Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — Quadrix 2025
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
qg602180
Banca
Quadrix
Órgão
FMJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Especialidades com Acesso Direto
Um dos melhores métodos de avaliação da cavidade uterina é a histeroscopia. A respeito dessa propedêutica, assinale a opção correta.
ACom os modernos histeroscópios, como o de Bettocchi, não é mais necessária a distensão da cavidade uterina, seja com gás ou com líquido.
BA biópsia orientada é preferível à dirigida por coletar material para exame anatomopatológico com melhor acurácia.
CNa histeroscopia ambulatorial, o pinçamento do colo uterino em úteros retrovertidos deve ser feito nas laterais do colo uterino.
DNa suspeita de câncer do endométrio, a distensão da cavidade uterina deve ser feita com gás para não haver passagem de células malignas para a cavidade abdominal.
EQuando se usa corrente elétrica bipolar, o meio de distensão preferencial é o soro fisiológico.
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GabaritoE — Quando se usa corrente elétrica bipolar, o meio de distensão preferencial é o soro fisiológico.
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Histeroscopia: Avaliação da Cavidade Uterina
Gabarito: letra E. Na histeroscopia cirúrgica com corrente elétrica bipolar, o meio de distensão preferencial é o soro fisiológico (solução salina a 0,9%), pois é uma solução eletrolítica que conduz a corrente bipolar com segurança, evitando complicações como a hiponatremia associada a meios não eletrolíticos (glicina, sorbitol) usados na monopolar. As demais alternativas contêm erros técnicos sobre a necessidade de distensão, o tipo de biópsia, o pinçamento cervical e o meio de distensão na suspeita de câncer endometrial.
A histeroscopia é um procedimento que permite a visualização direta da cavidade uterina, sendo considerada o padrão-ouro para o diagnóstico de patologias intracavitárias, como pólipos, miomas submucosos, sinéquias e neoplasias. Para que a cavidade seja visualizada, é imprescindível a sua distensão, que pode ser feita com gás carbônico (CO₂) ou com soluções líquidas. A escolha do meio de distensão depende do tipo de energia utilizada (monopolar ou bipolar) e do objetivo do procedimento (diagnóstico ou cirúrgico).
A distensão com gás carbônico é utilizada principalmente em histeroscopia diagnóstica, pois proporciona boa visão com baixo custo, mas não é adequada para procedimentos cirúrgicos, pois não permite a lavagem da cavidade e pode causar embolia gasosa em casos de lesão vascular. Já os meios líquidos são preferidos para a histeroscopia cirúrgica, pois permitem a irrigação contínua, a remoção de debris e a manutenção de uma pressão adequada. Entre os líquidos, distinguem-se os eletrolíticos (soro fisiológico, Ringer lactato) e os não eletrolíticos (glicina, sorbitol, manitol).
A corrente elétrica monopolar exige o uso de meios não eletrolíticos, pois a corrente dispersa pelo corpo do paciente e o meio eletrolítico dissiparia a energia, além de causar queimaduras. Já a corrente bipolar, que passa apenas entre os dois polos do instrumento, permite o uso de soluções eletrolíticas, como o soro fisiológico, que é mais fisiológico e seguro, reduzindo o risco de hiponatremia e de síndrome de hipervolemia dilucional, complicações graves associadas ao uso de glicina e sorbitol.
Na suspeita de câncer endometrial, a distensão com gás carbônico é contraindicada, pois há risco teórico de disseminação de células malignas para a cavidade abdominal através das tubas uterinas. Por isso, recomenda-se o uso de meio líquido, que, embora também possa carrear células, é preferível por permitir controle da pressão e da quantidade infundida. Além disso, a pressão de distensão deve ser mantida a mais baixa possível para minimizar o refluxo tubário.
A biópsia orientada, realizada sob visualização direta, é superior à biópsia "às cegas" (como a curetagem uterina), pois permite a coleta de material do local exato da lesão, aumentando a acurácia diagnóstica. A alternativa B inverte essa lógica, afirmando que a biópsia dirigida é preferível à orientada, o que é incorreto.
O pinçamento do colo uterino durante a histeroscopia ambulatorial é uma manobra que visa estabilizar o útero e reduzir o desconforto. Em úteros retrovertidos, o pinçamento deve ser feito no lábio posterior do colo, e não nas laterais, para tracionar o útero e alinhar o canal cervical com o eixo da cavidade. A alternativa C erra ao afirmar que o pinçamento deve ser feito nas laterais.
A alternativa A afirma que os modernos histeroscópios, como o de Bettocchi, dispensam a distensão da cavidade. Isso é falso: mesmo os histeroscópios de menor calibre, como o Bettocchi (que permite procedimentos operatórios ambulatoriais), necessitam de distensão para afastar as paredes uterinas e permitir a visualização. O Bettocchi é um histeroscópio de 5 mm com canal de trabalho, mas a distensão continua sendo essencial.
Portanto, a alternativa E é a única correta, pois reflete a prática clínica atual: na histeroscopia com energia bipolar, o soro fisiológico é o meio de distensão preferencial.
Histeroscopia
1Meio de distensão
Gás (CO₂)
Diagnóstica
Contraindicado no câncer (disseminação)
Líquido
Eletrolítico (soro fisiológico)
Bipolar
Não eletrolítico (glicina, sorbitol)
Monopolar
2Biópsia
Orientada (visão direta)
Melhor acurácia
Dirigida (às cegas)
Inferior
3Pinçamento do colo
Útero retrovertido
Lábio posterior
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que não é mais necessária a distensão da cavidade uterina com os modernos histeroscópios, como o de Bettocchi. Errado: a distensão é indispensável em qualquer histeroscopia, pois é ela que afasta as paredes uterinas e permite a visualização da cavidade. O histeroscópio de Bettocchi, embora seja de menor calibre e permita procedimentos ambulatoriais, ainda requer distensão, seja com gás ou com líquido. A banca tenta confundir o candidato ao sugerir que a tecnologia eliminou essa etapa, o que não ocorre.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que a biópsia orientada é preferível à dirigida por coletar material com melhor acurácia. Errado: a biópsia orientada (sob visão direta) é superior à biópsia "às cegas" (dirigida), pois permite a coleta do local exato da lesão, aumentando a acurácia diagnóstica. A alternativa inverte os termos: a biópsia orientada é a que tem melhor acurácia, não a dirigida. A banca troca os conceitos para confundir.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que, na histeroscopia ambulatorial, o pinçamento do colo uterino em úteros retrovertidos deve ser feito nas laterais do colo. Errado: em úteros retrovertidos, o pinçamento deve ser feito no lábio posterior do colo, para tracionar o útero e alinhar o canal cervical com o eixo da cavidade. O pinçamento lateral não é a técnica recomendada. A banca erra ao indicar a localização do pinçamento.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que, na suspeita de câncer do endométrio, a distensão da cavidade uterina deve ser feita com gás para não haver passagem de células malignas para a cavidade abdominal. Errado: o gás carbônico é contraindicado nessa situação, pois há risco teórico de disseminação de células malignas pela tuba uterina. O meio líquido é preferível, pois permite controle da pressão e da quantidade infundida, minimizando o refluxo. A alternativa inverte a recomendação, sugerindo o gás como seguro, quando na verdade é o líquido o mais indicado.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que, quando se usa corrente elétrica bipolar, o meio de distensão preferencial é o soro fisiológico. Correto: a corrente bipolar permite o uso de soluções eletrolíticas, como o soro fisiológico, que é mais fisiológico e seguro, reduzindo o risco de hiponatremia e de síndrome de hipervolemia dilucional, complicações associadas ao uso de meios não eletrolíticos (glicina, sorbitol) na monopolar. Essa é a prática clínica recomendada.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os meios de distensão e os tipos de energia. O candidato pode lembrar que a glicina é usada na monopolar e, por associação, achar que o soro fisiológico é contraindicado na bipolar. Mas é exatamente o contrário: a bipolar permite o soro fisiológico, que é mais seguro. Fique atento a essa inversão.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, lembre-se: monopolar → meio não eletrolítico (glicina, sorbitol); bipolar → meio eletrolítico (soro fisiológico). Essa é a regra de ouro da histeroscopia cirúrgica. Na suspeita de câncer, prefira líquido ao gás, para evitar disseminação de células.