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Questão de Medicina — Cirurgia Geral — Quadrix 2025

MedicinaCirurgia Geral
Código
qg602255
Banca
Quadrix
Órgão
FMJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Especialidades com Pré-Requisito em Cirurgia Geral ou Área Cirúrgica Básica
Assinale a opção correta, quanto ao divertículo de Meckel.
  1. ACerca de metade deles pode conter mucosa ectópica, sendo as mais comuns a mucosa gástrica e o tecido pancreático.
  2. BÉ a anomalia congênita mais comum do trato gastrointestinal, decorrente da falha na obliteração completa do ducto onfalomesentérico que se forma na junção entre o jejuno e o íleo.
  3. CÉ considerado um divertículo falso, pois contém somente mucosa, submucosa e serosa.
  4. DAs complicações mais frequentes em crianças são a diverticulite, intussuscepção e perfuração.
  5. EDiverticulectomia é a cirurgia de escolha em adultos se a base do divertículo for muito larga ou se houver inflamação.
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GabaritoA — Cerca de metade deles pode conter mucosa ectópica, sendo as mais comuns a mucosa gástrica e o tecido pancreático.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Divertículo de Meckel: Anatomia, Histologia e Conduta Cirúrgica

Gabarito: letra A. A alternativa correta é a que afirma que cerca de metade dos divertículos de Meckel pode conter mucosa ectópica, sendo as mais comuns a mucosa gástrica e o tecido pancreático. Essa é uma característica fundamental da anomalia, responsável pelas principais complicações, como sangramento e perfuração. As demais alternativas apresentam erros conceituais sobre a localização, a classificação histológica, as complicações mais frequentes e a conduta cirúrgica.

O divertículo de Meckel é a anomalia congênita mais comum do trato gastrointestinal, resultante da falha na obliteração completa do ducto onfalomesentérico (ou ducto vitelino). Esse ducto conecta o intestino médio ao saco vitelino durante o desenvolvimento embrionário e normalmente se oblitera por volta da 7ª semana de gestação. Quando isso não ocorre, forma-se um divertículo verdadeiro na borda antimesentérica do íleo terminal, geralmente a cerca de 60 a 100 cm da válvula ileocecal em adultos. A regra dos "2s" é um mnemônico clássico: ocorre em aproximadamente 2% da população, é mais comum em homens (2:1), geralmente se manifesta antes dos 2 anos de idade e o divertículo típico tem cerca de 2 polegadas (5 cm) de comprimento.

A presença de mucosa ectópica é o ponto central da fisiopatologia. Em cerca de 50% dos casos, o divertículo contém tecido heterotópico, sendo a mucosa gástrica a mais frequente (responsável por até 60-80% dos casos sintomáticos), seguida pelo tecido pancreático. A mucosa gástrica ectópica secreta ácido, o que pode causar ulceração da mucosa adjacente, levando a sangramento digestivo baixo (hematoquezia) — a apresentação mais comum em crianças — ou perfuração. O tecido pancreático ectópico, por sua vez, pode causar intussuscepção ou servir como ponto de partida para inflamação.

Histologicamente, o divertículo de Meckel é um divertículo verdadeiro, pois contém todas as camadas da parede intestinal: mucosa, submucosa, muscular e serosa. Isso o distingue dos divertículos falsos (ou pseudodivertículos), como os da diverticulose colônica, que são protrusões apenas de mucosa e submucosa através da camada muscular. Essa distinção é crucial e frequentemente cobrada em provas.

As complicações do divertículo de Meckel variam com a idade. Em crianças, a apresentação mais comum é o sangramento indolor (devido à úlcera péptica causada pela mucosa gástrica ectópica), seguido por obstrução intestinal (por intussuscepção, vólvulo ou hérnia interna) e diverticulite. Em adultos, a diverticulite e a obstrução intestinal são mais frequentes, enquanto o sangramento é menos comum. A perfuração pode ocorrer em qualquer idade, mas é mais rara que o sangramento.

O tratamento do divertículo de Meckel sintomático é cirúrgico. A diverticulectomia simples (ressecção do divertículo com fechamento da base) é o procedimento de escolha na maioria dos casos, especialmente quando a base é estreita e não há inflamação significativa. No entanto, se a base do divertículo for larga ou se houver inflamação/necrose comprometendo a parede ileal adjacente, a ressecção segmentar do íleo com anastomose primária é a conduta mais segura, para evitar deformidade ou estenose do lúmen intestinal. A alternativa E inverte essa lógica, afirmando que a diverticulectomia é a escolha quando a base é larga — o que está incorreto.

A pegadinha central desta questão é a confusão entre divertículo verdadeiro e falso, além da troca das complicações mais comuns entre crianças e adultos. Guarde bem: Meckel é divertículo verdadeiro, com mucosa ectópica em ~50% dos casos, e o sangramento é a complicação mais comum em crianças.

Divertículo de Meckel
  • 1Anatomia
    • Anomalia congênita mais comum do TGI
    • Falha na obliteração do ducto onfalomesentérico
    • Íleo terminal (borda antimesentérica)
    • Regra dos 2s
  • 2Histologia
    • Divertículo verdadeiro (todas as camadas)
    • Não é falso (só mucosa/submucosa)
    • Mucosa ectópica em ~50%
      • Gástrica (mais comum)
      • Pancreática
  • 3Complicações
    • Crianças: sangramento indolor
    • Adultos: diverticulite e obstrução
  • 4Tratamento
    • Base estreita → diverticulectomia
    • Base larga/inflamação → ressecção segmentar
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A afirmação está correta. Cerca de 50% dos divertículos de Meckel contêm mucosa ectópica, sendo a mucosa gástrica a mais comum, seguida pelo tecido pancreático. Essa mucosa ectópica é a base fisiopatológica das principais complicações, como sangramento (pela secreção ácida da mucosa gástrica) e intussuscepção (pelo tecido pancreático). A alternativa espelha exatamente esse dado epidemiológico e histológico.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa erra ao afirmar que o divertículo de Meckel se forma na junção entre o jejuno e o íleo. Na verdade, ele se localiza no íleo terminal, na borda antimesentérica, geralmente a cerca de 60 a 100 cm da válvula ileocecal. A junção jejuno-ileal não é o local de origem. O restante da afirmação (ser a anomalia congênita mais comum do TGI e decorrer da falha de obliteração do ducto onfalomesentérico) está correto, mas o erro de localização torna a alternativa incorreta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o divertículo de Meckel é um divertículo falso, contendo apenas mucosa, submucosa e serosa. Isso está errado. O divertículo de Meckel é um divertículo verdadeiro, pois contém todas as camadas da parede intestinal: mucosa, submucosa, muscular e serosa. A descrição de "falso divertículo" (apenas mucosa e submucosa, recobertas por serosa) aplica-se aos pseudodivertículos da diverticulose colônica, não ao de Meckel.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que as complicações mais frequentes em crianças são diverticulite, intussuscepção e perfuração. Isso está incorreto. Em crianças, a complicação mais comum é o sangramento digestivo baixo (hematoquezia), geralmente indolor, causado pela ulceração da mucosa adjacente à mucosa gástrica ectópica. A diverticulite e a intussuscepção também ocorrem, mas o sangramento é a apresentação clássica e mais frequente nessa faixa etária. A perfuração é uma complicação menos comum.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa inverte a conduta cirúrgica. A diverticulectomia simples é a cirurgia de escolha quando a base do divertículo é estreita e não há inflamação significativa. Se a base for larga ou houver inflamação/necrose comprometendo a parede ileal, a conduta correta é a ressecção segmentar do íleo com anastomose primária, para evitar deformidade ou estenose do lúmen. A alternativa afirma exatamente o oposto, configurando uma pegadinha clássica de inversão de critérios.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora duas inversões clássicas: (1) troca o divertículo verdadeiro (Meckel) pelo falso (diverticulose colônica), e (2) inverte a conduta cirúrgica — a diverticulectomia é para base estreita, não larga. Fique atento a esses detalhes, pois são os mais cobrados em provas de cirurgia.

PEGA ESSA DICA!

Para memorizar as características do divertículo de Meckel, use a "regra dos 2s": 2% da população, 2:1 (homens:mulheres), 2 anos (idade mais comum de manifestação), 2 polegadas (5 cm) de comprimento e 2 pés (60 cm) da válvula ileocecal. Além disso, lembre-se: verdadeiro (todas as camadas), mucosa ectópica em ~50% (gástrica > pancreática) e sangramento como complicação mais comum em crianças.

Gabarito: letra A

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