Questão de Medicina — Medicina Intensiva — Quadrix 2025
Medicina›Medicina Intensiva
Código
qg602253
Banca
Quadrix
Órgão
FMJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Especialidades com Pré-Requisito em Cirurgia Geral ou Área Cirúrgica Básica
Pacientes com choque hemorrágico grau IV apresentam grande risco de evoluírem para alterações metabólicas graves e que por vezes são irreversíveis. Com base nessa informação, assinale a opção que apresenta a tríade letal que pode ser observada nesses casos.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Tríade letal no choque hemorrágico
Gabarito: letra B. No choque hemorrágico grave (classe IV), a combinação de acidose metabólica, hipotermia e coagulopatia configura a chamada "tríade letal" — um ciclo vicioso de deterioração fisiológica que, uma vez instalado, é difícil de reverter e associa-se a alta mortalidade. Essa é a definição clássica aceita na medicina intensiva e no suporte avançado de vida no trauma (ATLS).
A tríade letal é um conceito central no manejo do trauma grave e do choque hemorrágico. Ela descreve a interação sinérgica entre três alterações fisiopatológicas que se retroalimentam: a acidose metabólica (decorrente da hipoperfusão tecidual e do metabolismo anaeróbio, com produção de lactato), a hipotermia (pela perda de calor, infusão de fluidos frios e exposição) e a coagulopatia (disfunção da cascata de coagulação, agravada pela diluição de fatores, consumo e pela própria acidose e hipotermia, que inibem as enzimas da coagulação). Cada componente piora os outros: a acidose e a hipotermia prejudicam a função plaquetária e os fatores de coagulação, e a coagulopatia perpetua o sangramento, que por sua vez agrava a acidose e a hipotermia. É por isso que a tríade é chamada de "letal" — ela forma um ciclo vicioso de difícil quebra, e o reconhecimento precoce é essencial para instituir medidas agressivas de ressuscitação (controle do sangramento, aquecimento, correção da acidose e reposição de hemoderivados).
A banca explora aqui um conhecimento consolidado de medicina intensiva e cirurgia do trauma. O candidato que domina o conceito identifica imediatamente a alternativa B como correta, pois as demais trazem conjuntos de sinais e sintomas que, embora possam estar presentes no choque, não configuram a tríade letal específica. É importante distinguir a tríade letal dos sinais clínicos gerais de choque (taquicardia, taquipneia, hipotensão, alteração do nível de consciência) e dos critérios de gravidade isolados. A tríade letal é um conceito fisiopatológico específico, não uma simples lista de achados.
Na prática, o reconhecimento da tríade letal muda a conduta: além do controle cirúrgico do sangramento, o paciente precisa de aquecimento ativo, correção da acidose (melhorando a perfusão) e reposição de hemoderivados (plasma, plaquetas, crioprecipitado) para reverter a coagulopatia. A mortalidade aumenta significativamente quando a tríade está presente, e a abordagem deve ser agressiva e coordenada. É exatamente esse conceito que a questão cobra: a identificação da tríade letal como o conjunto de alterações metabólicas graves e potencialmente irreversíveis que podem surgir no choque hemorrágico classe IV.
Guarde a distinção: a tríade letal é um conceito fisiopatológico (acidose + hipotermia + coagulopatia), enquanto os sinais clínicos de choque (taquicardia, taquipneia, hipotensão, alteração do sensório) são manifestações gerais de hipoperfusão. É nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Tríade letal (choque hemorrágico): Acidose metabólica (Hipoperfusão tecidual, Metabolismo anaeróbio); Hipotermia (Perda de calor, Infusão de fluidos frios); Coagulopatia (Disfunção da cascata, Diluição de fatores); Ciclo vicioso (Acidose e hipotermia → prejudicam coagulação, Coagulopatia → perpetua sangramento)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Esta alternativa lista achados clínicos de gravidade (Glasgow < 9, diurese < 0,5 ml/kg/h e hipotensão), mas não corresponde à tríade letal. O rebaixamento do nível de consciência, a oligúria e a hipotensão são sinais de choque avançado, mas não formam a tríade fisiopatológica específica (acidose, hipotermia e coagulopatia). A banca mistura critérios clínicos isolados para confundir.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A tríade letal do choque hemorrágico grave é composta por acidose metabólica, hipotermia e coagulopatia. Esses três componentes interagem em um ciclo vicioso: a acidose e a hipotermia prejudicam a coagulação, e a coagulopatia perpetua o sangramento, agravando a acidose e a hipotermia. É o conceito clássico descrito no ATLS e na literatura de trauma.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Agitação psicomotora, sudorese e confusão mental são manifestações neuropsiquiátricas que podem ocorrer em diversos quadros (hipoglicemia, abstinência, sepse, etc.), mas não constituem a tríade letal do choque hemorrágico. São sinais inespecíficos de disfunção do sistema nervoso central, não a tríade fisiopatológica de acidose, hipotermia e coagulopatia.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Taquicardia, taquipneia e hipotensão são sinais clássicos de choque hipovolêmico, mas não formam a tríade letal. A taquicardia e a taquipneia são respostas compensatórias iniciais, e a hipotensão é um sinal tardio de choque. A tríade letal é um conceito fisiopatológico distinto, focado nas alterações metabólicas e de coagulação.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Hemoglobina < 5 g/dL, creatinina > 3 mg/dL e PCR > 10 mg/L são valores laboratoriais que indicam anemia grave, disfunção renal e inflamação, respectivamente, mas não compõem a tríade letal. Esses parâmetros podem estar alterados em pacientes críticos, mas não representam o ciclo fisiopatológico específico da tríade letal do choque hemorrágico.
NÃO CAIA NESSA!
A banca oferece alternativas com sinais clínicos de choque (taquicardia, hipotensão, alteração do sensório) e parâmetros laboratoriais isolados para confundir o candidato que não domina o conceito. A tríade letal é um conceito fisiopatológico específico — acidose, hipotermia e coagulopatia — e não uma simples lista de achados de gravidade. Reconhecer essa distinção é o que separa o acerto do erro.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, lembre-se do ciclo: sangramento → hipoperfusão → acidose + perda de calor → hipotermia → coagulopatia → mais sangramento. A tríade letal é a soma desses três elementos (acidose, hipotermia, coagulopatia) que se retroalimentam. Nas questões de trauma, quando aparecerem esses três termos juntos, é quase sempre a resposta.