Questão de Medicina — Cirurgia Geral — Quadrix 2025
Medicina›Cirurgia Geral
Código
qg602260
Banca
Quadrix
Órgão
FMJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Especialidades com Pré-Requisito em Cirurgia Geral ou Área Cirúrgica Básica
Assinale a opção correta, a respeito da cirurgia bariátrica e metabólica.
AAs cirurgias não recomendadas são a banda gástrica ajustável e a cirurgia de Scopinaro.
BEntre as cirurgias altamente recomendadas estão duodenal switch com gastrectomia vertical, bypass gástrico com anastomose única, gastrectomia vertical com anastomose duodeno‑ileal.
CBypass gástrico em Y de Roux e a gastrectomia vertical, apesar de serem cirurgias que não possuem uma evidência científica robusta (no nível 1), elas podem ser realizadas e são reconhecidas cientificamente.
DEntre os procedimentos endoscópicos não reconhecidos, estão o balão intragástrico e a gastroplastia endoscópica.
EPara realizar o procedimento cirúrgico, o médico tem que ser especialista nessa cirurgia, não sendo indicada a sua realização pelo cirurgião geral.
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GabaritoA — As cirurgias não recomendadas são a banda gástrica ajustável e a cirurgia de Scopinaro.
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Cirurgia Bariátrica e Metabólica: Recomendações e Procedimentos
Gabarito: letra A. A alternativa correta afirma que as cirurgias não recomendadas são a banda gástrica ajustável e a cirurgia de Scopinaro, o que está alinhado com as diretrizes atuais que desaconselham esses procedimentos por sua menor eficácia e maior taxa de complicações em comparação com outras técnicas. As demais alternativas apresentam erros conceituais sobre a classificação das cirurgias, o nível de evidência científica e os requisitos para a realização do procedimento.
A cirurgia bariátrica e metabólica é um campo em constante evolução, com diversas técnicas cirúrgicas e endoscópicas disponíveis para o tratamento da obesidade e suas comorbidades. A escolha do procedimento ideal depende de uma avaliação individualizada do paciente, considerando fatores como IMC, presença de comorbidades, perfil de risco e preferências. As diretrizes internacionais, como as da Sociedade Americana de Cirurgia Metabólica e Bariátrica (ASMBS) e da Federação Internacional de Cirurgia da Obesidade (IFSO), classificam os procedimentos com base em sua eficácia, segurança e nível de evidência científica.
A banda gástrica ajustável, embora tenha sido popular no passado, caiu em desuso devido à sua menor eficácia na perda de peso a longo prazo e a uma taxa significativa de complicações, como erosão, migração e disfunção do dispositivo. A cirurgia de Scopinaro, também conhecida como derivação biliopancreática, é um procedimento de alta complexidade que, apesar de eficaz, apresenta um risco elevado de desnutrição proteica e deficiências nutricionais graves, sendo reservada para casos muito selecionados. Por essas razões, ambas são consideradas não recomendadas como procedimentos de primeira linha.
Por outro lado, o bypass gástrico em Y de Roux (DGYR) e a gastrectomia vertical (GV) são considerados os padrões-ouro da cirurgia bariátrica, com evidência científica robusta (nível 1) demonstrando sua eficácia na perda de peso sustentada e na remissão de comorbidades como diabetes tipo 2, hipertensão e apneia do sono. Esses procedimentos são amplamente recomendados e realizados em todo o mundo. Outros procedimentos, como o duodenal switch com gastrectomia vertical e o bypass gástrico de anastomose única, também são considerados altamente recomendados em casos selecionados, mas com menor volume de evidência.
A distinção entre procedimentos recomendados, altamente recomendados e não recomendados é crucial para a prática clínica. A banca explora exatamente essa classificação, tentando confundir o candidato com a inversão de categorias ou com a atribuição de níveis de evidência incorretos. Além disso, a questão aborda a questão da especialização médica, que é um ponto importante para a segurança do paciente.
Guarde a fronteira entre os procedimentos recomendados e não recomendados, bem como o nível de evidência que sustenta cada um: é exatamente nesses critérios que as alternativas se dividem.
Procedimento
Classificação
Nível de Evidência
Banda gástrica ajustável
Não recomendado
Baixo
Cirurgia de Scopinaro (derivação biliopancreática)
Não recomendado
Baixo
Bypass gástrico em Y de Roux
Altamente recomendado (padrão-ouro)
Nível 1 (robusto)
Gastrectomia vertical
Altamente recomendado (padrão-ouro)
Nível 1 (robusto)
Duodenal switch com gastrectomia vertical
Recomendado em casos selecionados
Moderado
Bypass gástrico com anastomose única
Recomendado em casos selecionados
Em evolução
Gastrectomia vertical com anastomose duodeno-ileal
Recomendado em casos selecionados
Em evolução
Balão intragástrico
Reconhecido (endoscópico)
Moderado
Gastroplastia endoscópica
Reconhecido (endoscópico)
Em evolução
Cirurgia bariátrica: Altamente recomendadas (Bypass gástrico em Y de Roux, Gastrectomia vertical); Recomendadas (casos selecionados) (Duodenal switch, Bypass de anastomose única); Não recomendadas (Banda gástrica ajustável, Cirurgia de Scopinaro); Endoscópicos reconhecidos (Balão intragástrico, Gastroplastia endoscópica)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta ao afirmar que a banda gástrica ajustável e a cirurgia de Scopinaro são procedimentos não recomendados. A banda gástrica ajustável, embora tenha sido um procedimento comum, demonstrou menor eficácia a longo prazo e altas taxas de complicações, como erosão e migração do dispositivo, levando à sua descontinuação em muitos centros. A cirurgia de Scopinaro, ou derivação biliopancreática, é um procedimento de alta complexidade com risco significativo de desnutrição e deficiências nutricionais, sendo reservada para casos extremamente selecionados. Ambas são, portanto, consideradas não recomendadas pelas diretrizes atuais.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa está incorreta ao afirmar que o duodenal switch com gastrectomia vertical, o bypass gástrico com anastomose única e a gastrectomia vertical com anastomose duodeno-ileal são cirurgias "altamente recomendadas". Embora o duodenal switch seja um procedimento eficaz, ele é considerado uma técnica de alta complexidade, com maior risco de complicações nutricionais, e não é classificado como "altamente recomendado" de forma geral. O bypass gástrico com anastomose única e a gastrectomia vertical com anastomose duodeno-ileal são procedimentos mais recentes, com evidência em evolução, mas não são universalmente classificados como "altamente recomendados" pelas principais diretrizes. A classificação correta de "altamente recomendados" geralmente se aplica ao bypass gástrico em Y de Roux e à gastrectomia vertical, que possuem o maior nível de evidência.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa está incorreta ao afirmar que o bypass gástrico em Y de Roux e a gastrectomia vertical "não possuem uma evidência científica robusta (no nível 1)". Na verdade, esses dois procedimentos são os que possuem o maior nível de evidência científica (nível 1) entre todas as cirurgias bariátricas, com inúmeros estudos randomizados e metanálises demonstrando sua eficácia e segurança. A afirmação de que eles não possuem evidência robusta é uma inversão da realidade, pois são justamente os procedimentos mais bem estudados e recomendados.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa está incorreta ao afirmar que o balão intragástrico e a gastroplastia endoscópica são "procedimentos endoscópicos não reconhecidos". O balão intragástrico é um procedimento endoscópico reconhecido e aprovado para o tratamento da obesidade, especialmente em pacientes com IMC mais baixo ou como ponte para cirurgia. A gastroplastia endoscópica, também conhecida como gastroplastia vertical endoscópica (ESG), é um procedimento mais recente, mas que vem ganhando reconhecimento e evidência científica, sendo considerado uma opção minimamente invasiva. Portanto, a afirmação de que são "não reconhecidos" é incorreta.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa está incorreta ao afirmar que o médico "tem que ser especialista nessa cirurgia, não sendo indicada a sua realização pelo cirurgião geral". Embora a cirurgia bariátrica exija treinamento e experiência específicos, ela pode ser realizada por cirurgiões gerais com formação complementar e credenciamento em cirurgia bariátrica. A especialização é um requisito para a realização do procedimento, mas não é exclusiva de uma subespecialidade, sendo o cirurgião geral com treinamento adequado habilitado a realizá-la. A afirmação de que não é indicada a realização pelo cirurgião geral é uma generalização incorreta.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a classificação dos procedimentos bariátricos, invertendo categorias e níveis de evidência. O candidato pode confundir a banda gástrica ajustável, que é um procedimento não recomendado, com a gastrectomia vertical, que é altamente recomendada. Além disso, a alternativa C inverte a evidência científica, afirmando que os procedimentos mais estudados não possuem evidência robusta. Fique atento a essas inversões para não cair na armadilha.
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar a classificação, foque nos procedimentos mais comuns: o bypass gástrico em Y de Roux e a gastrectomia vertical são os mais recomendados e com maior evidência. A banda gástrica ajustável e a cirurgia de Scopinaro são não recomendados. Os demais procedimentos, como o duodenal switch, são opções para casos selecionados. Lembre-se de que a evidência científica é um critério chave para a recomendação.