Residência Médica - Especialidades com Pré-Requisito em Cirurgia Geral ou Área Cirúrgica Básica
Assinale a opção correta, quanto ao câncer de pâncreas.
ADiabetes mellitus é um sinal de doença inicial.
BCA 19‑9 e CEA são marcadores com alta sensibilidade, mas baixa especificidade.
CColangiorressonância é o padrão‑ouro para estadiamento e avaliação de ressecabilidade.
DA localização predominante é na cabeça do pâncreas, seguida por corpo e cauda.
EUltrassonografia endoscópica tem baixa sensibilidade para lesões pequenas.
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GabaritoD — A localização predominante é na cabeça do pâncreas, seguida por corpo e cauda.
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Câncer de Pâncreas: Localização, Marcadores e Diagnóstico por Imagem
Gabarito: letra D. A alternativa correta é a que afirma que a localização predominante do adenocarcinoma ductal de pâncreas (ACDP) é na cabeça do pâncreas, seguida por corpo e cauda. Essa é uma característica epidemiológica clássica, confirmada pela literatura: cerca de 70 a 80% dos tumores localizam-se na cabeça, e 20 a 30% no corpo ou cauda. As demais alternativas apresentam erros conceituais sobre manifestações clínicas, marcadores tumorais e métodos de imagem.
O câncer de pâncreas, em sua forma mais comum, é o adenocarcinoma ductal (ACDP), responsável por 85 a 90% das neoplasias pancreáticas. Trata-se de um tumor de prognóstico sombrio, frequentemente diagnosticado em estágio avançado, com sobrevida global em 5 anos inferior a 10%. A apresentação clínica é insidiosa e inespecífica, o que dificulta o diagnóstico precoce. Os sintomas iniciais mais comuns são icterícia, perda de peso e dor abdominal, sendo a icterícia indolor a manifestação mais frequente em lesões potencialmente ressecáveis. A localização do tumor influencia diretamente os sintomas: tumores na cabeça do pâncreas, por obstruírem precocemente o colédoco, cursam com icterícia obstrutiva e sinal de Courvoisier (vesícula biliar palpável), enquanto tumores de corpo e cauda tendem a ser assintomáticos por mais tempo, sendo diagnosticados tardiamente.
O diabetes mellitus (DM) merece atenção especial: o início recente de DM tipo 2 em adulto com mais de 50 anos, sem fatores de risco francos relacionados à obesidade, deve levantar a suspeita de câncer de pâncreas. Isso porque o tumor pode causar diabetes por destruição das células beta ou por resistência periférica à insulina. No entanto, o DM não é um sinal de doença inicial — ele costuma aparecer em fases mais avançadas, quando o tumor já comprometeu grande parte do parênquima pancreático. A alternativa A, ao afirmar que o DM é sinal de doença inicial, inverte essa lógica: o DM de início recente é um sinal de alerta, mas não de doença precoce, e sim de doença já estabelecida.
Quanto aos marcadores tumorais, o CA 19-9 é o mais utilizado no acompanhamento do câncer de pâncreas, mas apresenta sensibilidade e especificidade limitadas. O CEA também é usado, porém com menor acurácia. A alternativa B afirma que ambos têm alta sensibilidade e baixa especificidade — o que está incorreto: o CA 19-9 tem sensibilidade moderada (cerca de 70-90% em tumores avançados, mas menor em tumores iniciais) e especificidade também limitada, podendo estar elevado em outras condições como pancreatite, colangite e icterícia obstrutiva benigna. O CEA tem sensibilidade ainda menor. Portanto, a afirmação de que ambos têm "alta sensibilidade" é exagerada e incorreta.
No que diz respeito ao diagnóstico por imagem, a TC com multidetectores com fase tripla do protocolo do pâncreas (fases arterial, arterial tardia e venosa) é o melhor exame inicial para diagnóstico e estadiamento, com sensibilidade de 90 a 97% na identificação do ACDP. A colangiorressonância (CPRM) é útil para avaliar a via biliar, mas não é o padrão-ouro para estadiamento e avaliação de ressecabilidade — esse papel cabe à TC de alta resolução. A ultrassonografia endoscópica (USE) é superior à TC e à RM para detecção de pequenas lesões, sendo indicada quando há forte suspeita apesar de exames negativos. Portanto, a alternativa C está incorreta ao eleger a colangiorressonância como padrão-ouro, e a alternativa E está incorreta ao afirmar que a USE tem baixa sensibilidade para lesões pequenas — na verdade, é o contrário.
A pegadinha central desta questão é a inversão de conceitos: a banca troca o papel de cada método de imagem e o significado do diabetes. O candidato que decora que "USE é boa para lesões pequenas" pode marcar a alternativa E como correta, mas ela afirma exatamente o oposto. Da mesma forma, quem sabe que o DM pode ser manifestação do câncer pode marcar a alternativa A, sem perceber que o DM não é sinal de doença inicial, mas de doença avançada. A alternativa D, por sua vez, é a única que traz uma informação epidemiológica correta e bem estabelecida.
Critério
CA 19-9 e CEA
TC com multidetectores (fase tripla)
Colangiorressonância (CPRM)
Ultrassonografia endoscópica (USE)
Papel no diagnóstico
Marcadores tumorais (acompanhamento)
Padrão-ouro para estadiamento e ressecabilidade
Avaliação da via biliar
Detecção de pequenas lesões
Sensibilidade
Moderada (CA 19-9) / menor (CEA)
Alta (90–97%)
Não é padrão-ouro
Alta (superior à TC e RM)
Especificidade
Limitada (eleva-se em pancreatite, colangite, icterícia benigna)
—
—
—
Câncer de pâncreas (ACDP): Localização (Cabeça (70–80%), Corpo e cauda (20–30%)); Marcadores (CA 19-9 (sensibilidade moderada), CEA (sensibilidade menor)); Imagem (TC tripla: padrão-ouro p/ estadiamento, USE: alta sensibilidade p/ lesões pequenas, Colangiorressonância: avalia via biliar); Diabetes (Sinal de doença avançada, Não é doença inicial)
Alternativa A — ❌ Incorreta
O diabetes mellitus não é sinal de doença inicial. O início recente de DM tipo 2 em adulto com mais de 50 anos, sem fatores de risco francos, é um sinal de alerta para câncer de pâncreas, mas isso ocorre porque o tumor já comprometeu o parênquima — ou seja, é manifestação de doença avançada, não precoce. A literatura indica que o DM de início recente pode ser a primeira manifestação clínica, mas isso não significa doença inicial: o tumor já está estabelecido. A banca explora a confusão entre "primeira manifestação" e "doença inicial".
Alternativa B — ❌ Incorreta
O CA 19-9 e o CEA não têm alta sensibilidade. O CA 19-9 tem sensibilidade moderada (cerca de 70-90% em tumores avançados, mas menor em tumores iniciais) e especificidade limitada, podendo estar elevado em pancreatite, colangite e icterícia obstrutiva benigna. O CEA tem sensibilidade ainda menor. A alternativa erra ao afirmar que ambos têm "alta sensibilidade" — na verdade, a sensibilidade é limitada, especialmente para tumores iniciais. A especificidade também é baixa, mas o erro principal está na sensibilidade.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A colangiorressonância não é o padrão-ouro para estadiamento e avaliação de ressecabilidade. O padrão-ouro é a TC com multidetectores com fase tripla do protocolo do pâncreas, que identifica a lesão expansiva, avalia metástases hepáticas e invasão vascular. A colangiorressonância é útil para avaliar a via biliar, mas não substitui a TC no estadiamento. A banca troca o papel dos métodos de imagem: a TC é o melhor exame inicial, e a USE é superior para pequenas lesões.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A localização predominante do adenocarcinoma ductal de pâncreas é na cabeça do pâncreas, em 70 a 80% dos casos, seguida por corpo e cauda, em 20 a 30%. Essa distribuição é clássica e bem estabelecida na literatura. A localização na cabeça explica a apresentação clínica com icterícia obstrutiva precoce, enquanto tumores de corpo e cauda tendem a ser diagnosticados mais tardiamente, por serem menos sintomáticos.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A ultrassonografia endoscópica (USE) tem alta sensibilidade para lesões pequenas, sendo superior à TC e à RM nesse aspecto. A alternativa inverte o conceito: a USE é justamente o método mais sensível para detectar pequenas lesões pancreáticas, sendo indicada quando há forte suspeita apesar de exames negativos. A banca troca a característica do método: a USE é excelente para lesões pequenas, não tem baixa sensibilidade.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter o papel dos métodos de imagem e o significado do diabetes. Nesta questão, a alternativa E afirma que a USE tem baixa sensibilidade para lesões pequenas — exatamente o oposto da verdade. E a alternativa A confunde "primeira manifestação" com "doença inicial": o DM de início recente é um alerta, mas indica doença já estabelecida, não precoce. Fique atento a essas inversões — com treino, você as enxerga de longe 💪
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar a localização do câncer de pâncreas, lembre-se: cabeça (70-80%) → corpo → cauda. E para os métodos de imagem, guarde: TC tripla = padrão-ouro para estadiamento; USE = melhor para lesões pequenas; colangiorressonância = avalia via biliar. Monte uma tabela mental com esses papéis e revise antes da prova.