Questão de Medicina — Cirurgia Geral — Quadrix 2025
Medicina›Cirurgia Geral
Código
qg602270
Banca
Quadrix
Órgão
FMJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Especialidades com Pré-Requisito em Cirurgia Geral ou Área Cirúrgica Básica
Assinale a opção correta, quanto à lesão de Dieulafoy.
ALocaliza‑se exclusivamente na pequena curvatura do estômago.
BA mucosa ao redor da lesão costuma apresentar uma aparência normal.
CA lesão é caracterizada pelo rompimento de um vaso sanguíneo anormalmente grande, localizado na camada muscular.
DA origem do sangramento arterial intenso, normalmente é causada por alimentos que perfuram a mucosa gástrica.
EO tratamento endoscópico tem baixa taxa de sucesso, devido à sua localização, sendo frequentemente necessária embolização arterial por radiologistas intervencionistas.
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GabaritoB — A mucosa ao redor da lesão costuma apresentar uma aparência normal.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Lesão de Dieulafoy: Anatomia, Apresentação e Tratamento
Gabarito: letra B. A lesão de Dieulafoy é um vaso submucoso aberrante e dilatado que erode o epitélio sobrejacente, sem associação com úlcera primária, e a mucosa ao redor da lesão costuma ter aparência normal — exatamente o que afirma a alternativa B. As demais opções distorcem a localização, a camada do vaso, a etiologia e a eficácia do tratamento endoscópico.
A lesão de Dieulafoy é uma causa rara, porém importante, de hemorragia digestiva alta (HDA), responsável por cerca de 1% a 2% dos casos. Trata-se de uma artéria submucosa de calibre anormalmente grande (geralmente > 1 mm) que, ao erodir a mucosa sobrejacente, expõe o vaso e provoca sangramento arterial intenso e recorrente. O ponto-chave é que não há úlcera primária — a erosão é secundária à pressão do próprio vaso aberrante, e não a um processo ulcerativo. Por isso, a mucosa ao redor costuma ser normal, o que torna o diagnóstico endoscópico desafiador: muitas vezes são necessárias várias endoscopias até identificar a lesão, que pode aparecer como uma pequena projeção ou um ponto de sangramento ativo em meio a uma mucosa íntegra.
A localização clássica é o estômago proximal, especialmente a pequena curvatura, a cerca de 6 cm da junção esofagogástrica — mas não é exclusiva dessa região. A lesão pode ocorrer em qualquer parte do trato gastrointestinal, incluindo duodeno, jejuno, cólon e até mesmo vias aéreas (causando hemoptise). Essa variabilidade de localização é um dos motivos pelos quais o diagnóstico pode ser tardio.
O tratamento endoscópico é a primeira linha e tem alta taxa de sucesso, com controle do sangramento em mais de 90% dos casos. As técnicas incluem injeção de epinefrina, coagulação com plasma de argônio, hemoclipes e ligadura elástica. A embolização arterial ou a cirurgia são reservadas para falha endoscópica ou sangramento recorrente, mas não são a regra. A alternativa E, portanto, está incorreta ao afirmar que o tratamento endoscópico tem baixa taxa de sucesso.
A etiologia do sangramento não está relacionada a alimentos que perfuram a mucosa — essa é uma confusão com outras causas de HDA, como a síndrome de Mallory-Weiss (laceração por esforço de vômito) ou a perfuração por corpo estranho. A lesão de Dieulafoy é uma malformação vascular congênita ou adquirida, e o sangramento ocorre pela erosão espontânea do vaso, sem relação com trauma alimentar.
Guarde a tríade que define a lesão: vaso submucoso aberrante dilatado + erosão da mucosa sobrejacente + ausência de úlcera primária. É exatamente essa tríade que separa a alternativa correta das demais.
Lesão de Dieulafoy: Anatomia (Vaso submucoso dilatado, Erosão do epitélio sobrejacente, Ausência de úlcera primária); Localização (Estômago proximal (pequena curvatura), Não exclusiva (todo o TGI)); Diagnóstico (Mucosa ao redor normal, Endoscopia pode ser desafiadora); Tratamento (Endoscópico (alta taxa de sucesso), Embolização/cirurgia (falha endoscópica))
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a lesão se localiza exclusivamente na pequena curvatura do estômago. Embora a pequena curvatura proximal seja a localização mais comum, a lesão pode ocorrer em qualquer parte do trato gastrointestinal, incluindo duodeno, jejuno, cólon e vias aéreas. O termo "exclusivamente" torna a afirmação incorreta.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A mucosa ao redor da lesão costuma apresentar aparência normal. Isso é verdadeiro porque a lesão de Dieulafoy não está associada a úlcera primária — o vaso aberrante erode o epitélio sobrejacente, mas a mucosa adjacente permanece íntegra. Essa característica é fundamental para o diagnóstico endoscópico, pois a lesão pode ser sutil e facilmente negligenciada.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que o vaso sanguíneo anormalmente grande está localizado na camada muscular. Na verdade, o vaso aberrante está na submucosa, não na muscular. A lesão de Dieulafoy é definida como um vaso submucoso dilatado que erode o epitélio sobrejacente. A confusão com a camada muscular é um erro anatômico clássico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que o sangramento é causado por alimentos que perfuram a mucosa gástrica. Isso não corresponde à fisiopatologia da lesão de Dieulafoy, que é uma malformação vascular — o sangramento ocorre pela erosão espontânea do vaso submucoso, sem relação com trauma alimentar. A perfuração por corpo estranho é uma causa de HDA, mas não se aplica a esta lesão.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que o tratamento endoscópico tem baixa taxa de sucesso e que frequentemente é necessária embolização arterial. Na prática, o tratamento endoscópico é a primeira linha e tem alta taxa de sucesso (acima de 90%), com técnicas como hemoclipes, coagulação com plasma de argônio e ligadura elástica. A embolização ou a cirurgia são reservadas para falha endoscópica ou sangramento recorrente, mas não são a regra.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre a localização clássica e a exclusividade, e entre a camada do vaso (submucosa vs. muscular). A lesão de Dieulafoy é mais comum na pequena curvatura proximal, mas não é exclusiva — e o vaso está na submucosa, não na muscular. Fique atento a esses detalhes anatômicos.
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar a lesão de Dieulafoy, lembre-se da tríade: vaso submucoso aberrante + mucosa normal ao redor + sangramento arterial intenso e recorrente. Se a alternativa mencionar "úlcera primária", "camada muscular" ou "exclusivamente", desconfie — são os distratores mais comuns.