Questão de Medicina — Cirurgia Geral — Quadrix 2025
Medicina›Cirurgia Geral
Código
qg602231
Banca
Quadrix
Órgão
FMJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Especialidades com Pré-Requisito em Cirurgia Geral ou Área Cirúrgica Básica
Assinale a opção correta, em relação ao tratamento do abscesso anal.
AA fistulotomia concomitante à drenagem do abscesso é indicada.
BA colocação de dreno está indicada no abscesso isquiorretal.
CAbscesso perianal sem flutuação associado à leucemia deve ser tratado a princípio com antibiótico sem drenagem.
DA drenagem deve ser realizada o mais distante possível do orifício anal para evitar lesão esfincteriana.
EÉ contraindicada a drenagem ambulatorial na beira do leito.
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GabaritoC — Abscesso perianal sem flutuação associado à leucemia deve ser tratado a princípio com antibiótico sem drenagem.
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Abscesso Anal: Tratamento e Manejo Clínico
Gabarito: letra C. Em pacientes com leucemia (imunossuprimidos) e abscesso perianal sem flutuação, a conduta inicial recomendada é o tratamento clínico com antibióticos, evitando drenagem cirúrgica precoce, pois o risco de complicações infecciosas e hemorrágicas é maior. Essa abordagem conservadora é preferida até que haja flutuação ou sinais claros de abscesso formado, momento em que a drenagem se torna necessária.
O abscesso anal é uma infecção aguda das glândulas anais que pode se manifestar em diferentes espaços anatômicos: perianal, isquiorretal, interesfincteriano e supraelevador. O tratamento clássico é a drenagem cirúrgica, que deve ser feita no ponto de maior flutuação, com incisão próxima ao orifício anal (para evitar lesão esfincteriana) e, em geral, sem necessidade de fistulotomia concomitante. A drenagem ambulatorial é segura e indicada na maioria dos casos, mesmo na beira do leito, desde que haja condições adequadas de assepsia e analgesia.
A grande exceção a essa regra é o paciente imunossuprimido, como o portador de leucemia. Nesses casos, a drenagem precoce de um abscesso sem flutuação pode levar a complicações graves, como sangramento, infecção sistêmica e má cicatrização. Por isso, a conduta inicial é clínica, com antibióticos de amplo espectro, e a drenagem é reservada para quando houver flutuação ou falha do tratamento clínico. Essa abordagem é corroborada pela literatura, que recomenda cautela em pacientes com neutropenia ou imunossupressão.
A banca explora exatamente essa exceção: o candidato que memoriza apenas a regra geral ("todo abscesso deve ser drenado") erra a questão. A pegadinha está em reconhecer que, em situações específicas, o tratamento clínico inicial é a conduta correta. Além disso, as demais alternativas trazem erros sutis, como a fistulotomia concomitante (que não é indicada na fase aguda), a drenagem distante do orifício anal (que aumenta o risco de lesão esfincteriana) e a contraindicação da drenagem ambulatorial (que é falsa).
Abscesso anal: tratamento
1Regra geral
Drenagem cirúrgica
Incisão no ponto de maior flutuação
Próximo ao orifício anal
Sem fistulotomia concomitante
Ambulatorial é seguro
2Exceção: imunossuprimido (leucemia)
Sem flutuação
Não drenar de imediato
Antibiótico de amplo espectro
Drenar só se flutuação ou falha clínica
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A fistulotomia concomitante à drenagem do abscesso não é indicada na fase aguda. O tratamento inicial do abscesso anal é apenas a drenagem; a fistulotomia é reservada para o tratamento da fístula anal, que é uma complicação tardia, geralmente após a resolução do processo agudo. Realizar fistulotomia no momento da drenagem aumenta o risco de lesão esfincteriana e incontinência, sem benefício comprovado.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A colocação de dreno não está indicada no abscesso isquiorretal. O abscesso isquiorretal, assim como o perianal, é tratado com incisão e drenagem, mas o uso de dreno (como Penrose) é reservado para abscessos com cavidades maiores ou com tendência a fechamento precoce. Na maioria dos casos, a drenagem simples com curetagem e lavagem é suficiente. A alternativa generaliza a indicação de dreno, o que é incorreto.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Em pacientes com leucemia (imunossuprimidos) e abscesso perianal sem flutuação, a conduta inicial é o tratamento com antibióticos, sem drenagem imediata. A drenagem cirúrgica em paciente neutropênico ou imunossuprimido pode levar a complicações graves, como sangramento, infecção sistêmica e má cicatrização. A abordagem conservadora é preferida até que haja flutuação ou sinais claros de abscesso formado, momento em que a drenagem se torna necessária. Essa conduta é corroborada pela literatura, que recomenda cautela em pacientes com imunossupressão.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A drenagem deve ser realizada o mais próximo possível do orifício anal, e não o mais distante. A incisão deve ser feita no ponto de maior flutuação, que geralmente é próximo à margem anal, para evitar lesão dos esfíncteres. Incisões distantes do orifício anal aumentam o risco de lesão esfincteriana e de fístula, além de dificultar a drenagem adequada.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A drenagem ambulatorial na beira do leito é indicada e segura na maioria dos casos de abscesso anal. O procedimento pode ser realizado com anestesia local, em nível ambulatorial, desde que haja condições adequadas de assepsia e analgesia. A contraindicação é rara e ocorre apenas em casos de abscessos extensos, com comprometimento sistêmico ou em pacientes com coagulopatia grave.