Questão de Medicina — Cirurgia Geral — Quadrix 2025
Medicina›Cirurgia Geral
Código
qg602268
Banca
Quadrix
Órgão
FMJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Especialidades com Pré-Requisito em Cirurgia Geral ou Área Cirúrgica Básica
Assinale a opção errada, a respeito do trauma retroperitoneal.
ASinal de Grey‑Turner sugere hemorragia retroperitoneal grave.
BA maioria dos hematomas retroperitoneais contusos, especialmente na zona III, pode ser tratada de forma conservadora.
CZona I contém os vasos ilíacos e estruturas do sistema urogenital, sendo os traumas nessa zona, frequentemente associados a fraturas pélvicas com sangramento grave.
DEm casos de trauma penetrante na Zona I, a exploração cirúrgica é quase sempre mandatória.
EZona II contém os rins, ureteres e porções do cólon, sendo que muitas lesões renais podem ser tratadas de forma conservadora.
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GabaritoC — Zona I contém os vasos ilíacos e estruturas do sistema urogenital, sendo os traumas nessa zona, frequentemente associados a fraturas pélvicas com sangramento grave.
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Trauma retroperitoneal: zonas e conduta
Gabarito: letra C. A alternativa C está errada porque inverte o conteúdo das zonas retroperitoneais: a Zona I (central) contém a aorta, a veia cava inferior e os vasos mesentéricos — não os vasos ilíacos e o sistema urogenital, que pertencem às Zonas II e III. O erro está em atribuir à Zona I estruturas que anatomicamente ficam nas zonas laterais e pélvica, e em associar a Zona I a fraturas pélvicas com sangramento grave — essa associação é típica da Zona III (pélvica).
O retroperitônio é o espaço anatômico localizado atrás do peritônio parietal, e o trauma nessa região é dividido em três zonas para orientar a conduta cirúrgica. A Zona I é a região central, que abriga estruturas vitais como aorta abdominal, veia cava inferior, artéria e veia mesentérica superior, pâncreas e duodeno — lesões aqui são de altíssima gravidade e, em trauma penetrante, a exploração cirúrgica é quase sempre mandatória, pois o risco de sangramento exsanguinante é imediato. A Zona II é a região lateral (flancos), contendo rins, ureteres e porções do cólon ascendente e descendente; muitas lesões renais, especialmente as contusas de graus I a IV, podem ser tratadas de forma conservadora, com vigilância clínica e, quando necessário, angioembolização. A Zona III é a região pélvica, que contém os vasos ilíacos e estruturas do sistema urogenital (bexiga, ureteres distais, reto); hematomas nessa zona, principalmente em trauma contuso, estão frequentemente associados a fraturas pélvicas e podem ser manejados de forma conservadora, com estabilização pélvica e angioembolização, reservando a cirurgia para instabilidade hemodinâmica ou sangramento ativo.
O sinal de Grey-Turner é uma equimose em flanco que sugere hemorragia retroperitoneal grave, geralmente associada a pancreatite aguda ou trauma — é um sinal clínico de alerta, mas aparece tardiamente e não deve ser usado como critério isolado de decisão. A conduta no hematoma retroperitoneal contuso depende da zona: na Zona I, a exploração é mandatória; na Zona II, pode ser conservadora se o hematoma for estável e não expansivo; na Zona III, a maioria é tratada de forma não operatória, com controle do sangramento por meios não cirúrgicos.
A banca explora a confusão entre as zonas: o candidato que decora os nomes das zonas sem fixar o conteúdo anatômico de cada uma cai na armadilha de aceitar que a Zona I contém vasos ilíacos e sistema urogenital. A pegadinha é dupla: primeiro, troca o conteúdo da Zona I pelo da Zona III; segundo, associa a Zona I a fraturas pélvicas, quando essa associação é da Zona III. Para acertar, é preciso ter o mapa mental das três zonas e saber que a Zona I é central e cirúrgica, a Zona II é lateral e frequentemente conservadora, e a Zona III é pélvica e associada a fraturas pélvicas.
Guarde a tríade: Zona I = central (aorta, cava, mesentéricos) → exploração quase sempre; Zona II = lateral (rins, ureteres, cólon) → conservador quando possível; Zona III = pélvica (ilíacos, urogenital) → associada a fratura pélvica, conservador na maioria dos contusos. É exatamente essa distribuição que separa as alternativas.
Exploração cirúrgica quase sempre mandatória (especialmente em trauma penetrante)
Zona II (lateral)
Rins, ureteres, cólon ascendente/descendente
Conservadora quando possível (ex.: lesões renais contusas graus I–IV)
Zona III (pélvica)
Vasos ilíacos, sistema urogenital (bexiga, ureteres distais, reto)
Conservadora na maioria dos contusos; associada a fraturas pélvicas; cirurgia se instabilidade/sangramento ativo
Zonas do retroperitônio: Zona I (central) (Aorta, cava, mesentéricos, Pâncreas e duodeno, Penetrante: exploração mandatória); Zona II (lateral) (Rins, ureteres, cólon, Contuso: conservador se possível); Zona III (pélvica) (Vasos ilíacos, urogenital, Fratura pélvica associada, Contuso: conservador na maioria)
Alternativa A — ✅ Correta
O sinal de Grey-Turner é a equimose em flanco que sugere hemorragia retroperitoneal grave. É um sinal clínico clássico, descrito na semiologia cirúrgica, e a alternativa está correta ao afirmar essa associação.
Alternativa B — ✅ Correta
A maioria dos hematomas retroperitoneais contusos, especialmente na Zona III (pélvica), pode ser tratada de forma conservadora. Isso porque o sangramento venoso e de pequenos vasos tende a cessar com a estabilização pélvica e o tamponamento pelo próprio hematoma; a cirurgia fica reservada para instabilidade hemodinâmica ou sangramento ativo.
Alternativa C — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO
A alternativa erra ao afirmar que a Zona I contém os vasos ilíacos e estruturas do sistema urogenital. A Zona I é a região central, com aorta, veia cava inferior e vasos mesentéricos; os vasos ilíacos e o sistema urogenital pertencem à Zona III (pélvica). Além disso, a associação com fraturas pélvicas e sangramento grave é característica da Zona III, não da Zona I. A banca inverteu o conteúdo das zonas para confundir o candidato.
Alternativa D — ✅ Correta
Em trauma penetrante na Zona I, a exploração cirúrgica é quase sempre mandatória. Isso porque a Zona I contém grandes vasos (aorta, cava, mesentéricos) e estruturas retroperitoneais fixas (duodeno, pâncreas), e a lesão penetrante nessa região tem alto risco de sangramento exsanguinante ou lesão de víscera que exige reparo imediato.
Alternativa E — ✅ Correta
A Zona II contém os rins, ureteres e porções do cólon, e muitas lesões renais podem ser tratadas de forma conservadora. As lesões renais contusas de graus I a IV, e até casos selecionados de grau V, têm boas taxas de sucesso com tratamento não operatório, sob vigilância clínica e com suporte de radiologia intervencionista quando necessário.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca o conteúdo da Zona I pelo da Zona III. O candidato que decora os nomes das zonas sem fixar a anatomia aceita que a Zona I contém vasos ilíacos e sistema urogenital — mas isso é da Zona III. A Zona I é central (aorta, cava, mesentéricos) e cirúrgica; a Zona III é pélvica e associada a fraturas pélvicas. Com o mapa das três zonas na cabeça, você enxerga essa troca de longe 💪
Gabarito: letra C — a única alternativa incorreta, pois inverte o conteúdo das zonas retroperitoneais.