com primeira dose até 30 dias antes do parto — e a queda de 1:64 para 1:8 já documenta resposta. O título no parto pode até não ter caído duas diluições em relação ao trimestre anterior, mas isso não torna o tratamento inadequado. Fique atento: o que define a classificação é o histórico de tratamento, não o número isolado.
Critério
Criança exposta à sífilis (C)
Sífilis congênita (D/E)
Tratamento materno
Adequado (3 doses, 1ª dose até 30 dias antes do parto)
Inadequado ou não realizado
VDRL do RN vs. materno
RN ≤ 2 diluições abaixo do materno (1:4 vs. 1:8)
RN ≥ 2 diluições acima do materno
Exame físico do RN
Assintomático
Sintomático ou assintomático
Conduta na maternidade
Sem exames adicionais; sem tratamento imediato
Radiografia de ossos longos + punção lombar + tratamento
Seguimento
VDRL com 1 mês de vida
Internação e tratamento específico
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erra ao afirmar que é necessário realizar radiografia de ossos longos e punção lombar com VDRL no líquor ainda na maternidade. Esses exames são indicados apenas para crianças com sífilis congênita (mãe não tratada ou tratada inadequadamente) ou quando o TNT do RN é pelo menos duas diluições maior que o materno. Como a mãe foi tratada adequadamente e o RN é assintomático com VDRL 1:4 (menor que o materno 1:8), a criança é exposta, e esses exames invasivos são desnecessários.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erra ao indicar penicilina benzatina dose única para a criança. Esse tratamento é reservado para casos específicos de sífilis congênita sem neurossífilis (quando há critérios para SC, mas o líquor é normal). Para a criança exposta, não há indicação de tratamento imediato — apenas seguimento com VDRL. A conduta correta é a descrita na alternativa C.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Correta porque a mãe teve tratamento adequado (três doses de penicilina benzatina, primeira dose no 1º trimestre, muito antes de 30 dias do parto, com queda do VDRL), o RN é assintomático e o VDRL do RN (1:4) não é duas diluições maior que o materno (1:8). Portanto, classifica-se como criança exposta à sífilis, sem necessidade de exames adicionais ou tratamento imediato, devendo ser realizada a coleta de VDRL com um mês de vida para seguimento, conforme preconiza o PCDT.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erra ao classificar como sífilis congênita e afirmar que o tratamento materno foi inadequado. O tratamento foi adequado (completo, com primeira dose até 30 dias antes do parto). Além disso, indica penicilina cristalina por dez dias, que é o tratamento para sífilis congênita — não se aplica à criança exposta. A radiografia de ossos longos e a punção lombar também não são indicadas neste caso.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erra ao classificar como sífilis congênita e afirmar que o tratamento materno foi inadequado. O tratamento foi adequado. Além disso, indica penicilina procaína por dez dias, que é uma opção para sífilis congênita sem neurossífilis — mas não se aplica à criança exposta. A radiografia de ossos longos e a punção lombar também não são indicadas.