Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — Quadrix 2025

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
qg602172
Banca
Quadrix
Órgão
FMJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Especialidades com Acesso Direto
Uma tercigesta, com 2 partos normais prévios, com o último tendo ocorrido há 18 meses, e com idade gestacional de 32 semanas e 5 dias, compareceu ao pronto‑socorro queixando‑se de dor tipo cólica, a qual já estava ocorrendo há cerca de 4 horas. A paciente negou outras queixas, como também perdas vaginais e comorbidades. Foi diagnosticada uma boa movimentação fetal nessa paciente.• No exame físico, indicaram‑se bom estado geral, altura uterina 31 cm, BCF 130‑145 bpm sem desacelerações, movimentação fetal presente, tônus uterino normal e dinâmica uterina ausente.• No toque vaginal, identificaram‑se colo grosso, posterior, dilatação de 1 polpa justa, apresentação cefálica, ‑3 de DeLee e bolsa íntegra.Com base nesse caso clínico hipotético, assinale a opção que apresenta a orientação inicial a ser dada para essa paciente.
  1. Ainternação para inibição de trabalho de parto prematuro com terbutalina e corticoprofilaxia
  2. Binternação para antibioticoprofilaxia, corticoprofilaxia e observação se haverá evolução das contrações
  3. Cobservação clínica, vigilância materno‑fetal e avaliar necessidade de rastreio infeccioso
  4. Dobservação clínica, prescrição de cefalexina para infecção urinária empiricamente
  5. Ealta hospitalar com orientações de mobilograma
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — observação clínica, vigilância materno‑fetal e avaliar necessidade de rastreio infeccioso

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Trabalho de parto prematuro: conduta inicial na emergência obstétrica

Gabarito: letra C. A paciente apresenta dor tipo cólica há 4 horas, mas com dinâmica uterina ausente, colo grosso e posterior, dilatação de 1 polpa justa, apresentação cefálica em -3 de DeLee e bolsa íntegra — ou seja, não há trabalho de parto prematuro (TPP) estabelecido. A conduta inicial correta é a observação clínica, vigilância materno-fetal e avaliação da necessidade de rastreio infeccioso, pois a dor cólica em gestante pode ter múltiplas causas, incluindo infecção do trato urinário (ITU), que é assintomática em muitos casos. A conduta se baseia nos princípios da emergência obstétrica: sem contrações uterinas regulares e sem modificação cervical significativa, não há indicação de tocólise, corticoprofilaxia ou antibioticoprofilaxia.

O trabalho de parto prematuro é definido pela presença de contrações uterinas regulares (2 a 3 em 10 minutos, com duração de 30 a 60 segundos) associadas a modificação cervical (dilatação ≥ 2 cm ou esvaccimento ≥ 80%). No caso apresentado, a paciente tem dor tipo cólica, mas a dinâmica uterina está ausente — ou seja, não há contrações uterinas regulares. Além disso, o colo está grosso e posterior, com dilatação de apenas 1 polpa justa (cerca de 1 cm), o que não caracteriza modificação cervical significativa. A apresentação cefálica em -3 de DeLee indica que a cabeça fetal está alta, e a bolsa está íntegra. Portanto, o diagnóstico de TPP não se confirma.

A dor tipo cólica em gestante pode ter diversas etiologias: pode ser um agravo independente da gravidez (como dor musculoesquelética), um evento secundário à gestação (como dor lombar), o início do trabalho de parto, ou uma complicação específica da gravidez (como descolamento prematuro de placenta). No caso, a ausência de dinâmica uterina e a boa movimentação fetal afastam, inicialmente, o TPP e o descolamento prematuro de placenta. A dor cólica também pode ser um sintoma de infecção do trato urinário, que é comum na gestação e frequentemente assintomática ou oligossintomática. Por isso, a conduta inicial inclui a avaliação da necessidade de rastreio infeccioso, como a urocultura.

A tocólise (inibição do TPP) está indicada apenas quando há TPP estabelecido, ou seja, contrações uterinas regulares associadas a modificação cervical. A corticoprofilaxia (betametasona ou dexametasona) está indicada para maturação pulmonar fetal em gestações entre 24 e 34 semanas com risco iminente de parto prematuro. A antibioticoprofilaxia para estreptococo do grupo B (EGB) está indicada quando há trabalho de parto prematuro ou rotura prematura de membranas, com rastreio positivo ou desconhecido. Nenhuma dessas intervenções se aplica ao caso, pois não há TPP estabelecido.

A conduta correta é a observação clínica, com vigilância materno-fetal (monitorização dos BCF, dinâmica uterina e sinais vitais) e avaliação da necessidade de rastreio infeccioso (como urocultura e exame de urina tipo I), pois a ITU é uma causa comum de dor cólica em gestantes e pode desencadear TPP. A paciente deve ser orientada a retornar ao serviço de emergência se houver piora da dor, surgimento de contrações regulares, perda de líquido ou sangramento vaginal.

A pegadinha desta questão está em confundir dor tipo cólica com trabalho de parto prematuro. A banca induz o candidato a escolher uma alternativa que envolva internação e intervenções (tocólise, corticoides, antibióticos), mas a ausência de dinâmica uterina e a modificação cervical mínima afastam o diagnóstico de TPP. O candidato deve lembrar que o diagnóstico de TPP exige contrações uterinas regulares associadas a modificação cervical — sem esses dois elementos, não há indicação de tocólise ou corticoprofilaxia.

1Diagnóstico exige
Contrações regulares (2-3/10 min)
Modificação cervical (≥2 cm ou ≥80%)
2Sem TPP estabelecido
Dinâmica uterina ausente
Colo grosso/posterior, 1 polpa justa
Bolsa íntegra
3Conduta inicial
Observação clínica
Vigilância materno-fetal
Avaliar rastreio infeccioso (ITU)
4Intervenções só com TPP
Tocólise (terbutalina)
Corticoprofilaxia (24-34 sem)
Antibioticoprofilaxia (EGB)
Trabalho de parto prematuro (TPP)
LEVELsoulevel.com.br
Trabalho de parto prematuro (TPP): Diagnóstico exige (Contrações regulares (2-3/10 min), Modificação cervical (≥2 cm ou ≥80%)); Sem TPP estabelecido (Dinâmica uterina ausente, Colo grosso/posterior, 1 polpa justa, Bolsa íntegra); Conduta inicial (Observação clínica, Vigilância materno-fetal, Avaliar rastreio infeccioso (ITU)); Intervenções só com TPP (Tocólise (terbutalina), Corticoprofilaxia (24-34 sem), Antibioticoprofilaxia (EGB))

Alternativa A — ❌ Incorreta

A internação para inibição do TPP com terbutalina e corticoprofilaxia está indicada apenas quando há TPP estabelecido, ou seja, contrações uterinas regulares associadas a modificação cervical. No caso, a dinâmica uterina está ausente e o colo está grosso e posterior, com dilatação de apenas 1 polpa justa — não há TPP. A terbutalina é um tocolítico usado para inibir contrações uterinas, mas não há contrações para inibir. A corticoprofilaxia (betametasona ou dexametasona) está indicada para maturação pulmonar fetal em gestações entre 24 e 34 semanas com risco iminente de parto prematuro, o que não é o caso.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A internação para antibioticoprofilaxia, corticoprofilaxia e observação está incorreta porque não há indicação de antibioticoprofilaxia (que é para estreptococo do grupo B em caso de TPP ou rotura prematura de membranas) nem de corticoprofilaxia (que é para risco iminente de parto prematuro). A paciente não tem TPP estabelecido, portanto não há indicação dessas intervenções. A observação clínica pode ser feita em ambiente ambulatorial, sem necessidade de internação.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A observação clínica, vigilância materno-fetal e avaliação da necessidade de rastreio infeccioso é a conduta inicial correta. A paciente apresenta dor tipo cólica, mas sem dinâmica uterina e sem modificação cervical significativa — não há TPP estabelecido. A dor cólica pode ser causada por infecção do trato urinário, que é comum na gestação e frequentemente assintomática. Por isso, a avaliação da necessidade de rastreio infeccioso (como urocultura) é apropriada. A vigilância materno-fetal inclui monitorização dos BCF, dinâmica uterina e sinais vitais, além de orientações para retorno em caso de piora.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A prescrição de cefalexina para infecção urinária empiricamente está incorreta porque não há diagnóstico de ITU confirmado. A paciente nega outras queixas, e não há dados de exame de urina ou urocultura. A prescrição empírica de antibiótico sem confirmação diagnóstica não é recomendada, especialmente na gestação. A conduta correta é avaliar a necessidade de rastreio infeccioso (coletar urina para exame e cultura) e, somente se houver confirmação de ITU, iniciar antibioticoterapia adequada.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alta hospitalar com orientações de mobilograma está incorreta porque a paciente apresenta dor tipo cólica, que pode ser um sinal de alerta para complicações obstétricas (como TPP ou descolamento prematuro de placenta) ou infecção do trato urinário. A conduta correta é a observação clínica e vigilância materno-fetal, com avaliação da necessidade de rastreio infeccioso, antes de liberar a paciente. A alta hospitalar sem investigação adequada pode levar a complicações graves.

Gabarito: letra C

Link permanente: /questoes/qg602172