Questão de Medicina — Gastroenterologia — Quadrix 2025
Medicina›Gastroenterologia
Código
qg602235
Banca
Quadrix
Órgão
FMJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Especialidades com Pré-Requisito em Cirurgia Geral ou Área Cirúrgica Básica
Assinale a opção correta, quanto ao divertículo de Zenker.
ACondição rara e congênita.
BFormado por mucosa, submucosa e muscular (divertículo verdadeiro) na parede anterior do esôfago.
COcorre geralmente no triângulo de Killian.
DA principal manifestação clínica são as pneumonias aspirativas em recém‑nascidos.
EA endoscopia digestiva alta é fundamental para o diagnóstico, principalmente nos divertículos pequenos.
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GabaritoC — Ocorre geralmente no triângulo de Killian.
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Divertículo de Zenker: localização e características
Gabarito: letra C. O divertículo de Zenker é um divertículo falso (pseudodivertículo) que se forma no triângulo de Killian, uma área de fragilidade muscular na parede posterior da faringe, delimitada pelos músculos cricofaríngeo e tireofaríngeo. Essa é a característica anatomopatológica que define a doença e que a alternativa C corretamente descreve.
O divertículo de Zenker é uma evaginação saculiforme da mucosa e submucosa da hipofaringe, que ocorre por um mecanismo de pulsão. A diminuição da complacência do músculo cricofaríngeo e do esfíncter esofágico superior (EES) durante a deglutição aumenta a pressão intraluminal, forçando a mucosa através de um ponto de fragilidade muscular — o triângulo de Killian. Por envolver apenas mucosa e submucosa, sem a camada muscular, é classificado como divertículo falso, ao contrário dos divertículos verdadeiros, que contêm todas as camadas da parede.
A doença é adquirida, não congênita, e acomete tipicamente pacientes idosos, na sexta a oitava décadas de vida. A apresentação clássica inclui disfagia orofaríngea, regurgitação de alimentos não digeridos e halitose. O diagnóstico é feito preferencialmente por radiografia contrastada do esôfago (esofagograma com bário), sendo a endoscopia digestiva alta um exame complementar que, inclusive, apresenta risco de perfuração, especialmente em divertículos pequenos.
A distinção fundamental que separa as alternativas é a classificação do divertículo (verdadeiro × falso) e sua localização anatômica. O divertículo de Zenker é falso e localiza-se no triângulo de Killian, na parede posterior da faringe — não na parede anterior do esôfago. Essa fronteira é exatamente o que a banca explora nas alternativas.
Divertículo de Zenker: Localização (Triângulo de Killian, Parede posterior da faringe); Classificação (Falso (mucosa e submucosa), Pulsão); Perfil clínico (Idosos (6ª–8ª décadas), Disfagia orofaríngea, Regurgitação e halitose); Diagnóstico (Esofagograma com bário, EDA: risco de perfuração)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o divertículo de Zenker é uma condição rara e congênita. Há dois erros: a condição é adquirida, não congênita, e embora a prevalência seja baixa (0,01% a 0,11%), não é corretamente descrita como "rara" no sentido de doença incomum na prática gastroenterológica — é a causa mais comum de divertículo esofágico. A doença resulta de alterações degenerativas e funcionais do esfíncter esofágico superior, que se desenvolvem ao longo da vida, tipicamente em idosos.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa descreve o divertículo de Zenker como formado por mucosa, submucosa e muscular (divertículo verdadeiro) na parede anterior do esôfago. Há dois erros graves: (1) o divertículo de Zenker é um divertículo falso, composto apenas por mucosa e submucosa, sem a camada muscular — por isso é chamado de pseudodivertículo; (2) ele se localiza na parede posterior da faringe, no triângulo de Killian, e não na parede anterior do esôfago. A alternativa confunde o divertículo de Zenker com um divertículo verdadeiro, como os divertículos epifrênicos ou parabronquiais, que envolvem todas as camadas da parede esofágica.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta ao afirmar que o divertículo de Zenker ocorre geralmente no triângulo de Killian. O triângulo de Killian é uma área de musculatura esparsa na parede posterior da faringe, delimitada pelos músculos cricofaríngeo e tireofaríngeo. É exatamente nesse ponto de fragilidade que a mucosa e a submucosa herniam, formando o divertículo de pulsão. Essa localização é a característica anatomopatológica que define o divertículo de Zenker e o distingue dos demais divertículos esofágicos.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a principal manifestação clínica são as pneumonias aspirativas em recém-nascidos. Há dois erros: (1) a principal manifestação clínica do divertículo de Zenker é a disfagia orofaríngea, acompanhada de regurgitação e halitose — as pneumonias aspirativas podem ocorrer como complicação, mas não são a manifestação principal; (2) a doença acomete idosos, tipicamente na sexta a oitava décadas de vida, e não recém-nascidos. A alternativa confunde o divertículo de Zenker com uma condição congênita do recém-nascido, como o divertículo de Meckel ou atresias esofágicas.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a endoscopia digestiva alta é fundamental para o diagnóstico, principalmente nos divertículos pequenos. O exame de escolha para o diagnóstico do divertículo de Zenker é a radiografia contrastada do esôfago (esofagograma com bário), que demonstra a evaginação saculiforme na hipofaringe. A endoscopia digestiva alta é um exame complementar e, nos divertículos pequenos, apresenta risco aumentado de perfuração, pois o endoscópio pode entrar no divertículo e lesar a mucosa. Portanto, a endoscopia não é o método fundamental e, em divertículos pequenos, deve ser realizada com cautela ou evitada.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre divertículo verdadeiro e falso, e entre a localização do divertículo de Zenker (parede posterior da faringe) e a do esôfago. O candidato que memoriza que "divertículo de Zenker é no esôfago" erra a alternativa B, e o que confunde "verdadeiro" com "falso" também. Lembre-se: Zenker é falso (só mucosa e submucosa) e fica no triângulo de Killian, na faringe — não no esôfago.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, compare os tipos de divertículo esofágico: