Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — Quadrix 2025
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
qg602187
Banca
Quadrix
Órgão
FMJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Especialidades com Acesso Direto
Uma paciente com 16 anos de idade, em amenorreia primária, foi diagnosticada com síndrome de Turner, na forma não mosaico.Com base nesse caso clínico hipotético, em relação a esse diagnóstico, é correto afirmar que
Aisso trata de uma de anomalia de desenvolvimento dos ductos de Müller, uma vez que a paciente não tem útero, tubas e terço superior da vagina.
Bas dosagens plasmáticas de FSH e LH deverão estar elevadas. A de estradiol, baixa.
Ctrata‑se de deficiência hipofisária primária e a paciente deve ser tratada com GnRH.
Dsempre é possível a coleta de óvulos e fertilização in vitro, com estimulação ovariana.
Eessa síndrome é, também, conhecida como síndrome dos testículos feminizantes e deve‑se fazer a cirurgia de retirada dos testículos.
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GabaritoB — as dosagens plasmáticas de FSH e LH deverão estar elevadas. A de estradiol, baixa.
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Síndrome de Turner e amenorreia primária
Gabarito: letra B. Na síndrome de Turner, a disgenesia gonadal leva a um hipogonadismo hipergonadotrófico: as gônadas em fita não produzem estradiol, e a ausência de retrocontrole negativo faz FSH e LH ficarem elevados. É exatamente esse padrão hormonal que a alternativa B descreve.
A síndrome de Turner é uma cromossomopatia — a paciente nasce com um cariótipo 45,X (monossomia do X) ou com mosaicismo — e a manifestação clínica central é a disgenesia gonadal: as gônadas são substituídas por faixas fibrosas (gônadas em fita), sem folículos funcionantes. Como não há produção de estradiol, o eixo hipotálamo-hipófise-ovário é ativado na puberdade, mas não encontra resposta ovariana. O resultado é o quadro clássico de hipogonadismo hipergonadotrófico: FSH e LH elevados, estradiol baixo. É esse o mecanismo que a alternativa B descreve com precisão.
O diagnóstico diferencial da amenorreia primária é guiado pela presença ou ausência de caracteres sexuais secundários e pela dosagem de FSH. Quando o FSH está elevado, a causa é ovariana — e a disgenesia gonadal responde por cerca de metade dos casos de amenorreia primária. Quando o FSH está normal ou baixo, pensa-se em causas centrais (hipotalâmicas ou hipofisárias) ou em anomalias müllerianas, como a síndrome de Rokitansky-Küster-Hauser, em que há defeito no desenvolvimento dos ductos de Müller e a paciente não tem útero, mas tem ovários funcionantes e hormônios normais.
A distinção crucial é entre a disgenesia gonadal (Turner) e as outras causas de amenorreia primária:
Critério
Síndrome de Turner
Síndrome de Rokitansky
Insensibilidade androgênica
Cariótipo
45,X (ou mosaico)
46,XX
46,XY
Gônadas
Disgenéticas (fita)
Ovários funcionantes
Testículos
Útero
Presente (hipoplásico)
Ausente
Ausente
FSH/LH
Elevados
Normais
Normais
Estradiol
Baixo
Normal
Normal (converte de testosterona)
A pegadinha da banca está em confundir a síndrome de Turner com as síndromes de origem mülleriana ou androgênica. A alternativa A descreve a síndrome de Rokitansky-Küster-Hauser, que é uma anomalia dos ductos de Müller — mas na Turner o útero está presente, apenas hipoestimulado. A alternativa E descreve a síndrome de insensibilidade androgênica (síndrome de Morris), em que há testículos e fenótipo feminino — mas o cariótipo é 46,XY, não 45,X. A alternativa C inverte o mecanismo: na Turner o problema é gonadal, não hipofisário. E a alternativa D é uma generalização incorreta: a reserva ovariana na Turner é drasticamente reduzida, e a coleta de óvulos raramente é possível.
Guarde o padrão hormonal como o critério decisivo: FSH elevado + estradiol baixo = falência gonadal primária (Turner). É exatamente esse padrão que separa a alternativa correta das demais.
Amenorreia primária
1FSH/LH elevados
Disgenesia gonadal (Turner)
Cariótipo 45,X
Gônadas em fita
Útero presente
2FSH/LH normais
Anomalia mülleriana (Rokitansky)
Cariótipo 46,XX
Útero ausente
Insensibilidade androgênica
Cariótipo 46,XY
Testículos
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Descreve a síndrome de Rokitansky-Küster-Hauser, uma anomalia do desenvolvimento dos ductos de Müller, em que a paciente não tem útero, tubas e terço superior da vagina. Na síndrome de Turner, os ductos müllerianos se desenvolvem normalmente — o útero está presente, apenas hipoestimulado pela ausência de estradiol. A banca troca a causa: na Turner o defeito é gonadal (disgenesia), não mülleriano.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Na disgenesia gonadal da síndrome de Turner, as gônadas em fita não produzem estradiol. A ausência de retrocontrole negativo sobre a hipófise faz com que FSH e LH fiquem elevados — o chamado hipogonadismo hipergonadotrófico. É exatamente o que a alternativa afirma: FSH e LH elevados, estradiol baixo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Inverte o mecanismo fisiopatológico. Na síndrome de Turner, o problema é gonadal (ovariano), não hipofisário. A deficiência hipofisária primária cursaria com FSH e LH baixos (hipogonadismo hipogonadotrófico), não elevados. O tratamento com GnRH não se aplica — a paciente tem FSH e LH altos, e a conduta é reposição de estrogênio para induzir puberdade e proteger a massa óssea.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Generalização indevida. Na síndrome de Turner, a reserva ovariana é drasticamente reduzida — as gônadas são disgenéticas, em fita, sem folículos funcionantes. A coleta de óvulos e a fertilização in vitro raramente são possíveis; a maioria das pacientes é infértil. A afirmação "sempre é possível" é incorreta justamente por ignorar a falência gonadal.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Confunde a síndrome de Turner com a síndrome de insensibilidade androgênica (síndrome de Morris, também chamada de síndrome dos testículos feminizantes). Nesta, o cariótipo é 46,XY, há testículos e fenótipo feminino, e a orquiectomia está indicada pelo risco de malignização. Na Turner, o cariótipo é 45,X, não há testículos — há gônadas em fita — e não há indicação de cirurgia de retirada de testículos.
NÃO CAIA NESSA!
A banca mistura três síndromes que cursam com amenorreia primária: Turner (disgenesia gonadal, 45,X), Rokitansky (anomalia mülleriana, 46,XX) e insensibilidade androgênica (46,XY). O critério que separa é o cariótipo e o padrão hormonal: na Turner, FSH/LH elevados e estradiol baixo; nas outras duas, hormônios normais. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪