Questão de Medicina — Gastroenterologia — Quadrix 2025
Medicina›Gastroenterologia
Código
qg602218
Banca
Quadrix
Órgão
FMJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Especialidades com Acesso Direto
Paciente masculino, de 33 anos de idade com queixa de sangramento, dor e abaulamento anal há 5 semanas. Nega comorbidades. Refere pouca ingesta de fibras e 3 litros de água por dia. Hábito intestinal 1x por semana com fezes endurecidas. Ao exame, presença de plicoma na região posterior do ânus associado a ulceração, papila hipertrófica e hipertonia esfincteriana.Com base nesse caso clínico hipotético, assinale a opção que apresenta o tratamento correto.
Atratamento tópico com diltiazen a 2%, óleo mineral 15 ml 2x ao dia, 40 gramas de fibra por dia e higiene com água após a evacuação
Btratamento tópico com Xilocaína a 4%, bisacodil 1 comprimido 1x ao dia, 20 gramas de fibra por dia e higiene com lenço umedecido após a evacuação
Ctratamento tópico com corticoide, tamarine 1 comprimido 2x ao dia, 30 gramas de fibra por dia e higiene com água após a evacuação
Dtratamento tópico com pomada contendo vitamina B, bisacodil 1 comprimido 3x ao dia, 40 gramas de fibra por dia e higiene com água após a evacuação
Etratamento tópico com nifedipina, tamarine 1 comprimido ao dia, 30 gramas de fibra por dia e higiene com lenço umedecido após a evacuação seguido de banho de assento com água morna
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GabaritoA — tratamento tópico com diltiazen a 2%, óleo mineral 15 ml 2x ao dia, 40 gramas de fibra por dia e higiene com água após a evacuação
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Fissura Anal Crônica: Tratamento Clínico
Gabarito: letra A. O caso descreve fissura anal crônica (ulceração associada a plicoma, papila hipertrófica e hipertonia esfincteriana), cujo tratamento clínico de primeira linha combina relaxamento do esfíncter com diltiazem tópico a 2%, amolecimento fecal com óleo mineral, aumento da ingestão de fibras (40 g/dia) e higiene anal com água após evacuação. As demais alternativas erram ao usar laxativos estimulantes (bisacodil, tamarine), que são contraindicados por aumentarem o esforço evacuatório, ou ao indicar higiene com lenço umedecido, que irrita a região.
A fissura anal é uma ulceração linear no canal anal, quase sempre na linha média posterior, causada por trauma evacuatório (fezes endurecidas) que leva a espasmo do esfíncter interno. O espasmo reduz o fluxo sanguíneo local, dificultando a cicatrização e perpetuando a lesão — por isso o tratamento visa quebrar esse ciclo: relaxar o esfíncter, amolecer as fezes e reduzir o trauma local. A fissura é considerada crônica quando dura mais de 6 semanas, e o caso apresenta os sinais clássicos de cronicidade: plicoma (hipertrofia da pele perianal), papila hipertrófica e hipertonia esfincteriana.
O tratamento clínico de primeira linha inclui: (1) relaxantes do esfíncter tópicos — diltiazem 2% ou nifedipina 0,2–0,3%, que reduzem a hipertonia sem os efeitos colaterais dos nitratos (cefaleia); (2) amolecedores fecais — óleo mineral (laxativo lubrificante) ou psyllium, que facilitam a evacuação sem estimular o peristaltismo; (3) aumento de fibras — 25–40 g/dia, que amolecem o bolo fecal; (4) higiene anal adequada — com água após evacuação, evitando sabonetes e lenços que irritam; e (5) banho de assento com água morna 2–3x/dia, que relaxa o esfíncter e melhora a higiene. A cirurgia (esfincterotomia lateral interna) fica reservada para falha do tratamento clínico.
A pegadinha central está nos laxativos: bisacodil e tamarine (sene) são laxativos estimulantes, que aumentam o peristaltismo e o esforço evacuatório — exatamente o que se quer evitar na fissura. O correto é usar laxativos lubrificantes (óleo mineral) ou formadores de bolo (fibras). Além disso, a higiene com lenço umedecido, embora comum, pode conter álcool e fragrâncias que irritam a fissura; a recomendação é lavar com água. A alternativa E, apesar de citar nifedipina (correta) e banho de assento (correto), erra ao usar tamarine e lenço umedecido.
Guarde o tripé do tratamento clínico da fissura: relaxar o esfíncter + amolecer as fezes + higiene adequada. É exatamente nesses três eixos que as alternativas se separam.
Fissura anal crônica
1Tratamento correto
Relaxar esfíncter
Diltiazem 2% tópico
Nifedipina tópica
Amolecer fezes
Óleo mineral
25–40 g de fibras/dia
Higiene adequada
Água após evacuação
Banho de assento
2Distratores
Laxativos estimulantes
Bisacodil
Tamarine (sene)
Higiene com lenço umedecido
Anestésico tópico (Xilocaína)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a conduta completa e correta. O diltiazem tópico a 2% é um bloqueador de canal de cálcio que relaxa o esfíncter anal interno, reduzindo a hipertonia e melhorando o fluxo sanguíneo local — tratamento de primeira linha para fissura crônica. O óleo mineral 15 ml 2x/dia é um laxativo lubrificante que amolece as fezes sem estimular o peristaltismo, facilitando a evacuação sem trauma. As 40 g de fibra por dia aumentam o bolo fecal e amolecem as fezes. A higiene com água após evacuação evita a irritação local por sabonetes ou lenços. Todos os componentes estão alinhados com a fisiopatologia da fissura.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erra ao usar Xilocaína a 4% (anestésico local) como tratamento tópico principal — não trata a hipertonia esfincteriana, apenas alivia a dor temporariamente. O bisacodil é laxativo estimulante, contraindicado por aumentar o peristaltismo e o esforço evacuatório. A higiene com lenço umedecido pode irritar a região. A dose de 20 g de fibra é insuficiente (recomenda-se 25–40 g).
Alternativa C — ❌ Incorreta
O corticoide tópico não é o tratamento de escolha — pode até piorar a atrofia da pele perianal. O tamarine (sene) é laxativo estimulante, contraindicado. A dose de 30 g de fibra é aceitável, mas os demais erros invalidam a alternativa.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A pomada com vitamina B não tem papel no tratamento da fissura. O bisacodil 3x/dia é laxativo estimulante em dose alta, totalmente contraindicado. Apesar das 40 g de fibra e higiene com água corretas, os erros centrais persistem.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A nifedipina tópica é correta (relaxante do esfíncter, alternativa ao diltiazem), e o banho de assento é benéfico. Porém, o tamarine (laxativo estimulante) é contraindicado, e a higiene com lenço umedecido irrita a fissura. A alternativa mistura acertos e erros, mas os erros a tornam incorreta.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca o tipo de laxativo para confundir. Na fissura anal, o que se quer é amolecer as fezes (laxativo lubrificante — óleo mineral) e não estimular o intestino (evitar bisacodil e tamarine, que são estimulantes e aumentam o esforço evacuatório). Se a alternativa trouxer "bisacodil" ou "tamarine", elimine-a — é o distrator clássico.
PEGA ESSA DICA!
Monte o esquema mental do tratamento da fissura: 1) relaxar esfíncter (diltiazem/nifedipina tópico) + 2) amolecer fezes (óleo mineral + 25–40 g fibras) + 3) higiene com água (evitar lenços/sabonetes). Se qualquer alternativa fugir desse tripé, está errada. Compare: