Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — Quadrix 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg602164
Banca
Quadrix
Órgão
FMJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Especialidades com Acesso Direto
Um recém‑nascido, termo, com 7 dias de vida, foi trazido para a primeira consulta de rotina. A mãe referiu dificuldade na amamentação e acreditava que o leite materno era insuficiente. O exame físico não apontou alterações. Outros dados: peso ao nascer de 2.900 g; e peso atual: 2.755 g.Com base nesse caso clínico hipotético, assinale a opção correta.
AComo houve perda ponderal acima do esperado, será necessário introduzir fórmula láctea e suspender a amamentação.
BComo houve perda ponderal dentro do esperado, dever‑se‑á observar a amamentação durante a consulta e orientar. Nesse caso, se a criança apresentar sucções lentas, profundas e com pausas ocasionais, a pega estará inadequada.
CComo houve perda ponderal dentro do esperado, dever‑se‑á observar a amamentação durante a consulta e orientar. Nesse caso, se a criança apresentar sucções superficiais e rápidas, a pega estará adequada.
DComo houve perda ponderal dentro do esperado, dever‑se‑á observar a amamentação durante a consulta e orientar. Nesse caso, se o lábio inferior estiver evertido durante a mamada, a pega estará adequada.
EComo houve perda ponderal acima do esperado, será necessário adotar alimentação mista, mantendo‑se a amamentação com pega adequada e suplementando com fórmula láctea a cada três horas.
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GabaritoD — Como houve perda ponderal dentro do esperado, dever‑se‑á observar a amamentação durante a consulta e orientar. Nesse caso, se o lábio inferior estiver evertido durante a mamada, a pega estará adequada.
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Perda ponderal neonatal e avaliação da pega na amamentação
Gabarito: letra D. A perda de peso de 145 g (5% do peso ao nascer) em um recém-nascido a termo com 7 dias está dentro do esperado, pois a perda fisiológica máxima é de até 10% na primeira semana. A conduta correta é observar a amamentação e orientar a mãe, e a pega adequada é caracterizada por lábio inferior evertido, queixo encostado na mama e aréola mais visível acima da boca — exatamente o que a alternativa D descreve. As demais alternativas erram ao classificar a perda como acima do esperado ou ao inverter os sinais de pega adequada e inadequada.
A perda ponderal neonatal é um fenômeno fisiológico esperado nos primeiros dias de vida, decorrente da eliminação de mecônio, da perda de água extracelular e do balanço negativo entre ingestão e gasto energético. Em recém-nascidos a termo e saudáveis, a perda de até 10% do peso ao nascer é considerada normal, com recuperação do peso de nascimento geralmente entre o 7º e o 14º dia de vida. No caso apresentado, o RN nasceu com 2.900 g e, aos 7 dias, pesa 2.755 g, o que representa uma perda de 145 g, ou seja, exatamente 5% do peso ao nascer — um valor confortavelmente dentro do limite fisiológico.
A avaliação da perda ponderal deve ser feita com cálculo percentual: perda (%) = (peso ao nascer − peso atual) ÷ peso ao nascer × 100. Aplicando: (2.900 − 2.755) ÷ 2.900 × 100 = 145 ÷ 2.900 × 100 = 5%. Esse percentual está bem abaixo do limite de 10%, e mesmo a faixa de 8% a 10% pode ser normal se o exame físico estiver normal e não houver outros sinais de alerta. Portanto, não há indicação de suplementação com fórmula láctea nem de suspensão da amamentação — a conduta é observar a mamada, orientar a mãe e reavaliar.
A observação da amamentação é uma ferramenta essencial na consulta de puericultura. Os sinais de pega adequada incluem: boca bem aberta, lábio inferior evertido (voltado para fora), queixo tocando a mama, aréola mais visível acima da boca do que abaixo, e sucções lentas e profundas com pausas ocasionais, audíveis como deglutição. Já os sinais de pega inadequada incluem: lábios voltados para dentro, sucções superficiais e rápidas, estalidos, bochechas encovadas e dor materna. A alternativa D descreve corretamente o lábio inferior evertido como sinal de pega adequada.
A alternativa B erra ao afirmar que sucções lentas, profundas e com pausas ocasionais indicam pega inadequada — na verdade, esse é o padrão de sucção eficiente, que promove a transferência adequada de leite. A alternativa C erra ao inverter: sucções superficiais e rápidas são sinal de pega inadequada, não adequada. As alternativas A e E erram ao classificar a perda como acima do esperado e ao indicar suplementação, que não é necessária neste caso.
A pegadinha central desta questão é dupla: primeiro, o cálculo da perda ponderal (5% é normal, não acima do esperado); segundo, a inversão dos sinais de pega adequada e inadequada. A banca explora exatamente a confusão entre sucção eficiente (lenta e profunda) e ineficiente (superficial e rápida), e entre lábio evertido (adequado) e lábio invertido (inadequado).
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca os sinais de pega adequada e inadequada. Lembre-se: sucção lenta e profunda com pausas = pega adequada; sucção superficial e rápida = pega inadequada. E o lábio inferior evertido (para fora) é sinal de boa pega, enquanto o lábio invertido (para dentro) indica pega ruim. Além disso, a perda de 5% é fisiológica — não confunda com perda excessiva (>10%).
Perda ponderal neonatal
1Fisiológica (até 10% na 1ª semana)
Recupera entre 7º e 14º dia
Acima de 10%: avaliar suplementação
2Cálculo
(peso ao nascer − peso atual) ÷ peso ao nascer × 100
3Sinais de pega
Adequada
Lábio inferior evertido
Queixo tocando a mama
Sucção lenta e profunda com pausas
Inadequada
Lábio invertido
Sucção superficial e rápida
Estalidos, bochechas encovadas
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Erra ao afirmar que houve perda ponderal acima do esperado e que é necessário introduzir fórmula e suspender a amamentação. A perda de 5% está dentro do limite fisiológico de 10%, e a suspensão da amamentação é uma conduta agressiva e desnecessária, que contraria as recomendações de aleitamento materno exclusivo. A suplementação só é indicada em casos de perda >10%, sinais de desidratação ou baixa ingestão confirmada.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Acerta ao classificar a perda como dentro do esperado e ao indicar observação e orientação, mas erra ao afirmar que sucções lentas, profundas e com pausas ocasionais indicam pega inadequada. Esse padrão de sucção é justamente o oposto: é o padrão de sucção eficiente, que promove boa transferência de leite e está associado a pega adequada.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Acerta ao classificar a perda como dentro do esperado e ao indicar observação e orientação, mas erra ao afirmar que sucções superficiais e rápidas indicam pega adequada. Sucções superficiais e rápidas são características de pega inadequada, pois não promovem a extração eficiente do leite e podem causar dor e trauma mamilares.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Correta em todos os aspectos. A perda de 5% está dentro do esperado (limite de 10%). A conduta de observar a amamentação e orientar a mãe é a recomendada. E o lábio inferior evertido durante a mamada é um sinal clássico de pega adequada, juntamente com boca bem aberta, queixo tocando a mama e aréola mais visível acima da boca.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erra ao afirmar que houve perda ponderal acima do esperado e ao indicar alimentação mista com suplementação de fórmula a cada três horas. A perda de 5% é fisiológica, e a suplementação não é indicada neste caso. A conduta correta é observar e orientar, mantendo o aleitamento materno exclusivo.
A regra de ouro para levar à prova: perda ponderal neonatal fisiológica é de até 10% na primeira semana; acima disso, avaliar criteriosamente antes de suplementar. E na avaliação da pega, lembre-se do par: sucção lenta/profunda + lábio evertido = adequada; sucção superficial/rápida + lábio invertido = inadequada.