Questão de Medicina — Cirurgia Geral — Quadrix 2025
Medicina›Cirurgia Geral
Código
qg602263
Banca
Quadrix
Órgão
FMJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Especialidades com Pré-Requisito em Cirurgia Geral ou Área Cirúrgica Básica
Assinale a opção correta, a respeito da inguinodinia.
AA diferenciação da dor inguinal crônica em nociceptiva e neuropática é fundamental para o manejo terapêutico.
BAtualmente, a espera vigilante (watchful waiting), associada à analgesia, pode ser considerada a primeira linha de tratamento, o que resulta em melhora da dor em grande parte dos casos.
COs fatores de risco incluem sexo masculino, idade acima 50 anos, pouca dor inguinal pré‑operatória e hérnia inguinal recorrente.
DÉ mais frequente em indivíduos submetidos ao reparo extraperitoneal total por laparoscopia em comparação à técnica de Lichtenstein.
EA neurectomia tripla é contra indicada devido ao prejuízo do reflexo cremastérico e à extensa área de anestesia na inguinoescrotal que ela provoca.
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GabaritoB — Atualmente, a espera vigilante (watchful waiting), associada à analgesia, pode ser considerada a primeira linha de tratamento, o que resulta em melhora da dor em grande parte dos casos.
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Inguinodinia: dor crônica após herniaplastia inguinal
Gabarito: letra B. A espera vigilante (watchful waiting) associada à analgesia é, de fato, considerada a primeira linha de tratamento da inguinodinia, com melhora da dor na grande maioria dos casos — conduta respaldada pelas principais diretrizes de cirurgia geral e pela prática clínica consolidada. As demais alternativas contêm erros conceituais ou factuais que as tornam incorretas, como veremos a seguir.
A inguinodinia é a dor crônica (persistente por mais de 3 meses) na região inguinal, mais comumente observada após herniaplastia inguinal — sendo uma das complicações mais temidas dessa cirurgia. Ela pode ser classificada em três tipos principais: nociceptiva (somática ou visceral, decorrente de lesão tecidual e inflamação), neuropática (decorrente de lesão direta de nervos, como o ilioinguinal, iliohipogástrico e genitofemoral) e nociplástica (disfunção do processamento da dor, sem lesão tecidual ou neural evidente). A diferenciação entre esses tipos é fundamental, pois direciona o tratamento: dor neuropática responde melhor a neuromoduladores (como gabapentina e amitriptilina), enquanto a nociceptiva responde a anti-inflamatórios e analgésicos comuns.
O tratamento da inguinodinia segue uma abordagem escalonada. Inicialmente, opta-se pelo tratamento conservador, que inclui analgesia, fisioterapia, bloqueios nervosos e, em alguns casos, neuromoduladores. A espera vigilante é recomendada como primeira linha, pois muitos pacientes melhoram espontaneamente com o tempo, e a cirurgia (como a neurectomia) é reservada para casos refratários ao tratamento clínico bem conduzido. A neurectomia tripla (ressecção dos três nervos principais da região inguinal) é uma opção cirúrgica para casos selecionados, mas não é contraindicada de forma absoluta — pelo contrário, pode ser benéfica em pacientes com dor neuropática refratária, apesar dos efeitos adversos como anestesia na região inguinoescrotal.
Os fatores de risco para o desenvolvimento de inguinodinia incluem: sexo feminino (não masculino), idade jovem (não acima de 50 anos), dor inguinal pré-operatória intensa (não pouca), hérnia recorrente, cirurgia aberta (não laparoscópica) e cirurgião com menor experiência. A técnica cirúrgica também influencia: a herniaplastia laparoscópica (TEP ou TAPP) está associada a menor incidência de dor crônica quando comparada à técnica aberta de Lichtenstein, contrariando a alternativa D. A neurectomia tripla, embora cause anestesia na região inguinoescrotal e possa afetar o reflexo cremastérico, não é contraindicada por esses motivos — é uma opção terapêutica válida em casos selecionados de dor neuropática refratária.
A banca explora aqui a confusão entre os fatores de risco e as técnicas cirúrgicas, além de inverter a indicação da neurectomia. O candidato que domina o manejo da inguinodinia — com a espera vigilante como primeira linha e a neurectomia como opção para casos refratários — identifica facilmente a alternativa B como correta. Vamos analisar cada alternativa em detalhe.
Inguinodinia (dor crônica pós-hernioplastia): Classificação (Nociceptiva, Neuropática, Nociplástica); Tratamento escalonado (1ª linha: espera vigilante + analgesia, Refratários: neurectomia tripla); Fatores de risco (Sexo feminino, Idade jovem, Dor pré-operatória intensa, Hérnia recorrente); Técnica cirúrgica (Laparoscopia (TEP/TAPP): [-] menos dor crônica, Aberta (Lichtenstein): mais dor crônica)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A afirmação de que a diferenciação da dor inguinal crônica em nociceptiva e neuropática é fundamental para o manejo terapêutico está incorreta porque a classificação atual inclui também a dor nociplástica, além das duas citadas. A diferenciação entre os três tipos é que é fundamental, pois cada um responde a abordagens terapêuticas distintas. A alternativa peca por omitir a terceira categoria, tornando a afirmação incompleta e, portanto, incorreta.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta. A espera vigilante (watchful waiting) associada à analgesia é, de fato, a primeira linha de tratamento da inguinodinia, conforme recomendam as principais diretrizes. Estudos mostram que grande parte dos pacientes apresenta melhora da dor com essa conduta conservadora, evitando intervenções cirúrgicas desnecessárias. A cirurgia, como a neurectomia, fica reservada para casos refratários ao tratamento clínico.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa está incorreta porque os fatores de risco listados estão invertidos ou errados. Os fatores de risco reais para inguinodinia incluem: sexo feminino (não masculino), idade jovem (não acima de 50 anos), dor inguinal pré-operatória intensa (não pouca) e hérnia inguinal recorrente (este item está correto). A banca trocou os termos para confundir o candidato.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa está incorreta porque a inguinodinia é menos frequente (não mais frequente) em indivíduos submetidos ao reparo extraperitoneal total (TEP) por laparoscopia quando comparado à técnica de Lichtenstein (aberta). A via laparoscópica está associada a menor incidência de dor crônica pós-hernioplastia, sendo essa uma das vantagens da técnica minimamente invasiva.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa está incorreta porque a neurectomia tripla não é contraindicada — pelo contrário, é uma opção terapêutica válida para casos de dor neuropática refratária ao tratamento clínico. Embora cause anestesia na região inguinoescrotal e possa afetar o reflexo cremastérico, esses efeitos são aceitáveis diante do benefício de alívio da dor em pacientes selecionados. A contraindicação absoluta não existe; a decisão é individualizada.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter os fatores de risco e as técnicas cirúrgicas. Repare: sexo masculino → feminino, idade acima de 50 → jovem, pouca dor pré-operatória → intensa, e laparoscopia mais frequente → menos frequente. Memorize os fatores corretos e a relação com a técnica para não cair nessas trocas.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de inguinodinia, lembre-se do mnemônico "E-A-N": Espera vigilante (primeira linha), Analgesia (associada), Neurectomia (reserva para refratários). E para os fatores de risco, pense no oposto do que parece intuitivo: mulher jovem com dor pré-operatória intensa é o perfil clássico.