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Questão de Medicina — Medicina Intensiva — Quadrix 2025

MedicinaMedicina Intensiva
Código
qg602161
Banca
Quadrix
Órgão
FMJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Especialidades com Acesso Direto
Criança de 3 anos de idade foi trazida pelos familiares ao pronto‑socorro, vítima de afogamento em piscina há cerca de 10 minutos. Chegou à sala de emergência arresponsiva, sem respiração e sem pulso central palpável.Com base nesse caso clínico hipotético, assinale a opção que apresenta a conduta imediata adequada.
  1. Ainiciar compressões torácicas imediatamente, na proporção de 15 compressões duas ventilações (100‑120 compressões por minuto), realizar desfibrilação precoce de 2 J/kg se disponível e adiar as ventilações até o retorno da circulação espontânea
  2. Biniciar compressões torácicas imediatamente, na proporção de 15 compressões duas ventilações (100‑120 compressões por minuto), realizar desfibrilação precoce de 4 J/kg se disponível e administrar adrenalina 0,01 mg/kg por via intramuscular
  3. Ciniciar compressões torácicas imediatamente, na proporção de 15 compressões duas ventilações (100‑120 compressões por minuto), mantendo prioridade para oxigenação e ventilação com O₂ a 100%
  4. Diniciar compressões torácicas imediatamente, na proporção de 30 compressões duas ventilações (80‑100 compressões por minuto), mantendo prioridade para oxigenação e ventilação com O₂ a 100%
  5. Eposicionar a criança em decúbito lateral para drenar a água dos pulmões e iniciar ventilações com O₂ a 100%, após 30 segundos, iniciar compressões torácicas
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GabaritoC — iniciar compressões torácicas imediatamente, na proporção de 15 compressões duas ventilações (100‑120 compressões por minuto), mantendo prioridade para oxigenação e ventilação com O₂ a 100%

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Afogamento em Pediatria: Conduta Imediata na Parada Cardiorrespiratória

Gabarito: letra C. Na criança em parada cardiorrespiratória por afogamento, a conduta imediata é iniciar compressões torácicas na proporção de 15 compressões para 2 ventilações (100-120 compressões por minuto), mantendo prioridade para oxigenação e ventilação com O₂ a 100%. A diretriz da Sociedade Brasileira de Cardiologia de 2019 é clara: a RCP no afogamento deve seguir o ABC, pois a parada é de natureza hipóxica — ou seja, a via aérea e a ventilação são o ponto crítico, e a relação compressão-ventilação em crianças é de 15:2.

O afogamento é uma causa de parada cardiorrespiratória (PCR) por asfixia, ou seja, a hipóxia é o evento primário que leva à parada. Diferentemente da PCR de origem cardíaca (como na fibrilação ventricular do adulto), aqui o coração para porque o cérebro e os tecidos ficam sem oxigênio. Por isso, a prioridade absoluta é restaurar a oxigenação e a ventilação o mais rápido possível. A diretriz brasileira de 2019 é explícita: "A RCP em casos de afogamento deverá continuar utilizando o ABC, pela natureza de sua PCR ser hipóxica. O socorrista deverá abrir as vias aéreas (A), realizar ventilação de resgate (B) e iniciar compressões torácicas (C) na relação de 30 compressões para 2 ventilações" — e, em crianças, a relação é de 15:2, conforme as diretrizes de suporte avançado de vida em pediatria (PALS).

A conduta imediata na sala de emergência, portanto, é: 1) confirmar a ausência de responsividade, respiração e pulso; 2) iniciar compressões torácicas de alta qualidade (100-120/min, com profundidade adequada para a idade — cerca de 5 cm em crianças); 3) ventilar com O₂ a 100% na proporção de 15:2 (com dois socorristas; com um socorrista, a relação é 30:2); 4) monitorizar o ritmo e, se houver ritmo chocável, desfibrilar com 2 J/kg (primeiro choque) e 4 J/kg (choques subsequentes); 5) administrar adrenalina 0,01 mg/kg IV/IO (nunca IM) a cada 3-5 minutos. A ventilação é tão importante que não pode ser adiada — a diretriz afirma que "ventilações de resgate devem ser iniciadas imediatamente se for seguro, seguidas de palpação de pulso e início de compressões torácicas se ausência de pulso".

A grande pegadinha desta questão é a tentativa de drenar a água dos pulmões (alternativa E) e a inversão da relação compressão-ventilação (alternativa D). A diretriz é enfática: "Evitar tentativas de drenagem da água aspirada" — manobras como colocar a vítima com a cabeça para baixo aumentam o risco de vômito e broncoaspiração, piorando o prognóstico. A água aspirada é absorvida rapidamente pela circulação; o problema não é a água nos pulmões, mas a hipóxia. Outro erro comum é usar a relação 30:2 em crianças (que é a relação do adulto) ou a frequência de 80-100 compressões por minuto (que é a frequência do adulto em diretrizes antigas).

A distinção crucial é entre a PCR de origem cardíaca (onde a prioridade é a desfibrilação precoce e as compressões contínuas) e a PCR de origem hipóxica (onde a prioridade é a ventilação e a oxigenação). No afogamento, a parada é hipóxica, então a ventilação é o pilar do tratamento. A desfibrilação precoce é importante, mas o ritmo mais comum no afogamento é a assistolia (ritmo não chocável), não a fibrilação ventricular. A adrenalina deve ser administrada por via IV/IO, nunca IM, na dose de 0,01 mg/kg (0,1 mL/kg da solução 1:10.000).

Guarde a sequência: ABC (via aérea, ventilação, compressões) + O₂ a 100% + relação 15:2 em crianças + desfibrilação 2 J/kg se ritmo chocável + adrenalina IV/IO 0,01 mg/kg. É exatamente essa combinação que separa a alternativa correta das incorretas.

  1. 1ABC (via aérea, ventilação, compressões)
  2. 2O₂ a 100%
  3. 3Relação 15:2 (dois socorristas)
  4. 4100-120 compressões/min
  5. 5Desfibrilação 2 J/kg (1º choque)
  6. 6Adrenalina 0,01 mg/kg IV/IO
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O erro está em "adiar as ventilações até o retorno da circulação espontânea". No afogamento, a parada é hipóxica, e a ventilação é a prioridade — não pode ser adiada. A diretriz afirma que "ventilações de resgate devem ser iniciadas imediatamente". Além disso, a dose de desfibrilação de 2 J/kg está correta para o primeiro choque, mas a conduta como um todo é inadequada por postergar a ventilação.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Dois erros graves: a dose de desfibrilação de 4 J/kg é para choques subsequentes, não para o primeiro (que é 2 J/kg); e a adrenalina 0,01 mg/kg por via intramuscular está errada — a via correta é IV/IO (intravenosa ou intraóssea). A adrenalina IM não é recomendada na PCR pediátrica.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta alternativa espelha exatamente a conduta recomendada: iniciar compressões torácicas imediatamente na proporção de 15:2 (relação pediátrica com dois socorristas), com frequência de 100-120 compressões por minuto, mantendo prioridade para oxigenação e ventilação com O₂ a 100%. A diretriz brasileira de 2019 afirma que a RCP no afogamento deve seguir o ABC, com ventilação de resgate imediata e compressões na relação de 30:2 (adulto) ou 15:2 (criança). A prioridade à oxigenação é o ponto-chave da PCR hipóxica.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A relação de 30 compressões para 2 ventilações é a recomendada para adultos (ou para um único socorrista em crianças). Em crianças com dois socorristas, a relação correta é 15:2. Além disso, a frequência de 80-100 compressões por minuto está abaixo da recomendada (100-120/min). A prioridade para oxigenação está correta, mas os números estão errados.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro grave: posicionar a criança em decúbito lateral para drenar a água dos pulmões. A diretriz é enfática: "Evitar tentativas de drenagem da água aspirada". Essa manobra aumenta o risco de vômito e broncoaspiração, piorando o prognóstico. A água é absorvida rapidamente; o problema é a hipóxia, não a água nos pulmões. Além disso, a conduta correta é iniciar compressões imediatamente, não após 30 segundos de ventilação.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora duas confusões clássicas: (1) a tentativa de drenar a água dos pulmões (alternativa E), que é uma prática abandonada e prejudicial — a diretriz manda "evitar tentativas de drenagem da água aspirada"; (2) a inversão da relação compressão-ventilação (alternativa D usa 30:2, que é do adulto) e da frequência (80-100, que é do adulto em diretrizes antigas). Em crianças, com dois socorristas, a relação é 15:2 e a frequência é 100-120/min. Fique atento: no afogamento, a prioridade é a ventilação (PCR hipóxica), não a desfibrilação precoce como na PCR cardíaca.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de PCR pediátrica, decore a sequência: ABC + O₂ 100% + 15:2 (dois socorristas) ou 30:2 (um socorrista) + 100-120 compressões/min + desfibrilação 2 J/kg (1º choque) e 4 J/kg (seguintes) + adrenalina 0,01 mg/kg IV/IO a cada 3-5 min. Compare com o adulto: 30:2, 100-120/min, desfibrilação 200 J (bifásico) ou 360 J (monofásico), adrenalina 1 mg IV/IO. A diferença está na relação compressão-ventilação e na dose de adrenalina.

Gabarito: letra C

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