Residência Médica - Especialidades com Pré-Requisito em Cirurgia Geral ou Área Cirúrgica Básica
Considere‑se a imagem a seguir.Essa tomografia de crânio em um paciente com Glasgow de 9, após traumatismo craniano, é compatível com diagnóstico de
Ahematoma epidural.
Bhematoma subdural.
Clesão axonal difusa.
Dcontusão com hemorragia intraparenquimatosa.
Ehemorragia intraventricular.
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GabaritoD — contusão com hemorragia intraparenquimatosa.
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Traumatismo Cranioencefálico: Diagnóstico Tomográfico das Lesões
Gabarito: letra D. A imagem de tomografia de crânio em paciente com Glasgow 9 (trauma moderado) é compatível com contusão cerebral com hemorragia intraparenquimatosa, caracterizada por áreas hiperdensas (sangue) dentro do parênquima cerebral, frequentemente em regiões de impacto direto ou contra-golpe. As demais alternativas descrevem padrões tomográficos distintos: o hematoma epidural tem formato lenticular/biconvexo, o subdural tem formato de crescente, a lesão axonal difusa é sutil na TC inicial e a hemorragia intraventricular localiza-se no interior dos ventrículos.
O traumatismo cranioencefálico (TCE) é uma agressão ao crânio e ao conteúdo intracraniano, classificada pela escala de coma de Glasgow (ECG) em leve (13-15), moderado (9-12) e grave (3-8). O paciente do enunciado, com Glasgow 9, enquadra-se no TCE moderado. A tomografia computadorizada (TC) de crânio sem contraste é o exame de escolha na avaliação aguda, pois identifica com precisão as diferentes formas de hemorragia intracraniana, que são as complicações mais temidas do TCE.
A contusão cerebral é uma lesão do parênquima encefálico, geralmente resultante do impacto do cérebro contra a superfície interna do crânio. Na TC, manifesta-se como áreas de hipodensidade (edema) entremeadas por focos hiperdensos (hemorragia intraparenquimatosa), localizadas tipicamente nos lobos frontal e temporal, nas regiões de golpe (coup) e contra-golpe (contrecoup). A hemorragia intraparenquimatosa é o sangramento dentro do tecido cerebral, e quando associada à contusão, configura o quadro descrito na alternativa D.
É fundamental distinguir as principais lesões traumáticas intracranianas pelos seus padrões tomográficos, pois cada uma tem implicações terapêuticas e prognósticas distintas. O hematoma epidural (extradural) é uma coleção sanguínea entre a calota craniana e a dura-máter, geralmente de origem arterial (artéria meníngea média), com formato biconvexo/lenticular e associado a fratura de crânio. O hematoma subdural é uma coleção entre a dura-máter e a aracnoide, de origem venosa (veias pontinas), com formato de crescente, frequentemente associado a lesão cerebral subjacente. A lesão axonal difusa (LAD) é uma lesão microscópica dos axônios, que na TC inicial pode ser sutil ou ausente, manifestando-se por pequenos focos hemorrágicos na junção substância branca-cinza, corpo caloso e tronco encefálico. A hemorragia intraventricular é o sangramento dentro dos ventrículos cerebrais, podendo ser primária ou por extensão de outras hemorragias.
A banca explora a capacidade de correlacionar o achado tomográfico com o diagnóstico correto. A pegadinha está em confundir os padrões morfológicos das coleções extra-axiais (epidural lenticular vs. subdural crescente) com a lesão intraparenquimatosa (contusão). O Glasgow 9 indica trauma moderado, e a imagem descrita como compatível com contusão com hemorragia intraparenquimatosa é o achado mais comum nesse contexto, especialmente em traumas de alto impacto. Guarde a fronteira entre os padrões tomográficos: é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Tipo de Lesão
Localização Anatômica
Formato na TC
Origem Vascular
Característica Principal
Hematoma Epidural
Entre a calota craniana e a dura-máter
Lenticular/biconvexo
Arterial (meníngea média)
Associado a fratura de crânio
Hematoma Subdural
Entre a dura-máter e a aracnoide
Crescente
Venosa (veias pontinas)
Frequentemente com lesão cerebral subjacente
Lesão Axonal Difusa
Junção substância branca-cinza, corpo caloso, tronco
Sutil ou ausente na TC inicial
Microscópica (axônios)
Diagnóstico clínico e por RM
Contusão com Hemorragia Intraparenquimatosa
Dentro do parênquima cerebral (lobos frontal/temporal)
Áreas hipodensas (edema) entremeadas por focos hiperdensos (sangue)
Rompimento de pequenos vasos
Lesão mais comum no TCE (golpe/contra-golpe)
Hemorragia Intraventricular
Dentro dos ventrículos cerebrais
Sangue hiperdenso no interior dos ventrículos
Veias subependimárias ou extensão de outras hemorragias
O hematoma epidural (extradural) é uma coleção sanguínea entre a calota craniana e a dura-máter, tipicamente de origem arterial (artéria meníngea média), com formato lenticular/biconvexo na TC. Está quase sempre associado a fratura de crânio e tende a não causar dano cerebral subjacente. A imagem descrita não corresponde a esse padrão, pois a contusão com hemorragia intraparenquimatosa é uma lesão dentro do parênquima, não uma coleção extra-axial.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O hematoma subdural é uma coleção sanguínea entre a dura-máter e a aracnoide, de origem venosa (veias pontinas), com formato em crescente na TC, frequentemente associado a lesão cerebral subjacente. Embora possa ocorrer em TCE, o padrão tomográfico descrito (contusão com hemorragia intraparenquimatosa) é diferente: a contusão é uma lesão intraparenquimatosa, enquanto o subdural é uma coleção extra-axial.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A lesão axonal difusa (LAD) é uma lesão microscópica dos axônios, resultante de forças de aceleração/desaceleração e rotação. Na TC inicial, a LAD pode ser sutil ou até ausente, manifestando-se por pequenos focos hemorrágicos na junção substância branca-cinza, corpo caloso e tronco encefálico. A imagem descrita, com hemorragia intraparenquimatosa evidente, é mais compatível com contusão cerebral do que com LAD, que é um diagnóstico predominantemente clínico e de ressonância magnética.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A contusão cerebral com hemorragia intraparenquimatosa é a lesão mais comum no TCE, resultante do impacto do cérebro contra a superfície interna do crânio (golpe e contra-golpe). Na TC, manifesta-se como áreas de hipodensidade (edema) entremeadas por focos hiperdensos (sangue) no parênquima cerebral, tipicamente nos lobos frontal e temporal. O paciente com Glasgow 9 (TCE moderado) e esse padrão tomográfico é compatível com o diagnóstico de contusão com hemorragia intraparenquimatosa.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A hemorragia intraventricular é o sangramento dentro dos ventrículos cerebrais, resultante do rompimento das veias subependimárias ou por extensão de hemorragia intraparenquimatosa ou subaracnóidea adjacente. Na TC, o sangue é visto no interior dos ventrículos (hiperdenso), não no parênquima cerebral. A imagem descrita, com hemorragia intraparenquimatosa, não corresponde a esse padrão.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os padrões morfológicos das lesões traumáticas na TC. O hematoma epidural tem formato lenticular/biconvexo, o subdural tem formato em crescente, e a contusão com hemorragia intraparenquimatosa é uma lesão dentro do parênquima, com áreas de edema e sangue. Memorize esses padrões: eles são a chave para diferenciar as lesões e evitar cair na armadilha de escolher uma coleção extra-axial quando a imagem mostra uma lesão intraparenquimatosa.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, associe cada lesão ao seu padrão tomográfico: epidural = lenticular (biconvexo), subdural = crescente, contusão = intraparenquimatosa (edema + sangue), LAD = sutil/ausente na TC, intraventricular = dentro dos ventrículos. Essa tabela mental resolve a maioria das questões de TCE na prova.