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Questão de Medicina — Cirurgia Geral — Quadrix 2025

MedicinaCirurgia Geral
Código
qg602217
Banca
Quadrix
Órgão
FMJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Especialidades com Acesso Direto
Assinale a opção correta, acerca das queimaduras.
  1. AA reanimação de doentes pediátricos com menos de 30 kg deve ser realizada somente com ringer lactato.
  2. BA reanimação de doentes pediátricos com menos de 30 kg deve ser realizada com 1 ml de ringer lactato/ peso em kg/% área de superfície corporal queimada.
  3. CEm adultos, o débito urinário esperado deve ser de 1 ml/kg/hora.
  4. DEm adultos, metade do volume de líquido total estimado deve ser administrado nas primeiras oito horas após a queimadura.
  5. EA lesão por inalação não aumenta a quantidade de volume necessário para a reposição volêmica.
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GabaritoD — Em adultos, metade do volume de líquido total estimado deve ser administrado nas primeiras oito horas após a queimadura.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reanimação volêmica do paciente queimado

Gabarito: letra D. Na reanimação volêmica do adulto queimado, a fórmula de Parkland (4 mL × peso × %SCQ) estima o volume total das primeiras 24 horas, e metade desse volume deve ser infundida nas primeiras 8 horas após a queimadura — exatamente o que a alternativa D afirma. As demais opções erram ao fixar o ringer lactato como única solução na criança, ao usar 1 mL/kg/%SCQ (que não é a fórmula pediátrica), ao pedir débito urinário de 1 mL/kg/h no adulto (o alvo é 0,5–1 mL/kg/h) e ao negar o aumento volêmico na lesão inalatória.

A reanimação volêmica do grande queimado é um dos pilares do atendimento inicial e busca compensar a perda de líquido para o interstício decorrente do aumento de permeabilidade capilar. As fórmulas (Parkland, Brooke, Galveston) são apenas pontos de partida — devem ser individualizadas e monitoradas pela diurese, que é o parâmetro clínico mais fiel. No adulto, a fórmula clássica de Parkland calcula 4 mL × peso (kg) × superfície corporal queimada (%), e a infusão é dividida em duas etapas: metade nas primeiras 8 horas (contadas do momento da queimadura, não da chegada ao hospital) e a outra metade nas 16 horas seguintes. Essa divisão reflete o pico de edema e a necessidade de restaurar rapidamente o volume intravascular.

Na criança, a fórmula de Parkland modificada usa 3 mL × peso × %SCQ (máximo 50%) e acrescenta a solução de manutenção com glicose, porque a criança tem reservas limitadas de glicogênio e risco maior de hipoglicemia. A alternativa A erra ao dizer que a reanimação pediátrica é "somente" com ringer lactato — a criança < 30 kg recebe, além do RL, solução glicosada a 5%. A alternativa B erra ao usar 1 mL/kg/%SCQ, que não corresponde a nenhuma fórmula consagrada (a pediátrica é 3 mL/kg/%SCQ).

O débito urinário é o marcador de adequação da reposição: no adulto, a meta é 0,5–1 mL/kg/h; na criança, 1–2 mL/kg/h. A alternativa C inverte esse alvo ao pedir 1 mL/kg/h no adulto como regra — o valor de 1 mL/kg/h é o teto do adulto, mas a faixa correta é 0,5–1. Já a lesão por inalação aumenta a necessidade volêmica, pois o dano das vias aéreas amplia a perda de líquido e a resposta inflamatória — a alternativa E nega exatamente esse aumento.

A pegadinha central da questão é a mistura de valores e alvos entre as fórmulas e entre as faixas etárias. Guarde o par adulto × criança e os alvos de diurese: é nessa fronteira que as alternativas se separam.

  1. 1Calcular volume (Parkland)
  2. 2Metade nas 1ªs 8h
  3. 3Metade nas 16h seguintes
  4. 4Monitorar diurese
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a reanimação pediátrica (< 30 kg) deve ser realizada somente com ringer lactato. O erro está no "somente": a criança com menos de 30 kg recebe, além do RL calculado pela fórmula, solução glicosada a 5% para prevenir hipoglicemia, já que as reservas de glicogênio se esgotam rapidamente. A reanimação pediátrica nunca é só cristaloide — a manutenção com glicose é parte integrante do protocolo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Propõe 1 mL de ringer lactato/kg/%SCQ para crianças < 30 kg. Esse valor não corresponde a nenhuma fórmula pediátrica consagrada. A fórmula de Parkland modificada para crianças usa 3 mL × peso × %SCQ (máximo 50%) + solução de manutenção. O valor de 1 mL/kg/%SCQ não tem respaldo na literatura e provavelmente confunde o candidato com a fração da fórmula de Brooke (2 mL) ou com o volume por hora do manejo inicial.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que o débito urinário esperado no adulto é de 1 mL/kg/hora. O alvo correto no adulto é 0,5–1 mL/kg/h — a faixa inclui 1, mas a alternativa fixa o teto como se fosse a regra única, ignorando o limite inferior. Na criança, o alvo é 1–2 mL/kg/h. A banca troca a faixa do adulto pela da criança, uma inversão clássica.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta ao afirmar que, no adulto, metade do volume total estimado deve ser administrado nas primeiras 8 horas após a queimadura. Essa é a divisão temporal da fórmula de Parkland (4 mL × peso × %SCQ): metade nas primeiras 8 horas e a outra metade nas 16 horas seguintes. O texto de apoio confirma: "2 mL RL × peso (kg) × SCQ (%), sendo metade do volume calculado infundido nas primeiras 8 horas (calculadas a partir do acidente)".

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que a lesão por inalação não aumenta o volume necessário. É o oposto: pacientes com lesão inalatória ou múltiplos traumas podem necessitar de maior quantidade de volume do que o previsto nas fórmulas para atingir oferta adequada de oxigênio. O dano das vias aéreas amplia a resposta inflamatória e a perda de líquido, exigindo reposição mais agressiva.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura os alvos de diurese entre adulto e criança (0,5–1 vs 1–2 mL/kg/h) e nega o aumento volêmico na lesão inalatória — dois erros que o candidato comete ao decorar valores soltos sem associá-los à faixa etária. Na prova, desconfie de "somente", "sempre" e de valores fixos fora da faixa.

PEGA ESSA DICA!

Para fixar, monte o quadro mental: adulto = Parkland 4 mL/kg/%SCQ, metade em 8h, diurese 0,5–1; criança = Parkland modificada 3 mL/kg/%SCQ (máx 50%) + manutenção com glicose, diurese 1–2; lesão inalatória = aumenta volume. Resolver questões com esses números fixa o padrão.

Gabarito: letra D

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