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Questão de Medicina — Cirurgia Geral — Quadrix 2025

MedicinaCirurgia Geral
Código
qg602258
Banca
Quadrix
Órgão
FMJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Especialidades com Pré-Requisito em Cirurgia Geral ou Área Cirúrgica Básica
Ao realizar o resgate de um paciente de 40 anos de idade em via pública, vítima de ferimento penetrante de laringe com hemorragia orofaríngea grave, hemodinamicamente instável, saturando 40% em ar ambiente, não sendo possível a realização de intubação orotraqueal nem a colocação da cânula de Guedel, optando‑se pela realização de cricotireoidostomia por punção.Com base nesse caso clínico hipotético, assinale a opção correta.
  1. ADeveria ter sido realizado traqueostomia.
  2. BA punção deve ser feita com cateter número 18 a 20 G.
  3. CO cateter deve ser conectado a uma fonte de oxigênio a 5 l/min.
  4. DA insuflação deve ser intermitente, com um segundo de fluxo de O2, seguido de 4 segundos sem O2.
  5. ECom essa técnica, o doente pode ser oxigenado por tempo indeterminado.
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GabaritoD — A insuflação deve ser intermitente, com um segundo de fluxo de O2, seguido de 4 segundos sem O2.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Cricotireoidostomia por punção: técnica e indicações

Gabarito: letra D. Na cricotireoidostomia por punção, a ventilação é realizada de forma intermitente, com 1 segundo de fluxo de oxigênio seguido de 4 segundos sem fluxo, permitindo a expiração passiva. Essa técnica é uma via aérea temporária de resgate, indicada quando a intubação orotraqueal e a cânula de Guedel não são possíveis, sendo a alternativa correta a que descreve exatamente esse padrão de insuflação.

A cricotireoidostomia por punção é um procedimento de emergência para estabelecer uma via aérea quando outras medidas falham. Diferentemente da cricotireoidostomia cirúrgica, que envolve incisão e inserção de um tubo, a versão por punção utiliza um cateter sobre agulha (tipo jelco) inserido através da membrana cricotireóidea, localizada entre as cartilagens tireóidea e cricóidea. O cateter é então conectado a uma fonte de oxigênio de alta pressão, e a ventilação é feita por jatos intermitentes.

O princípio fundamental dessa técnica é que o oxigênio é insuflado sob alta pressão, mas a expiração ocorre passivamente pelo espaço entre o cateter e a parede traqueal, ou pela própria via aérea superior se houver alguma permeabilidade. Por isso, o tempo de insuflação deve ser curto (1 segundo) e o de pausa, maior (4 segundos), para permitir a saída do ar e evitar barotrauma. Essa relação 1:4 é o padrão clássico descrito na literatura de emergências e no suporte avançado de vida no trauma.

A técnica é considerada uma medida temporária, pois o cateter de pequeno calibre oferece alta resistência ao fluxo, limitando a ventilação e a oxigenação adequadas por períodos prolongados. A hipercapnia (acúmulo de CO2) é uma complicação esperada, tornando a técnica inadequada como solução definitiva. Por isso, a alternativa E, que afirma ser possível oxigenar por tempo indeterminado, está incorreta.

A escolha do cateter também é um ponto crítico. O calibre ideal é o de 14 G (ou, em alguns protocolos, 12 G), pois oferece menor resistência ao fluxo de oxigênio. Cateteres de 18 a 20 G, como mencionado na alternativa B, são de menor calibre e geram resistência excessiva, comprometendo a ventilação. A alternativa C, que sugere conectar a fonte de oxigênio a 5 L/min, também está errada, pois a ventilação por jato requer alta pressão, geralmente de 15 L/min ou mais, para superar a resistência do cateter e insuflar os pulmões.

A alternativa A, que sugere traqueostomia, não é a conduta inicial em uma emergência pré-hospitalar. A traqueostomia é um procedimento cirúrgico complexo, demorado e que exige ambiente controlado, sendo reservada para situações em que a cricotireoidostomia não é possível ou como procedimento eletivo. No cenário de via pública, com paciente instável, a cricotireoidostomia por punção é a opção mais rápida e acessível.

A pegadinha central desta questão está na relação entre o calibre do cateter e o fluxo de oxigênio. O candidato pode confundir a cricotireoidostomia por punção com outros procedimentos de acesso venoso, onde cateteres de 18 a 20 G são comuns, ou com a oxigenoterapia convencional, onde fluxos de 5 L/min são usuais. Aqui, a lógica é diferente: precisamos de um cateter de grosso calibre e de alta pressão para vencer a resistência e ventilar o paciente.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre a cricotireoidostomia por punção e outros procedimentos. O cateter de 18 a 20 G (alternativa B) é típico de punção venosa, não de via aérea. O fluxo de 5 L/min (alternativa C) é de oxigenoterapia convencional, não de ventilação por jato. Lembre-se: aqui, grosso calibre (14 G) e alta pressão (15 L/min ou mais) são essenciais.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A traqueostomia é um procedimento cirúrgico que exige ambiente adequado, anestesia e tempo, sendo inviável em via pública com paciente instável. A cricotireoidostomia por punção é a técnica de escolha nesse cenário, pois é rápida, pode ser realizada com material mínimo e não requer incisão cirúrgica. A traqueostomia seria considerada apenas em situações específicas, como impossibilidade de realizar a cricotireoidostomia ou em ambiente hospitalar.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O calibre ideal do cateter para cricotireoidostomia por punção é 14 G (ou 12 G em alguns protocolos). Cateteres de 18 a 20 G são de menor calibre e oferecem alta resistência ao fluxo de oxigênio, tornando a ventilação ineficaz. A escolha do calibre é crucial: quanto maior o diâmetro, menor a resistência e melhor a capacidade de ventilar.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A ventilação por jato requer alta pressão para superar a resistência do cateter e insuflar os pulmões. O fluxo de 5 L/min é insuficiente; o recomendado é de 15 L/min ou mais, conectado a uma fonte de oxigênio de alta pressão. Fluxos baixos não geram pressão suficiente para ventilar adequadamente.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A ventilação na cricotireoidostomia por punção é intermitente, com 1 segundo de fluxo de oxigênio seguido de 4 segundos sem fluxo. Esse padrão permite a insuflação dos pulmões e, no intervalo, a expiração passiva pelo espaço entre o cateter e a traqueia. A relação 1:4 é o padrão clássico descrito na literatura, essencial para evitar barotrauma e permitir a troca gasosa.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A cricotireoidostomia por punção é uma medida temporária, não definitiva. O cateter de pequeno calibre limita a ventilação e a oxigenação, levando à hipercapnia progressiva. O paciente deve ser rapidamente transportado para um ambiente onde uma via aérea definitiva possa ser estabelecida. A técnica não permite oxigenação por tempo indeterminado.

Gabarito: letra D

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