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Questão de Medicina — Medicina Intensiva — Quadrix 2025

MedicinaMedicina Intensiva
Código
qg602253
Banca
Quadrix
Órgão
FMJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Especialidades com Pré-Requisito em Cirurgia Geral ou Área Cirúrgica Básica
Pacientes com choque hemorrágico grau IV apresentam grande risco de evoluírem para alterações metabólicas graves e que por vezes são irreversíveis. Com base nessa informação, assinale a opção que apresenta a tríade letal que pode ser observada nesses casos.
  1. AGlasgow < 9, diurese < 0,5 ml/kg/h e hipotensão
  2. Bacidose, hipotermia e coagulopatia
  3. Cagitação psicomotora, sudorese e confusão mental
  4. Dtaquicardia, taquipneia e hipotensão
  5. Ehemoglobina < 5 g/dL, creatinina > 3 mg/dL e PCR > 10 mg/L
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GabaritoB — acidose, hipotermia e coagulopatia

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tríade letal no choque hemorrágico

Gabarito: letra B. No choque hemorrágico grave (classe IV), a combinação de acidose metabólica, hipotermia e coagulopatia configura a chamada "tríade letal" — um ciclo vicioso de deterioração fisiológica que, uma vez instalado, é difícil de reverter e associa-se a alta mortalidade. Essa é a definição clássica aceita na medicina intensiva e no suporte avançado de vida no trauma (ATLS).

A tríade letal é um conceito central no manejo do trauma grave e do choque hemorrágico. Ela descreve a interação sinérgica entre três alterações fisiopatológicas que se retroalimentam: a acidose metabólica (decorrente da hipoperfusão tecidual e do metabolismo anaeróbio, com produção de lactato), a hipotermia (pela perda de calor, infusão de fluidos frios e exposição) e a coagulopatia (disfunção da cascata de coagulação, agravada pela diluição de fatores, consumo e pela própria acidose e hipotermia, que inibem as enzimas da coagulação). Cada componente piora os outros: a acidose e a hipotermia prejudicam a função plaquetária e os fatores de coagulação, e a coagulopatia perpetua o sangramento, que por sua vez agrava a acidose e a hipotermia. É por isso que a tríade é chamada de "letal" — ela forma um ciclo vicioso de difícil quebra, e o reconhecimento precoce é essencial para instituir medidas agressivas de ressuscitação (controle do sangramento, aquecimento, correção da acidose e reposição de hemoderivados).

A banca explora aqui um conhecimento consolidado de medicina intensiva e cirurgia do trauma. O candidato que domina o conceito identifica imediatamente a alternativa B como correta, pois as demais trazem conjuntos de sinais e sintomas que, embora possam estar presentes no choque, não configuram a tríade letal específica. É importante distinguir a tríade letal dos sinais clínicos gerais de choque (taquicardia, taquipneia, hipotensão, alteração do nível de consciência) e dos critérios de gravidade isolados. A tríade letal é um conceito fisiopatológico específico, não uma simples lista de achados.

Na prática, o reconhecimento da tríade letal muda a conduta: além do controle cirúrgico do sangramento, o paciente precisa de aquecimento ativo, correção da acidose (melhorando a perfusão) e reposição de hemoderivados (plasma, plaquetas, crioprecipitado) para reverter a coagulopatia. A mortalidade aumenta significativamente quando a tríade está presente, e a abordagem deve ser agressiva e coordenada. É exatamente esse conceito que a questão cobra: a identificação da tríade letal como o conjunto de alterações metabólicas graves e potencialmente irreversíveis que podem surgir no choque hemorrágico classe IV.

Guarde a distinção: a tríade letal é um conceito fisiopatológico (acidose + hipotermia + coagulopatia), enquanto os sinais clínicos de choque (taquicardia, taquipneia, hipotensão, alteração do sensório) são manifestações gerais de hipoperfusão. É nessa fronteira que as alternativas se dividem.

1Acidose metabólica
Hipoperfusão tecidual
Metabolismo anaeróbio
2Hipotermia
Perda de calor
Infusão de fluidos frios
3Coagulopatia
Disfunção da cascata
Diluição de fatores
4Ciclo vicioso
Acidose e hipotermia → prejudicam coagulação
Coagulopatia → perpetua sangramento
Tríade letal (choque hemorrágico)
LEVELsoulevel.com.br
Tríade letal (choque hemorrágico): Acidose metabólica (Hipoperfusão tecidual, Metabolismo anaeróbio); Hipotermia (Perda de calor, Infusão de fluidos frios); Coagulopatia (Disfunção da cascata, Diluição de fatores); Ciclo vicioso (Acidose e hipotermia → prejudicam coagulação, Coagulopatia → perpetua sangramento)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Esta alternativa lista achados clínicos de gravidade (Glasgow < 9, diurese < 0,5 ml/kg/h e hipotensão), mas não corresponde à tríade letal. O rebaixamento do nível de consciência, a oligúria e a hipotensão são sinais de choque avançado, mas não formam a tríade fisiopatológica específica (acidose, hipotermia e coagulopatia). A banca mistura critérios clínicos isolados para confundir.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A tríade letal do choque hemorrágico grave é composta por acidose metabólica, hipotermia e coagulopatia. Esses três componentes interagem em um ciclo vicioso: a acidose e a hipotermia prejudicam a coagulação, e a coagulopatia perpetua o sangramento, agravando a acidose e a hipotermia. É o conceito clássico descrito no ATLS e na literatura de trauma.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Agitação psicomotora, sudorese e confusão mental são manifestações neuropsiquiátricas que podem ocorrer em diversos quadros (hipoglicemia, abstinência, sepse, etc.), mas não constituem a tríade letal do choque hemorrágico. São sinais inespecíficos de disfunção do sistema nervoso central, não a tríade fisiopatológica de acidose, hipotermia e coagulopatia.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Taquicardia, taquipneia e hipotensão são sinais clássicos de choque hipovolêmico, mas não formam a tríade letal. A taquicardia e a taquipneia são respostas compensatórias iniciais, e a hipotensão é um sinal tardio de choque. A tríade letal é um conceito fisiopatológico distinto, focado nas alterações metabólicas e de coagulação.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Hemoglobina < 5 g/dL, creatinina > 3 mg/dL e PCR > 10 mg/L são valores laboratoriais que indicam anemia grave, disfunção renal e inflamação, respectivamente, mas não compõem a tríade letal. Esses parâmetros podem estar alterados em pacientes críticos, mas não representam o ciclo fisiopatológico específico da tríade letal do choque hemorrágico.

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece alternativas com sinais clínicos de choque (taquicardia, hipotensão, alteração do sensório) e parâmetros laboratoriais isolados para confundir o candidato que não domina o conceito. A tríade letal é um conceito fisiopatológico específico — acidose, hipotermia e coagulopatia — e não uma simples lista de achados de gravidade. Reconhecer essa distinção é o que separa o acerto do erro.

PEGA ESSA DICA!

Para fixar, lembre-se do ciclo: sangramento → hipoperfusão → acidose + perda de calor → hipotermia → coagulopatia → mais sangramento. A tríade letal é a soma desses três elementos (acidose, hipotermia, coagulopatia) que se retroalimentam. Nas questões de trauma, quando aparecerem esses três termos juntos, é quase sempre a resposta.

Gabarito: letra B

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