Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — Quadrix 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg602225
Banca
Quadrix
Órgão
FMJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Especialidades com Acesso Direto
Assinale a opção correta, em relação à hérnia umbilical na criança.
AOrientais, síndrome de Down e peso acima de 3 kg no nascimento são os principais fatores de risco.
BGrande parte dessas hérnias fecham espontaneamente até o quarto ou quinto ano de vida.
CEssa condição é incomum nos recém‑nascidos, mas, quando se faz presente, apresenta um alto risco de encarceramento.
DO ultrassom da parede abdominal deve ser solicitado, em caso de indicação de cirurgia.
ENão é recomendada atividade física até que a hérnia seja resolvida.
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GabaritoB — Grande parte dessas hérnias fecham espontaneamente até o quarto ou quinto ano de vida.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Hérnia umbilical na criança: história natural e manejo
Gabarito: letra B. A grande maioria das hérnias umbilicais na criança fecha espontaneamente até o quarto ou quinto ano de vida, sendo o manejo expectante seguro até os 5 anos de idade, independentemente do tamanho do defeito. Essa é a regra de ouro da conduta pediátrica, e é exatamente o que a alternativa B afirma.
A hérnia umbilical é uma das afecções cirúrgicas mais comuns na infância. Ela resulta do fechamento incompleto do anel umbilical após a queda do coto, deixando uma falha na fáscia por onde pode protruir conteúdo abdominal (geralmente omento ou alça intestinal). Diferentemente da hérnia inguinal — que não regride e exige correção cirúrgica precoce —, a umbilical tem altíssima taxa de fechamento espontâneo: cerca de 80% a 90% dos casos se resolvem sozinhos nos primeiros anos de vida. O pico de fechamento ocorre até os 4–5 anos, e por isso a conduta expectante é a recomendação padrão até essa idade, mesmo para defeitos grandes. A cirurgia fica reservada para os casos que persistem após os 5 anos, para defeitos muito volumosos, ou para complicações como encarceramento ou estrangulamento.
O que explica essa evolução favorável? O anel umbilical da criança pequena ainda está em processo de maturação e contração. Com o crescimento, a fáscia tende a se aproximar e fechar o defeito. Já no adulto, a hérnia umbilical não regride e está associada a aumento da pressão intra-abdominal (obesidade, ascite, gestação), com risco real de encarceramento — por isso a conduta é cirúrgica. Essa diferença entre criança e adulto é um dos pontos que a banca explora.
Na criança, o risco de complicações é baixo, mas não é zero. Quando o anel herniário é pequeno e rígido, há maior chance de encarceramento — o conteúdo não retorna espontaneamente à cavidade. Se houver sofrimento vascular, evolui para estrangulamento, que é emergência cirúrgica. Por isso, apesar de a maioria fechar sozinha, os pais devem ser orientados a procurar atendimento se a hérnia ficar dolorosa, irredutível ou com sinais inflamatórios.
O diagnóstico é essencialmente clínico, por inspeção e palpação. Exames de imagem raramente são necessários — apenas em casos duvidosos, como em crianças obesas com hérnias pequenas. Não há indicação rotineira de ultrassom, nem para diagnóstico nem no pré-operatório de rotina. A atividade física não é contraindicada: a criança pode brincar e se exercitar normalmente, pois isso não impede o fechamento nem aumenta o risco de complicação.
Guarde a fronteira que decide esta questão: hérnia umbilical na criança = conduta expectante até 5 anos, com alta taxa de fechamento espontâneo; hérnia umbilical no adulto = correção cirúrgica, pois não regride e há risco de encarceramento. É nessa distinção que as alternativas se dividem.
Hérnia umbilical na criança: História natural (Fecha espontaneamente até 4–5 anos, Alta taxa de fechamento (80–90%), Manejo expectante até 5 anos); Fatores de risco (Prematuridade, Baixo peso ao nascer, Afrodescendência); Complicações (Encarceramento (anel pequeno/rígido), Estrangulamento (emergência)); Conduta (Diagnóstico clínico, Ultrassom não é rotina, Atividade física liberada, Cirurgia: após 5 anos ou complicação)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que orientais, síndrome de Down e peso acima de 3 kg ao nascimento são os principais fatores de risco. Há erros aqui: o peso ao nascer elevado não é fator de risco — na verdade, o baixo peso e a prematuridade estão associados a maior incidência. A síndrome de Down pode estar associada a hérnias (inclusive umbilicais), mas não é um "principal fator de risco" isolado. E "orientais" não é um fator de risco reconhecido para hérnia umbilical. Os fatores de risco mais citados são prematuridade, baixo peso ao nascer e afrodescendência (maior prevalência em crianças negras). A alternativa mistura dados sem fundamento científico.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a afirmação correta. A literatura pediátrica é clara: a maioria das hérnias umbilicais fecha espontaneamente até os 4–5 anos de idade. O manejo expectante é seguro até os 5 anos, independentemente do tamanho do defeito. A alternativa espelha exatamente essa regra de história natural.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Diz que a hérnia umbilical é incomum no recém-nascido e que, quando presente, tem alto risco de encarceramento. Os dois pontos estão errados: a hérnia umbilical é muito comum em recém-nascidos (presente em cerca de 10–30% dos RN, mais frequente em prematuros e negros), e o risco de encarceramento na criança é baixo — justamente porque a maioria fecha espontaneamente e o anel costuma ser complacente. O alto risco de encarceramento é característica da hérnia umbilical do adulto, não da criança. A banca inverte a epidemiologia e o risco.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que o ultrassom da parede abdominal deve ser solicitado em caso de indicação de cirurgia. Não há essa recomendação. O diagnóstico é clínico (inspeção e palpação), e exames de imagem são raramente necessários — apenas em situações específicas, como obesidade com hérnia de pequeno volume em que o exame físico é difícil. No pré-operatório de rotina, o ultrassom não é indicado. A alternativa cria uma indicação que não existe na prática.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Diz que não é recomendada atividade física até a hérnia ser resolvida. Não há nenhuma contraindicação à atividade física na criança com hérnia umbilical. A criança pode brincar, correr e praticar esportes normalmente. A atividade física não impede o fechamento espontâneo nem aumenta o risco de complicação. Essa orientação seria um erro de conduta, pois restringe a criança sem benefício algum.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter a epidemiologia e o risco entre criança e adulto. Na criança, a hérnia umbilical é comum e de baixo risco (fecha sozinha); no adulto, é menos comum e de maior risco (não regride, pode encarcerar). Se a alternativa falar em "alto risco de encarceramento" ou "incomum no recém-nascido", desconfie: provavelmente está descrevendo o adulto. Fique atento a essa troca — ela aparece nas alternativas A, C e E.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, monte um quadro mental: criança → expectante até 5 anos, fecha espontaneamente, baixo risco; adulto → cirúrgico, não regride, risco de encarceramento. E lembre: diagnóstico é clínico, imagem é exceção, atividade física é liberada. Esses três pontos resolvem a maioria das questões sobre hérnia umbilical.