Questão de Medicina — Cirurgia Geral — Quadrix 2025
Medicina›Cirurgia Geral
Código
qg602252
Banca
Quadrix
Órgão
FMJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Especialidades com Pré-Requisito em Cirurgia Geral ou Área Cirúrgica Básica
Assinale a opção correta, quanto ao controle de danos no trauma grave.
AÉ indicado somente para trauma abdominal.
BEstá indicado reposição precoce de sangue, plasma e plaquetas na proporção de 3:2:1, respectivamente.
CÉ indicada reposição imediata de 2.000 ml de soro fisiológico.
DHipotensão permissiva é uma das medidas que pode ser adotada.
EDeve ser realizado o “empacotamento” da cavidade abdominal com compressa, realização de estomia nas lesões de alça e fechamento da parede abdominal com sutura contínua.
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GabaritoD — Hipotensão permissiva é uma das medidas que pode ser adotada.
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Controle de danos no trauma grave
Gabarito: letra D. A hipotensão permissiva é, de fato, uma das medidas adotadas na estratégia de controle de danos (Damage Control Resuscitation), que visa evitar o agravamento da coagulopatia e da acidose metabólica no paciente com choque hemorrágico. As demais alternativas apresentam erros conceituais ou de conduta, como a indicação restrita ao abdome, a proporção incorreta de hemoderivados e a reposição volêmica agressiva com cristaloides.
O controle de danos no trauma grave é uma estratégia que prioriza intervenções rápidas e essenciais para controlar o sangramento e reverter o choque, em vez de buscar a correção definitiva de todas as lesões no primeiro momento. Essa abordagem é baseada em cinco princípios fundamentais: administração precoce de hemoderivados, uso restritivo de cristaloides, uso de antifibrinolíticos, hipotensão permissiva e cirurgia para controle de danos. O objetivo é evitar a tríade letal do trauma — hipotermia, acidose e coagulopatia — que se agrava com a reposição volêmica agressiva e com procedimentos cirúrgicos prolongados.
Na prática, o manejo do choque hemorrágico começa no atendimento pré-hospitalar com a identificação dos sinais de choque, expansão volêmica inicial com 1.000 mL de solução cristaloide, compressão de sítios de sangramento ativo e administração de ácido tranexâmico. Na fase intra-hospitalar, a prioridade é a ressuscitação volêmica e o controle da coagulopatia, com transfusão de hemoderivados e correção de acidemia, hipotermia e hipocalcemia. A hipotensão permissiva, especificamente, consiste em manter uma pressão arterial sistólica alvo mais baixa (em torno de 80-90 mmHg) até que o controle cirúrgico do sangramento seja alcançado, evitando que a pressão elevada desloque coágulos formados e aumente o sangramento.
A distinção crucial que a questão explora é entre a ressuscitação volêmica agressiva com cristaloides (abordagem antiga, que piora a coagulopatia por diluição) e a ressuscitação com hemoderivados em proporção balanceada (abordagem atual). A banca também testa o conhecimento sobre a cirurgia de controle de danos, que envolve o "empacotamento" da cavidade abdominal, mas não o fechamento definitivo da parede abdominal com sutura contínua — o fechamento temporário é a regra. Guarde esses critérios: eles são exatamente o que separa as alternativas corretas das incorretas.
Controle de danos no trauma: Princípios (HACUC) (Hipotensão permissiva, Administração precoce de hemoderivados, Cirurgia para controle de danos, Uso restritivo de cristaloides, Antifibrinolíticos); Ressuscitação volêmica (Hemoderivados 1:1:1, Cristaloide agressivo (2.000 mL)); Cirurgia (Empacotamento abdominal, Fechamento temporário, Sutura contínua definitiva)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o controle de danos é indicado somente para trauma abdominal. O erro está na palavra "somente": a estratégia de controle de danos é aplicada em traumas graves de diversas topografias, incluindo trauma torácico, pélvico e de extremidades. O conceito de controle de danos é uma filosofia de abordagem do paciente grave, não uma técnica restrita a uma região anatômica.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que está indicada reposição precoce de sangue, plasma e plaquetas na proporção de 3:2:1. A proporção correta, conforme as diretrizes atuais de transfusão maciça, é de 1:1:1 — ou seja, uma unidade de concentrado de hemácias, uma de plasma fresco congelado e uma de plaquetas. A proporção 3:2:1 não é a recomendada e pode levar a uma ressuscitação inadequada, com risco aumentado de coagulopatia dilucional.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que é indicada reposição imediata de 2.000 ml de soro fisiológico. A conduta atual preconiza o uso restritivo de cristaloides, com expansão volêmica inicial de 1.000 mL (e complementação até 1.000-1.500 mL no intra-hospitalar), e não 2.000 mL de forma imediata. A reposição volêmica agressiva com cristaloides está associada a piores desfechos, pois dilui fatores de coagulação e agrava a hipotermia e a acidose.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A hipotensão permissiva é, de fato, uma das medidas adotadas na estratégia de controle de danos. Ela consiste em manter uma pressão arterial sistólica alvo mais baixa (em torno de 80-90 mmHg) até que o controle cirúrgico do sangramento seja alcançado. Essa conduta visa evitar que a pressão elevada desloque coágulos formados e aumente o sangramento, além de reduzir a necessidade de reposição volêmica agressiva. É um dos cinco princípios da Damage Control Resuscitation.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que deve ser realizado o "empacotamento" da cavidade abdominal com compressa, realização de estomia nas lesões de alça e fechamento da parede abdominal com sutura contínua. O erro está no fechamento da parede abdominal: na cirurgia de controle de danos, o fechamento definitivo da parede abdominal com sutura contínua não é realizado. O correto é o fechamento temporário da cavidade abdominal, utilizando-se técnicas como o uso de bolsa de Bogotá ou curativo a vácuo, para evitar a síndrome compartimental abdominal e permitir uma nova abordagem cirúrgica após a estabilização do paciente.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre a ressuscitação volêmica agressiva com cristaloides (abordagem antiga) e a ressuscitação com hemoderivados em proporção balanceada (abordagem atual). O candidato que memorizou a proporção 3:2:1 ou a reposição de 2.000 mL de soro fisiológico pode marcar as alternativas B ou C, mas a conduta correta é o uso restritivo de cristaloides e a transfusão precoce de hemoderivados na proporção 1:1:1. Fique atento a esses detalhes numéricos e às palavras "somente" e "imediata", que costumam sinalizar erros.
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar os cinco princípios da Damage Control Resuscitation, use o mnemônico "HACUC": Hipotensão permissiva, Administração precoce de hemoderivados, Cirurgia para controle de danos, Uso restritivo de cristaloides e Com uso de antifibrinolíticos. Na prova, desconfie de alternativas que tragam números específicos de reposição volêmica ou proporções de hemoderivados diferentes de 1:1:1.